Ano 5 - nº 16 - maio/agosto de 2013

A FILHA DE JEFTÉ
Rubens Francisco Lucchetti



Jefté fez uma promessa a Javé:
– Se entregares os amonitas em meu poder... Então, quando eu voltar vitorioso da guerra contra eles, a primeira pessoa que sair da porta da minha casa, para me receber, pertencerá a Javé; e eu a oferecerei em holocausto.
Jefté partiu para guerrear contra os amonitas e, depois de derrotá-los, voltou para a sua casa em Mispá. E foi justamente sua filha quem saiu para recebê-lo, dançando ao som de tambores. Era sua filha única, pois Jefté não tinha outros  filhos ou filhas.
Logo que viu a filha, Jefté rasgou as vestes e gritou:
– Ai, minha filha, como sou infeliz! Você é a minha desgraça, porque eu fiz uma promessa a Javé e não posso voltar atrás.
– Pai, se você fez promessa a Javé, cumpra o que prometeu, porque Javé concedeu a você vingar-se dos inimigos – disse ela. – Conceda-me apenas isto: deixe-me andar dois meses pelos montes, chorando com minhas amigas, porque vou morrer virgem.
Jefté deixou-a andar por dois meses pelos montes e chorar, com suas amigas, porque ia morrer virgem. Dois meses depois, ela voltou para casa; e seu pai cumpriu a promessa feita.

 

Rubens Francisco Lucchetti é ficcionista e roteirista de Cinema e Quadrinhos

 

Este texto foi transcrito do livro (inédito) Sagradas e Profanas