Ano 4 - nº 14 - outubro/dezembro de 2012

A CRIAÇÃO DE MIRZA
Eugênio Colonnese



Numa tarde (acho que era os últimos dias de verão) de 1967, o José Sidekerskis, da Jotaesse Editora, apareceu no Estúdio D-Arte, que pertencia a mim e ao Rodolfo Zalla. Era final do expediente; e fomos até a lanchonete no térreo do prédio, que ficava na Rua Beneficência Portuguesa, uma travessa da Avenida Ipiranga, no centro de São Paulo. Ali, o José pediu que eu criasse uma mulher vampiro.
No dia seguinte, surgiu a Mirza. O José adorou a personagem, e logo saiu o gibi dela. O nome Mirza foi uma variação de Mylar, um super-herói que eu havia criado para a Editora Taika e que fazia certo sucesso. Não parecia o nome de uma mulher, tanto que resolvi acrescentar no título “A Mulher Vampiro”. Hoje, se for feita uma pesquisa na lista telefônica, serão encontradas várias Mirzas; mas naquela época não existia.
Mirza teve sua personalidade definida conforme foi sendo desenhada. No começo não estava definido; porém, depois, direcionei o argumento para que ela fosse uma espécie de justiceira que, atuando em festas e eventos da alta sociedade, atacava gente perversa e maldosa.
A primeira aventura da Mirza não teve muita elaboração. Apenas comecei a desenhar algo que tinha de sair numa história inteira.
No Estúdio D-Arte, Luis Meri era nosso letrista. Ele fazia as letras de todas as minhas histórias e das histórias do Rodolfo Zalla; e, como sempre estava no estúdio, pedi-lhe que escrevesse alguns roteiros para a Mirza. Ele escrevia as histórias de acordo com as minhas orientações. Sempre conversávamos sobre os temas e o número de páginas das histórias.
Tenho saudades daquela época...

 

Este texto foi transcrito de Max Almanaque Mirza a Mulher Vampiro (São Paulo, Escala, 2002, pp. 249-250)