Ano 5 - nº 17 - setembro/dezembro de 2013

LOUCOS DE AMOR



Os Irmãos Marx sempre são esperados com ansiedade, e não me lembro de ter rido tanto no cinema como quando vejo suas películas. Groucho, Chico e Harpo são, por isso mesmo, sempre bem-vindos. E a expectativa aumentava, assim como o interesse, porque o argumento de Loucos de Amor trazia a assinatura de Harpo  Marx, indiscutivelmente um dos mais inteligentes cômicos do Cinema, reaparecendo de forma bastante auspiciosa, após alguns anos de ausência.
O início do filme, no qual Groucho faz a apresentação, é excelente. Promete um filme inteligente, repleto de piadas finas; e é nesse ponto que começamos a afrouxar os cintos para dar boas risadas. Mas tudo muda, como por encanto; e o filme cai no comum. História inteligente, sem dúvida, não procura evitar certos lugares comuns; entretanto, explora com habilidade o nonsense, apresentando algumas cenas realmente engraçadas e originais (...). Há alguns números musicais interessantes, mas que podiam obter melhores resultados. Vera-Ellen fotografia melhor em preto-e-branco e está mais graciosa e mais linda que nunca. Ilona Massey, sofisticada, está aceitável. Os Irmãos Marx demonstram suas qualidades musicais (harpa e piano), em trechos isolados e não muito bem aproveitados. E é só.

 

Este texto foi transcrito da edição de 5 de abril de 1951 da revista A Cena Muda (Rio de Janeiro, Companhia Editora Americana, p. 31)