Ano 5 - nº 15 - janeiro/abril de 2013

OS FANTASMAS DE PSICOSE



Passaram-se mais de 35 anos desde que Janet Leigh viu a si mesma no papel de Marion Crane, em Psicose, o clássico filme de Alfred Hitchcock. Depois de assistir à famosa cena do chuveiro, no qual é apunhalada várias vezes, a atriz foi tomada de terror profundo e duradouro.
“Parei de tomar banho de chuveiro, desde então”, informa ela. “Agora, só tomo banho de banheira.”
Realmente, quando a atriz vai a algum hotel ou hospeda-se em casa de amigo onde só há chuveiro, entra em pânico. “Procuro ter certeza de que as portas e janelas estão fechadas”, explica. “Deixo a cortina do boxe aberta e fico o tempo todo virada para o lado da porta do banheiro, não importando o lado que o chuveiro esteja.”
O impacto do filme sobre Janet Leigh pode parecer exagerado, mas é compreensível. E ela afirma que não é a única a se sentir desse modo. Psicose é um dos filmes mais apavorantes já produzidos, uma película que mudou os padrões dos filmes de Horror e Suspense.
Janet Leigh, de 67 anos, que foi estrela de primeira grandeza nas décadas de 50 e 60, oferece uma visão reveladora do filme no livro Psycho: Behind the Scenes of the Classic Thriller, a ser lançado este mês nos Estados Unidos. Christopher Nickens é o co-autor da obra.
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A atriz lembra que, apesar de existirem vários livros sobre Hitchcock e sobre o filme Psicose, nenhum deles foi escrito por alguém “de dentro”, que tivesse participado da criação da fita. Por outro lado, o filme teve impacto negativo – talvez até destrutivo – sobre a carreira de Anthony Perkins, que fez o papel de Norman Bates, o assassino. O ator, que morreu em 1992, sentiu que a sombra de  Bates dominou sua vida, declara a atriz. Para escrever o livro, Janet Leigh entrevistou a viúva de Perkins, a modelo Berry Berenson, seus filhos e amigos.
Depois de afirmar que Perkins era um ator capaz de fazer qualquer papel, Janet Leigh diz que, ao voltar da Europa, onde trabalhou em filmes com Ingrid Bergman e Sophia Loren, entre outras atrizes, ele fez três seqüências de Psicose. “A essa altura”, ressalta Janet Leigh, “ele estava totalmente identificado com Bates.”



Este texto foi transcrito do Jornal da Tarde (São Paulo, 9 de maio de 1995, SP, p. 7A)