Ano 4 - nº 14 - outubro/dezembro de 2012

MEU AMIGO R. F. LUCCHETTI
Rafael Spaca



Meu primeiro contato com Rubens Francisco Lucchetti foi antes mesmo de assistir aos filmes que ele roteirizou. Certa vez, li uma matéria no jornal O Estado de S. Paulo falando sobre um senhor que não renunciava ao uso da máquina de escrever em seu ofício. A matéria era ilustrada com uma foto dele, tinha a informação do uso da máquina de escrever (chocante, pois estávamos iniciando um profundo processo de expansão tecnológica, com computadores ganhando cada vez mais adesão das classes populares) e contava em poucas linhas sobre sua paixão por Cinema, quadrinhos, histórias policiais e de Horror.
Desde então, aquele nome nunca mais saiu da minha cabeça.
Minha primeira ação foi ir atrás dos filmes que ele roteirizou. Veja bem, conheci R. F. Lucchetti antes mesmo de conhecer a filmografia de ícones como Zé do Caixão e Ivan Cardoso. Antes, não havia me interessado em assistir a esses filmes. Fui pelo Lucchetti, um iconoclasta, um provocador e, além de tudo, uma personalidade muito interessante.
Seus textos são de uma sofisticação ímpar. Os dois diretores são o que são porque foram parceiros deste genial roteirista.
Mojica, à época de completar setenta anos, recebeu uma bela homenagem do SESC. Montamos uma exposição que reproduzia um cemitério, exibimos seus filmes; e, naquela oportunidade, pude conhecer Lucchetti pessoalmente, quando foi lá dar um workshop. Lembro-me dele no ponto do ônibus com seu filho, Marco Aurélio, numa manhã fria, garoando, indo ao SESC. Lembro-me também do seu espanto e tristeza com a falta de informação e cultura dos jovens que estavam ali no workshop.
Daquela data em diante, fizemos amizade e nunca mais deixamos de conversar, seja por correspondência (aderi ao uso da carta), seja por telefone.
Em 2008, criei um blog sobre curta-metragem chamado Os Curtos Filmes (http://oscurtosfilmes.blogspot.com/), com o objetivo de debater o curta-metragem nacional. Mas resolvi fazer um adendo neste projeto: queria, de alguma forma, homenagear R. F. Lucchetti, contar sua história para o público do blog.
A partir daí, trocamos correspondências e, generosamente, Lucchetti disponibiliza um tesouro imensurável de textos e histórias que nos encanta e mostra o quão grande é sua obra e sua história.
Ressalto que a homenagem que realizo no blog não é por mera simpatia e amizade que tenho por ele. O que fiz, faço e pretendo fazer é uma justiça histórica.
R. F. Lucchetti paga por ter nascido no Brasil. Um profissional com uma imaginação igual à sua é raro encontrar por aí. Deveria ser cultuado, ouvido e requisitado. Mas não é o que acontece atualmente.
Este texto é para expressar o meu respeito e admiração pelo meu amigo.

 

Este texto foi escrito em São Paulo, em fevereiro de 2012

 

Rafael Spaca é radialista e autor do blog Os Curtos Filmes