Ano 4 - nº 17 - Setembro/Dezembro de 2013

O QUE DISSE GROUCHO MARX

Só um homem em mil lidera outros homens. Os demais 999 preferem seguir as mulheres.
O marido que quiser continuar feliz no casamento deve conservar a boca fechada e o talão de cheques aberto.
Querem um conselho? Nunca se casem. Contentem-se em ficar apaixonados.
Pagar pensão à ex-mulher é como servir feno fresco a um cavalo morto.
Suma-se e nunca conspurque minhas toalhas de novo! (frase dita para uma mulher que o dispensou)
Estou farto de casamentos convencionais, tipo um homem e uma mulher. Isso era bom no tempo da sua avó. Mas quem quer se casar com sua avó? Ninguém, nem mesmo o seu avô.
Uma namorada minha andou rodando uns filmes na França. Nesses filmes, ela fazia coisas que nunca pude convencê-la a fazer em casa.
No meu tempo, estou certo de ter lido sete ou oito milhões de palavras descrevendo os desejos de um homem por uma mulher que não a sua própria. O curioso é que raras vezes tenho lido um artigo em que a mulher deseje um homem que não o seu marido.
Noventa por cento das autobiografias são 100% ficção. Se as pessoas escrevessem a verdade sobre si próprias, não haveria cadeia que chegasse.
Certa vez, pedi a uma mulher uma mecha de seu cabelo. Fui um idiota. Devia ter pedido a ela a peruca inteira.
As noivas modernas preferem conservar os buquês e jogar seus maridos fora.
Quando um cara chega aos oitenta, o melhor que tem a fazer é ler um livro.
Sinceramente, não tenho a preocupação de esconder a idade; mas confesso que perdi a conta. Só sei que nasci com tenra idade. Isso deve ter sido aproximadamente no começo do século; entretanto, não vou dizer de qual século.
As mulheres devem ter o salário igual ao dos homens... e como estes devem ir à guerra.
Ler e fumar na cama são duas coisas de que as mulheres se queixam no marido. Bolas, por que não perceberam isso antes de se casar com ele?
Disseram que dei vexame bebendo champanhe no sapato de Sophia Loren. Não é verdade. Derramei quase metade, porque ela se recusava a tirar o maldito pé do sapato.
Ainda bem que Sophia Loren é mulher. Um corpo como aquele seria um desperdício num homem.
Não gostei de Sansão e Dalila, com Victor Mature e Hedy Lamarr. Porque não gosto de filmes em que as tetas do ator são maiores do que as da atriz.
O mundo está cheio de exibicionistas. Acho que a maioria das pessoas entra na política só para poder subir num palanque e deixar que os outros a veja. É por isso que os programas de auditório fazem tanto sucesso. Milhares de pessoas escrevem para as redes de TV, implorando por uma chance de aparecer nos tais programas. E, na maior parte dos casos, não é o dinheiro que as interessa. Elas só querem aparecer diante de uma platéia. Como bem disse um obscuro poeta chamado Shakespeare: “O mundo é um palco.” E parece que todos querem estar nele, na frente e no centro.
Para mim, a televisão é muito instrutiva. Quando alguém a liga, corro à estante e pego um bom livro para ler.
Nos velhos tempos, quando as pessoas eram pobres, viviam como pobres. Hoje, vivem como ricas. Discuti isso com muitos assalariados na faixa dos oito a dez mil dólares por ano; e, na maioria dos casos, eles admitem que quase tudo que possuem não lhes pertencem – seus automóveis, suas televisões, suas casas e sua mobília. Sua filosofia parece ser: “Que diabos! Talvez estejamos mortos amanhã.” Contudo, se viverem mais algumas décadas, muitos vão passar a velhice às custas do Estado.
Veja o meu caso: saí do nada e cheguei à extrema pobreza.
Ninguém pode se dar bem sem sorte. Pode-se ter o cérebro de Einstein (...) e a sabedoria de Thoreau; mas, sem a Dona Sorte em casa, é melhor se trancar no quarto e ligar o gás.
O ator não tem nada, além do seu corpo, seu talento e seu magnetismo pessoal. E, quando tudo isso se esgota, ele se torna apenas uma lembrança, logo esquecida. Isso também se aplica a boxeadores, jogadores de beisebol e atletas em geral.
Não entro para clubes que me aceitam como sócio.
Um dos piores problemas do sucesso é que sua receita tem mais ou menos os mesmos ingredientes do estresse.
O show business é uma profissão inconstante. A estrela de hoje é freqüentemente o desempregado de amanhã, e vice-versa.
Levantar fundos para um grande e caro musical é por si só um negócio.(...)  O freqüentador comum dos teatros não tem idéia do suor e da humilhação que até os produtores de maior sucesso acabam passando antes de finalmente conseguirem dinheiro para começar a ensaiar um espetáculo.
Antes da chegada da televisão, a palavra gênio circulava pela indústria cinematográfica com todo o descuido de uma strip-teaser balançando os músculos num baile de carnaval. Suponho que havia muitos deles por ali naquela época, mas só conheci um. Seu nome era Irving Thalberg. Era tão talentoso que deram seu nome a um prédio na MGM. Como todos os grandes talentos, ele não precisava de um prédio para perpetuar sua memória. Morreu com a idade de trinta e sete anos e, nos dezessete anos que trabalhou com filmes, abriu um largo caminho pra si mesmo na indústria.
Depois da morte de Thalberg, meu interesse pelo Cinema diminuiu. Continuei a fazer filmes, mas meu coração estava em outra. A graça em fazer filmes tinha acabado; e eu era como um velho pugilista que ainda ia à luta, mas agora somente por dinheiro. Meu canto de cisne foi Uma Noite em Casablanca.
Ninguém fica completamente infeliz diante do fracasso do seu melhor amigo.
Todo mundo é capaz de envelhecer. Basta viver o suficiente para chegar lá.
Certas mulheres não param de falar um minuto. Parecem que foram vacinadas com agulha de vitrola.
Um dia, eu estava no elevador do Edifício Thalberg, quando Greta Garbo entrou. Ela estava no auge da sua carreira, conhecida por todos como a maior estrela de Cinema de sua época. Usava um chapéu aproximadamente do tamanho de um grande bueiro de esgoto. O que sobrava dela estava encerrado dentro de calças compridas e de um casaco estilo masculino. Eu estava atrás dela e, brincalhão como sou, gentilmente levantei a aba de trás do chapéu. (...) A srta. Garbo se virou para mim, com raiva; e, tirando o chapéu, gritou: “Como se atreve?” “Oh sinto muito”, respondi. “Pensei que você fosse um camarada que conheci em Kansas City.”

FOLHETIM

 

CARMILLA
Em toda e qualquer relação de autores de histórias de vampiros não pode faltar o nome do irlandês Joseph Sheridan Le Fanu (1814-1873).
Le Fanu foi o criador da célebre vampiresa Carmilla Karnstein, cuja história continua sendo publicada na íntegra, em capítulos, no Jornal do Cinema.
O ABOMINÁVEL DOUTOR ZOLA
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
O FANTASMA DE GREENSTOCK
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
OS AMANTES DA SENHORA POWERS
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
NÚMERO ESPECIAL SOBRE
OS IRMÃOS MARX
OS IRMÃOS MARX
por Georges Sadoul
OS IRMÃOS MARX, ARTISTAS ORIGINÁRIOS DOS PALCOS
por Ely Azeredo
OS IRMÃOS MARX, GARANTIA DE HUMOR
por Roberto Rios
UMA SÁTIRA À SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
ELES RIAM DA SOCIEDADE BURGUESA
por Jonh Howard Lawson
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE OS IRMÃOS MARX
por Gaston Haustrate
EM FOCO: OS IRMÃOS MARX
por Ruy Castro
DE ARTISTAS DE VAUDEVILLE A CÔMICOS DE CINEMA
por Eduardo Souza Lima
COM OS IRMÃOS MARX, O CINEMA CÔMICO ENCONTRA SUA MELHOR TRADIÇÃO
por Angel Zúñiga
SÓ A IRRUPÇÃO DOS IRMÃOS MARX MANTEVE A EFICÁCIA DO CINEMA CÔMICO
por Angel Zúñiga
O DIABO A QUATRO, O FILME MAIS INSPIRADO DOS IRMÃOS MARX
por Salvyano Cavalcanti de Paiva
O DIABO A QUATRO, UMA COMÉDIA ESTONTEANTE
por Georges Sadoul
“PELA PRIMEIRA VEZ, ELES SENTIAM QUE ESTAVAM SENDO DIRIGIDOS”
por Olivier-René Veillon
O QUE EU PENSO DOS IRMÃOS MARX E DE O DIABO A QUATRO
por Leo McCarey
“UMA GAG MUITO INTERESSANTE”
por Henri Agel
A MELHOR FASE DOS IRMÃOS MARX
por Alex Viany
UMA NOITE NA ÓPERA
por Pauline Kael

UM FILME,
UMA CRÍTICA

por Cintra Ferreira

UMA NOITE NA ÓPERA


Falar sobre os Irmãos Marx é, obrigatoriamente, falar sobre o cinema cômico americano.
UM JANTAR COM DRIFTWOOD
(excerto do roteiro de
Uma Noite na Ópera)
por George S. Kaufman & Morrie Ryskind
O CANTO DE CISNE DOS IRMÃOS MARX
por Sérgio Augusto
MUITAS CENAS ERAM MAIS APROPRIADAS PARA ACROBATAS
por Groucho Marx
LOUCOS DE AMOR
ELA TRABALHOU NUM FILME DOS IRMÃOS MARX
por George Carpozi Jr.
UMA CENA CLÁSSICA
por Norman Mailer
DEIXANDO GROUCHO MARX EM CHAMAS
por Anthony Summers
FILMOGRAFIA DOS IRMÃOS MARX
por Marco Aurélio Lucchetti
OS ABSURDOS DE GROUCHO E CHICO MARX CHEGAM AO RÁDIO
artigo de Marco Aurélio Lucchetti
CERTO DIA NO ESCRITÓRIO DE ADVOCAIA DE FLYWHEEL, SHYSTER E FLYWHEEL...
(excerto do roteiro do primeiro episódio de
Flywheel, Shyster, and Flywheel)
por Nat Perrin & Arthur Sheekman
ZUMBIS MADE IN FRANÇA
artigo de Marco Aurélio Lucchetti
AS MUSAS DO CINEMA
Nascida em 29 de julho de 1906, em Lawrence, no estado norte-americano de Massachusetts, Thelma Todd iniciou sua carreira de atriz na época do cinema mudo, trabalhou em mais de cem filmes (dentre esses filmes, destacamos Os Quatro Batutas e Os Gênios da Pelota, com os Irmãos Marx) e faleceu em 16 de dezembro de 1935 .
 
SUPLEMENTO
ROSAS VERMELHAS PARA UMA DAMA TRISTE
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
O MUSEU DOS HORRORES
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
DALILA
por Rubens Francisco Lucchetti
O LAGO
um conto de R. F. Lucchetti
A REVISTA O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO, UM FENÔMENO EDITORIAL
por Rubens Francisco Lucchetti
AS PULPS E EU
por Rubens Francisco Lucchetti