Ano 5 - nº 17 - setembro/dezembro de 2013

ELA TRABALHOU NUM FILME DOS IRMÃOS MARX
George Carpozi Jr.



De todos os “lobos” que Marilyn (Monroe) conheceu, o mais simpático foi o conhecido comediante Groucho Marx. Marilyn o descreveu assim:
Groucho não é bem o que se pode chamar de “lobo”, de acordo com o que costumamos pensar dos conquistadores. Ele é mais um “lobo” do Cinema, e só o Cinema lhe interessa. É um homem maravilhoso.
O episódio com os Irmãos Marx e o filme Loucos de Amor (Love Happy, 1950) foi um dos mais memoráveis da vida de Marilyn e representou um marco no princípio de sua carreira. Existia uma espécie de preconceito em Hollywood, segundo o qual toda garota tida como exuberante e sensual, que aparecesse num filme dos Irmãos Marx, jamais conseguiria se tornar “estrela”. A razão para se  acreditar nisso era bastante acadêmica: a garota era colocada em tal situação de pânico, perseguida como uma espécie de coelho elétrico por uma porção de “lobos”... que não dava tempo para aparecer.
Marilyn, porém, haveria de fugir à regra geral. Ela foi, realmente, uma exceção, nesse filme dos Irmãos Marx.
Marilyn apresentou-se ao estúdio, no dia seguinte em que firmou contrato para participar de Loucos de Amor. O produtor Lester Cowan ordenou que pusesse um vestido quase transparente e com um decote bastante ousado. Ela apareceria no filme apenas alguns instantes, mas o suficiente para que sua presença fosse notada e admirada.
Tudo que Marilyn tinha de fazer era entrar no escritório de Groucho Marx, que interpretava o detetive particular Sam Grunion, e dizer:
Preciso de ajuda.
Groucho olharia para ela com aquele olhar insinuante e maroto; e, após bater várias vezes as pálpebras (tique que o tornou famoso), indagava:
Qual é o problema?
Marilyn fazia então oscilar os quadris, de uma maneira bem provocante, e explicaria:
Os homens insistem em seguir-me o tempo inteiro...
Cowan adorou a cena de Marilyn. E sugeriu, depois, a Groucho Marx: 
Não seria uma boa idéia usarmos essa garota numa grande campanha de publicidade para lançarmos o filme? Seria bom para o filme e também para ela, que estaria se promovendo e ganhando nome.
Groucho concordou.
Marilyn ficou satisfeitíssima com a idéia. Ser escolhida pelo próprio produtor da fita, como chamariz do filme, era realmente uma excelente maneira de atrair o público para o espetáculo. Depois de vê-la pessoalmente, iriam querer vê-la atuando no filme, não importando o tempo em que aparecesse na tela. (...)
A primeira cidade foi Chicago, e a imprensa local deu toda a atenção a Marilyn. (...) Fotografias de Marilyn inundaram as agências de notícias e foram enviadas para todo o país. Os jornais não se cansavam de publicá-las. Graças a isso, em muitas cidades, os próprios exibidores se encarregavam de promover o nome de Marilyn e de destacá-lo nos cartazes, a fim de chamar mais ainda a atenção do público.

 

Este texto foi transcrito do livro A Vida de Marilyn Monroe (Marilyn Monroe: Her Own Story, tradução de Evanry Gurgel, Rio de Janeiro, O Cruzeiro, 1962, pp. 67-68), de George Carpozi Jr.