Ano 5 - nº 17 - setembro/dezembro de 2013

OS IRMÃOS MARX
Georges Sadoul



A irrupção dos Irmãos Marx na tela foi (...) um acontecimento.
Esses comediantes já consagrados continuavam, após Mack Sennett, a tradição da comicidade maluca anglo-saxônia; porém, ultrapassaram ainda os limites do absurdo. Groucho foi a caricatura do businessman, recitando facécias de almanaque; Chico, um tipo de imigrante italiano; o estarrecedor Harpo, mudo, de peruca loura, possuído pelo frenesi da destruição, a glutonaria e a salacidade. Diversamente de Chaplin, esses palhaços fizeram amplo uso dos acessórios ou truques extravagantes: o maçarico tirado aceso do bolso, o telefone devorado num acesso de cólera, a cabine apertada demais onde se espremem quinze pessoas etc.
Seus primeiros dois filmes, No Hotel da Fuzarca (The Cocoanuts, 1929; direção de Robert Florey & Joseph Santley) e Os Galhofeiros (Animal Crackers, 1930; direção de Victor Heerman), foram um acúmulo de fantasias delirantes conduzidas num andamento endiabrado. Limitavam-se, em grande parte, a filmar os dois espetáculos de mesmo nome que anteriormente se haviam mantido em cartaz por vários anos. Poucos depois, esses cômicos atingiram o apogeu com O Diabo a Quatro (Duck Soup, 1933; direção de Leo McCarey), no qual Groucho encarnava um ditador, bem próximo, sob certos aspectos, daquele de O Último Milionário (Le Dernier Milliardaire, 1934; direção de René Clair). (...)
Em Uma Noite na Ópera (A Night at the Opera, 1935; direção de Sam Wood), os Marxes já davam sinais de cansaço, que, em breve, se acentuaram. Suas gags tornaram-se laboriosas.



Este texto foi transcrito, com alguns acréscimos, do livro História do Cinema Mundial (Histoire du Cinéma Mondial, tradução de Sônia Salles Gomes, São Paulo, Martins, 1963, pp. 236-237), de Georges Sadoul