Ano 5 - nº 16 - maio/agosto de 2013

O QUE DISSERAM SOBRE O FILME O REPOUSO DO GUERREIRO



Brigitte Bardot: (Na época em que O Repouso do Guerreiro foi realizado,) eu anunciei: “Este é o meu último filme.” Para a Cinémonde, eu falei, bem devagar: “Minha decisão é ir-re-vo-gá-vel. Após O Repouso do Guerreiro, o repouso de Brigitte. Por quê? Porque não achei bom nenhum dos roteiros que li recentemente... E, mesmo que tivesse achado, não aceitaria trabalhar na fita. São dez anos que tenho filmado sem descanso. Preciso, portanto, de umas férias.”

Roger Vadim: (...) o que me interessa no relacionamento entre um homem e uma mulher é sua linguagem. E Deus Criou a Mulher é a linguagem de uma garota; Aconteceu em Veneza, a linguagem dos rapazes; O Repouso do Guerreiro é a linguagem de um casal.

Jean de Baroncelli: (O Repouso do Guerreiro) é um filme de atores, ou mais exatamente, é o filme de dois atores (Brigitte Bardot e Robert Hossein) que formam um casal – casal bizarro, heteróclito (...).

T. G. Novais: O filme é baseado no romance homônimo de Cristiane Rochefort. Publicado em 1958, o livro narra, em estilo vivo, realista, direto, a história de Geneviève Le Thiel, estudante imbuída de laços humanitários, que salva do suicídio um homem aniquilado e alcoólatra inveterado, Renaud. Geneviève termina por se apaixonar por esse indivíduo, quebrando todos os laços que a prendiam à sociedade.

Brigitte Bardot: Não gostei muito do filme. Encarnei mal Geneviève, a pequena burguesa que se aviltava pelos belos olhos de Renaud.

Silveira Netto: Poucos papéis foram tão fascinantes para BB como  o de Geneviève, personagem criada magistralmente (...) por Christiane Rochefort (...). Geneviève e Renaud formam uma espécie de Romeu e Julieta às avessas, vivendo uma extravagante história de amor – tão escandalosa e escabrosa quanto pungente e constrangedora. Poucas vezes um livro elevou um drama de amor a tal violência erótica e carnal. Os vícios da burguesia francesa, as leviandades, as loucuras, as artimanhas mais incríveis no plano amoroso são conduzidos às últimas conseqüências na obra da escritora. Geneviève passeia pela história entregue ao prazer, ao mesmo tempo em que sente todas as frustrações. Ela se submete a todos os vexames para o prazer do homem a quem venera. O livro, quando publicado na França causou grande sensação. (...) Roger Vadim sabia perfeitamente que ninguém melhor do que BB poderia encarnar a figura de Geneviève.



QUEM É QUEM

Brigitte Bardot – atriz francesa
Jean de Baroncelli – crítico cinematográfico francês
Roger Vadim (1928-2000) – cineasta francês
Silveira Netto – jornalista brasileiro
T. G. Novais (1927-2008) – jornalista, escritor e tradutor nascido no Brasil