Ano 5 - nº 17 - setembro/dezembro de 2013

COM OS IRMÃOS MARX, O CINEMA CÔMICO ENCONTRA SUA MELHOR TRADIÇÃO
Angel Zúñiga
tradução e versão: Marco Aurélio Lucchetti



A aparição dos Irmãos Marx (Groucho, Chico, Harpo e Zeppo), em 1929, reanima o panorama da Comédia cinematográfica, dando-lhe uma alegria nova, irreflexiva, absurda (...).  O cinema cômico volta, então, a encontrar seu melhor caminho com esses humoristas que nos fazem recordar os melhores momentos de Mack Sennett e o Buster Keaton de Bancando o Águia (Sherlock Jr., 1924), evitando, porém, a sujeição técnica e acrescentando um método novo, pessoal, que surge do imprevisto e que parece consistir, definitivamente, em não ter método algum (...)
A alegria do circo nos chega com estes clowns maravilhosos que se caracterizam como tais e que nunca se esquecem de seus instrumentos musicais (...).
O cinema cômico parece ter encontrado sua melhor tradição, mas não durará muito. O cinema comercial se impõe e obriga os Marxes a aceitar suas normas. Uma Noite na Ópera (A Night at the Opera, 1935; direção de Sam Wood), por exemplo, já está repleto de defeitos: um insuportável Allan Jones canta tontices amorosas para uma garota ridícula; e Groucho Marx fala pelos cotovelos, para desespero dos espectadores.

 

Este texto foi traduzido do segundo volume de Una Historia del Cine (Barcelona, Ediciones Destino, 1948, pp. 188-189), de Angel Zúñiga