Ano 4 - nº 14 - outubro/dezembro de 2012

MIRZA A MULHER VAMPIRO
Marco Aurélio Lucchetti



De acordo com o que está narrado na história “A Maldição de Mirela Zamanova”, a origem de Mirza é a seguinte: muitos e muitos anos atrás (possivelmente no final do século 19), numa noite de tempestade, num castelo nas proximidades de Cracóvia, na Polônia, nasceu Mirela, a sétima filha do duque Zamanova. Após esse nascimento, uma maldição pareceu abater-se sobre os habitantes do castelo. Então, um a um, os membros da família do duque começaram a morrer: primeiro, a esposa, que faleceu ao dar à luz Mirela; em seguida, Waleska, a primogênita, que morreu transformada em uma verdadeira tocha, quando, sem explicação alguma, seu vestido pegou fogo; depois, foi a vez de Olga, a mais frágil das filhas, vitimada por uma tuberculose galopante; e, por fim, Ivana e Tatiana, que morreram afogadas no regato que serpenteava entre o vale. Em poucos anos, só restavam o duque e três de suas filhas: Tamara, Samara e Mirela. Abalado pela seqüência de tragédias, o duque entregou-se ao vício da bebida. Não demorou muito, seus negócios foram à bancarrota; e ele ficou nas mãos de um inescrupuloso agiota, o conde Boris Silvenski, cujo maior desejo era possuir Mirela (nessa época, ela já havia crescido e tinha se transformado numa linda e sedutora adolescente). Algum tempo depois, Tamara casou-se e partiu com o marido, nunca mais regressando ao castelo. Samara pretendia fazer o mesmo, pois estava loucamente apaixonada por Tristão, o filho do preboste, e percebia os olhares de cobiça que ele lançava a Mirela. Certo dia, Tristão convidou sua namorada para um passeio a cavalo. Alegando não estar disposta, Samara falou que ele podia ir com Mirela. A princípio, Mirela também não queria ir; mas acabou aceitando o convite, de tanto que sua irmã e Tristão insistiram. Mais tarde, sob a sombra de uma frondosa árvore, à beira do regato, Tristão e Mirela aproveitaram para descansar e dar água aos cavalos. A seguir, tendo um plano diabólico em mente, Tristão ficou em trajes menores, entrou na água e convidou Mirela a fazer o mesmo. A jovem rejeitou a idéia, dizendo que não estava vestindo nenhuma roupa de banho. Tristão insistiu e terminou convencendo-a. Ela ficou nua e mergulhou nas águas do regato. De repente, Tristão tomou-a nos braços e beijou-a com paixão. Enojada, Mirela afastou-o, saiu rapidamente das águas e vestiu suas roupas. Foi, então, agarrada mais uma vez pelo rapaz, que queria um novo beijo. Nesse momento, Mirela transformou-se numa horrível vampiresa e cravou seus dentes na jugular de Tristão. Quando o rapaz já estava morto, uma voz surpreendeu Mirela. Era sua irmã, que os havia seguido. Enlouquecida e armada de um punhal, Samara investiu contra a assassina de seu namorado. Entretanto, foi facilmente vencida por Mirela, que ainda estava transformada numa vampiresa. Depois de matar a irmã, Mirela empurrou os dois cadáveres na direção da cachoeira e cavalgou para o castelo. Chegou a tempo de encontrar o pai em seus últimos momento de vida – a fim de resolver seus problemas financeiros, o duque Zamanova dera um tiro na cabeça. Durante o enterro do duque, o conde Silvenski advertiu Mirela de que ele era o proprietário do castelo em que ela morava. Duas semanas mais tarde, para espanto de todos, Mirela casou-se com o conde. O casamento durou poucas horas, uma vez que, na noite de núpcias, Mirela transformou-se novamente numa vampiresa e matou o marido. Alguns dias depois da morte do conde, Mirela informou uma empregada de que ia vender tudo que tinha e partir para bem longe. E assim fez. Desde então, ninguém nunca mais ouviu falar dela ou soube de seu paradeiro. Isso porque passou a chamar-se Mirza (esse nome é nome formado pelo Mir de Mirela e o za de Zamanova).



“Nas histórias em quadrinhos de Terror brasileiras já foram criados dezenas de personagens, mas foi sem sombra de dúvida da capacidade intelectiva de nossos criadores que surgiu um grande exército de beldades femininas, cheias de apetite por jugulares plenas de plasma e glóbulos vermelhos e brancos. (...) MIRZA, A MULHER VAMPIRO, pode ser a primeira vampiresa brasileira. Podemos ainda chegar mais longe e considerá-la ‘a namoradinha vampiro do Brasil’.”
Wagner Augusto




Mirza surgiu em 1966. Foi criada pelo desenhista italiano Eugênio Colonnese (filho de pai italiano e mãe brasileira, ele nasceu em Cosenza, no sul da Itália; aos dois anos de idade, mudou-se, com a família, para a Argentina; em 1949, iniciou sua carreira de quadrinhista, colaborando na famosa revista argentina El Tony, da Editorial Columba; e, em 1964, decidiu fixar residência no Brasil, onde viveu até sua morte, ocorrida, devido a um derrame cerebral, em 7 de agosto de 2008), a pedido do editor José Sidekerskis, proprietário da Jotaesse Editora, de São Paulo.



“(...) é com a irresistível vampiresa Mirza que Colonnese atinge o auge de sua evolução. A figura belíssima, (...) em desenhos de padrão internacional (...), compara-se às heroínas desenhadas por especialistas do mundo todo.”
Álvaro de Moya




“Ninguém elevou tanto o nível da plástica feminina, nos nossos gibis, como Colonnese. Com as curvas de Mirza, ele alcançou o pedestal de Jean-Claude Forest, Milo Manara, Esteban Maroto, Guido Crepax e outros mestres internacionais do Desenho.”
Franco de Rosa




Mirza tem longos cabelos escuros, um rosto muito bonito, olhos claros, lábios carnudos, um corpo escultural e pernas grossas. Já esteve em algumas das mais importantes cidades do mundo (Londres, Nova York, Rio de Janeiro, entre outras). Apresenta-se, às vezes, como modelo profissional. Chupa o sangue de homens e mulheres (ela é um pouco diferente de outros vampiros e vampiresas, já que a luz do sol não lhe faz algum). Conta sempre com o auxílio de seu fiel criado, o corcunda (para criar seu físico, Colonnese inspirou-se no Corcunda de Notre Dame, do romance de Victor Hugo) inglês Brooks (nas primeiras histórias, seu nome era Broks), um ex-antiquário que gosta de ler livros clássicos e histórias em quadrinhos. E sua primeira aventura foi publicada em 1967, no gibi Mirza a Mulher Vampiro.



“Mirza é essencialmente sensual. Suas curvas são uma marca registrada e a tornaram um ícone entre os personagens brasileiros.”
Worney Almeida de Souza




Segundo um levantamento feito pelo jornalista Worney Almeida de Souza, Mirza protagonizou 24 histórias:

“Mirza a Mulher Vampiro”, Mirza a Mulher Vampiro número 1, Jotaesse Editora, 1967
Roteiro: Luis Quevedoo (Luis Meri)
Desenhos: Eugênio Colonnese

“O Modêlo Fatal!”, Mirza a Mulher Vampiro número 2, Jotaesse Editora, 1967
Roteiro: Luis Quevedo
Desenhos: Eugênio Colonnese

“A Casa do Terror”, Mirza a Mulher Vampiro número 3, Jotaesse Editora, 1967
Roteiro: Luis Quevedo
Desenhos: Eugênio Colonnese

“Orgia das Aves!”, Mirza a Mulher Vampiro número 4, Jotaesse Editora, 1967
Roteiro: ?
Desenhos: Eugênio Colonnese

“Sangue na Neve!!!”, Mirza a Mulher Vampiro número 5, Jotaesse Editora, 1967
Roteiro: Luis Meri
Desenhos: Eugênio Colonnese

“Fim-de-Semana”, Mirza a Mulher Vampiro número 6, Jotaesse Editora, 1967
Roteiro: Luis Meri
Desenhos: Eugênio Colonnese

“Ilha Azul”, Mirza a Mulher Vampiro número 7, Jotaesse Editora, 1967
Roteiro e Desenhos: Eugênio Colonnese
Observação: De acordo com Colonnese, esta aventura de Mirza foi inspirada na história da vedete brasileira Luz del Fuego, assassinada em 1967.

“Aventura em Ipanema!”, Mirza a Mulher Vampiro número 8, Jotaesse Editora, 1967
Roteiro: Luis Meri
Desenhos: Eugênio Colonnese

“O Aniversário de Mirza!”, Mirza a Mulher Vampiro número 9, Jotaesse Editora, 1968
Roteiro: Luis Meri
Desenhos: Eugênio Colonnese

“Até Que a Morte nos Separe...”, Mirza a Mulher Vampiro número 10, Jotaesse Editora, 1968
Roteiro: Luis Meri
Desenhos: Eugênio Colonnese

“De Volta ao Mundo do Terror!”, Spektro número 23, Editora Vecchi, agosto de 1981
Roteiro: Basílio de Almeida
Desenhos: Eugênio Colonnese

“A Maldição de Mirela Zamanova”, Mestres do Terror número 3, Editora D-Arte, 1982
Roteiro: Osvaldo Talo
Desenhos: Eugênio Colonnese

“Orgia Maldita!”, Mestres do Terror número 7, Editora D-Arte, 1982
Roteiro: Osvaldo Talo
Desenhos: Eugênio Colonnese

“Perseguição Implacável!”, Mestres do Terror número 10, Editora D-Arte, 1982
Roteiro: Osvaldo Talo
Desenhos: Eugênio Colonnese

“A Garota da Capa”, Mestres do Terror número 12, Editora D-Arte, 1983
Roteiro: Osvaldo Talo
Desenhos: Eugênio Colonnese

“A Garota de Brooks”, Mestres do Terror número 15, Editora D-Arte, 1983
Roteiro: Osvaldo Talo
Desenhos: Eugênio Colonnese

“Enterrada Viva”, Mestres do Terror número 20, Editora D-Arte, 1983
Roteiro: Osvaldo Talo
Desenhos: Eugênio Colonnese

“O Colar de Esmeraldas”, Mestres do Terror número 25, Editora D-Arte, 1984
Roteiro: Osvaldo Talo
Desenhos: Eugênio Colonnese

“Dia Quente”, Mirza a Mulher Vampiro número 1, Press Editorial, maio de 1986
Roteiro e Desenhos: Eugênio Colonnese

“Chá para Duas”, Mirza a Mulher Vampiro número 2, Press Editorial, junho de 1987
Roteiro e Desenhos: Eugênio Colonnese

“Volte, Meu Amor...”, Mestres do Terror número 60, Editora D-Arte, 1992
Roteiro: Osvaldo Talo
Desenhos: Eugênio Colonnese

“Mirza 3000 A.D.”, Metal Pesado – Tudo em Quadrinhos número 1, Metal Pesado Editora, abril/maio de 1997
Roteiro: Eugênio Colonnese, a partir de uma idéia de Álvaro de Moya
Desenhos: Eugênio Colonnese

“A Noite dos Seqüestradores”, Coleção Opera Brasil número 8, Editora Opera Graphica, 2002
Roteiro: Franco de Rosa
Desenhos: Eugênio Colonnese

“Assunto Entre Vampiros”, Coleção Opera Brasil número 2, Editora Opera Graphica, 2002
Roteiro: Osvaldo Talo & Sidemar de Castro
Desenhos: Eugênio Colonnese



“Mirza é um ideal de mulher. E eu gosto tanto da Mirza que tenho ciúmes dela.”
Eugênio Colonnese