Ano 4 - nº 14 - outubro/dezembro de 2012

HOMENAGENS E CITAÇÕES NO ROTEIRO DE O ESCORPIÃO ESCARLATE
Rubens Francisco Lucchetti



HOMENAGENS

GLÓRIA CAMPOS
O primeiro nome da principal figura feminina de O Escorpião Escarlate é uma homenagem a uma personagem dos Quadrinhos: Glória (Mary Perkins, no original), cujas histórias eu lia – por volta do começo da década de 1970 – no jornal O Estado de S. Paulo.
Com relação ao Campos, escolhi-o para homenagear duas pessoas: um escritor e uma cantora.
O escritor é Humberto de Campos, autor de dois livros que me marcaram muito na adolescência: O Monstro e Outros Contos e Sombras Que Sofrem.
A cantora... Lembro-me perfeitamente dela. Era alta, loura... Na verdade, não sei se era realmente alta e loura; porém, era assim que eu a imaginava, quando a ouvia pelo rádio. Chamava-se Iolanda Campos, e tinha uma voz envolvente – ao cantar, até parecia um rouxinol cantando. Ainda me lembro do dia em que ela se despediu dos ouvintes, para se casar. Mas existiu mesmo essa cantora? Ou é mais uma de minhas fantasias?


RITA MARA
O Rita é uma homenagem à estrela do filme A Dama de Shanghai: Rita Hayworth, a melhor intérprete de Carmen (a personagem criada pelo escritor francês Prosper Merimée e imortalizada numa ópera de Bizet) no Cinema.
E o Mara homenageia: Adele Mara, que trabalhou – nos anos 1940 – em diversos filmes da Republic e hoje é uma atriz pouco comentada; a radioatriz Mara Navarro, uma das primeiras mulheres a escrever novelas de rádio no Brasil; e a exuberante Mara Rúbia, uma das mais famosas vedetes do teatro de revista.

MAGGIE RAINES
Ao criar essa personagem, procurei homenagear Margo Lane, a atraente e corajosa namorada de Lamont Cranston nas histórias em texto, no programa de rádio, no Cinema e nas histórias em quadrinhos (desenhadas por Vernon Greene e Jack Binder, entre outros) d’O Sombra.
Para criá-la, inspirei-me naquela que é possivelmente a mais célebre e audaciosa repórter dos Quadrinhos: Lois Lane – nas histórias que eu li (histórias essas publicadas na revista O Globo Juvenil Mensal e realizadas pela dupla Jerry Siegel & Joe Shuster), ela vivia se metendo em encrencas e era sempre salva pelo Super-Homem.
E o sobrenome Raines é uma homenagem a Ella Raines, uma atriz que eu admiro (talvez eu a admire por achá-la um tanto exótica) desde o final da década de 1940, quando a vi em A Dama Fantasma, um filme Noir dirigido por Robert Siodmak e baseado num livro de William Irish (pseudônimo de Cornell Woolrich).

HÉLIO MONTEIRO FILHO
Com Hélio Monteiro Filho, procurei homenagear quatro pessoas (todas já falecidas) que, até hoje, infelizmente, não tiveram seus talentos devidamente reconhecidos: meu inesquecível amigo Hélio do Soveral, um escritor polivalente, que, além de escrever crônicas, críticas literárias, reportagens, histórias infantis, histórias para revistas pulp, esquetes radiofônicos, roteiros de filmes, programas de televisão, histórias em quadrinhos e inúmeros livros de bolso (esses livros foram publicados, em sua maioria, pelas editoras Monterrey e Tecnoprint, do Rio de Janeiro), foi o autor de dois importantes seriados radiofônicos, Aventuras de Lewis Durban (possivelmente um dos primeiros seriados policiais do rádio brasileiro) e Teatro de Mistério; Jeronymo Monteiro, criador do detetive Dick Peter (surgido no rádio, esse personagem protagonizou diversos livros e algumas histórias em quadrinhos) e um dos mais famosos escritores brasileiros de Ficção Científica (não posso deixar de citar que Jeronymo Monteiro foi, entre abril e novembro de 1970, diretor de redação do Magazine de Ficção Científica, a versão brasileira da prestigiosa revista norte-americana The Magazine of Fantasy and Science Fiction); o desenhista A. Monteiro Filho, realizador da história em quadrinhos Os Exploradores de Atlântida ou As Aventuras de Roberto Sorocaba (publicada em 1934 no Suplemento Juvenil, ela é a primeira história em quadrinhos de Aventura realizada no Brasil); e Herrera Filho, que, entre outras coisas, escreveu os scripts radiofônicos d’O Sombra.

PRA-7
Uma homenagem à Rádio Club de Ribeirão Preto, que era de propriedade do sr. José da Silva Bueno e onde tive oportunidade de escrever seriados de Mistério e de Aventura.

BLUE KING
Dei esse nome à empresa patrocinadora do seriado radiofônico d’O Morcego em homenagem às “legítimas lâminas Gillete Azul”, que patrocinavam as eletrizantes aventuras d’O Sombra no rádio.

O MORCEGO
Homenagem a O Sombra (The Shadow, no original), que, no grande universo das figuras mascaradas, conquistou uma enorme legião de fãs – o personagem tem uma personalidade tão marcante que chega a apaixonar até mesmo aqueles que não viveram na época de seu apogeu, as décadas de 1930 e 1940.
É também uma homenagem ao justiceiro Morcego Negro, cujas aventuras eu lia na revista X-9, de propriedade do sr. Roberto Marinho.

MONTE GRANT
O Monte é uma homenagem ao milionário Lamont Cranston, uma das identidades secretas d’O Sombra.
E o Grant homenageia o autor da maioria das histórias d’O Sombra, Maxwell Grant (pseudônimo de Walter B. Gibson).

COMISSÁRIO WATSON
É uma homenagem ao comissário Ralph Weston, das histórias d’O Sombra; e ao dr. Watson, companheiro de aventuras de Sherlock Holmes.

STEVE FISHER
Homenagem ao escritor de histórias de Detetive & Mistério e roteirista de Cinema Steve Fisher, criador de um garoto detetive, o engraxate Danny Garrett.
O Steve homenageia também um personagem dos Quadrinhos: o jornalista e aventureiro Steve Roper, cujas histórias, escritas por Allen Saunders e desenhadas por William Overgard, eu li durante quase duas décadas (1966-1978) no Jornal da Tarde, de São Paulo.

MADAME MING
No começo da década de 1940, meu pai comprava de vez em quando o Suplemento Juvenil, que saía três vezes por semana (1). Então, eu lia e relia esses exemplares – infelizmente, a maioria deles se perdeu, quando em 1945 minha família se mudou para Ribeirão Preto –; e uma das histórias em quadrinhos que eu mais gostava era Terry (Terry and the Pirates, no original), realizada por Milton Caniff. E eu gostava de Terry por duas razões: por elas se passarem na China, um país milenar e cheio de mistérios; e, sobretudo, por terem uma das mais sedutoras vilãs dos Quadrinhos, a astuciosa Madame Dragão (Dragon Lady, no original), cuja primeira aparição nas histórias ocorreu na página dominical de 6 de setembro de 1936.
Mas como Caniff, um mestre dos quadrinhos de Aventura, teve a ideia de criar Madame Dragão? Segundo algumas fontes, ele a criou depois de ler um recorte de jornal que falava a respeito de um mulher-pirata que existira realmente e que aterrorizara os mares da China na década de 1930. Com o passar dos anos, a personagem real ficou esquecida nos arquivos dos jornais, enquanto Madame Dragão tornava-se uma lenda. Uma prova disso é que, entre a Segunda Guerra Mundial e o final da Guerra do Vietnã, uma legião de soldados norte-americanos que fora mandada ao longíquo Oriente levava a esperança de conhecê-la e – ah, a imaginação masculina! – conquistá-la.
Então, lembrando-me da Madame Dragão, criei a sádica Madame Ming.
Para compor o tipo físico e a personalidade de Madame Ming, inspirei-me também numa personagem criada pelo escritor inglês Sax Rohmer (pseudônimo de Arthur Henry Sarsfield Ward). Essa personagem é Sumuru, que foi assim apresentada na capa de um de seus livros, A Madona Sinistra (2): “Ela atrai as mulheres e escraviza os homens. É a mais fascinante e perigosa mulher que surgiu no mundo do crime.”
Houve ainda outra inspiradora de Madame Ming: uma oriental que vi quando voltava certa vez da Editora Taika.
Era um triste fim de tarde de 1970 – nessa época, a Taika estava instalada no número 70 da Rua Espírita, no bairro do Cambuci, em São Paulo. Uma chuva miúda caía persistentemente, e um vento frio começava a soprar. Eu andava, com passo apressado, pela Avenida Liberdade e ia em direção ao Parque D. Pedro II, onde pegaria o ônibus para casa. Às vezes, minha intenção era atraída pelas luzes coloridas dos estabelecimentos comerciais, cujos donos eram, em sua maioria, de origem oriental. De vez em quando, próximo às portas das lojas, que vendiam principalmente produtos vindos da Ásia, havia pilhas e pilhas de revistas japonesas... Essas revistas tinham quase sempre mais de duzentas páginas e chamavam minha atenção porque eram de Cinema ou de histórias em quadrinhos (mangás). De repente, meu caminho cruzou com o de uma mulher alta, magra (na verdade, eu diria que era uma falsa magra) e de traços nitidamente orientais (talvez até fosse chinesa legítima). Tinha uma beleza invulgar e um ar que misturava mistério e sensualidade. Seus cabelos eram longos e escuros; seus lábios, carnudos e excessivamente vermelhos; sua tez, bem branca. Usava um elegante traje de noite (pelo que me lembro, seu vestido, todo negro e muito justo, chegava à altura dos tornozelos e tinha uma ampla abertura dos lados que deixava entrever boa parte de suas bem torneadas pernas). E seus pés pareciam deslizar pela calçada molhada. Ela me olhou (recordo-me perfeitamente de seus olhos, que prometiam todos os encantos e segredos do Oriente) fixamente e deu um leve sorriso. Aquilo me desconcertou um pouco. Desviei o olhar; e, quando olhei de novo em sua direção, não a vi mais. Desaparecera nas sombras da noite que começavam a cobrir São Paulo. Fiquei alguns segundos parado no mesmo lugar. Então, perguntei-me: quem poderia ser aquela mulher, de onde ela teria saído e para onde teria ido? Depois, lembrei-me de um texto de Bede (3), que havia lido muitos anos antes no livro A Quadragésima Porta, de José Geraldo Vieira.
Quanto ao nome Ming, ele é uma homenagem ao principal inimigo de Flash Gordon: o cruel Ming, ditador do planeta Mongo.

HOP-FROG
Homenagem ao personagem principal – um bobo da corte anão e coxo – de “Hop-Frog”, impressionante conto escrito por Edgar Allan Poe e publicado em 1849.

AYRTON CARDONA
O Cardona é uma homenagem ao inspetor Joe Cardona, das histórias d’O Sombra.

CARLOS MACHADO
Colocar Carlos Machado como um dos personagens d’O Escorpião Escarlate foi minha modesta homenagem ao maior show-businessman que o Brasil já teve.

NIGHT AND DAY
Se homenageei Carlos Machado, merecidamente conhecido como o “Rei da Noite” carioca, é lógico que eu tinha de homenagear o Night and Day.
Apresentando shows produzidos por Carlos Machado, Night and Day foi, na década de 1950, a mais importante casa noturna do Rio de Janeiro, não só por seus espetáculos, mas também por sua localização estratégica: ficava em frente ao Senado e funcionava no segundo andar do Hotel Serrador, onde discutiam, planejavam, conspiravam e amavam os políticos da capital federal.

CHANDU
Dei esse nome a uma das pulgas amestradas de Hélio Monteiro Filho em homenagem ao mágico Chandu (4), protagonista de um filme, Chandu the Magician (1932), e de um seriado cinematográfico, The Return of Chandu (1934).

PING-PONG
É uma homenagem ao mais célebre gorila do Cinema: o gigantesco King Kong, criado pelo produtor cinematográfico Merian C. Cooper e o escritor de histórias policiais Edgar Wallace.

OTACÍLIO
Homenagem ao meu amigo Otacílio d’Assunção Barros, que, entre 1977 e 1981, quando era editor de gibis da Editora Vecchi, fez um excelente trabalho em prol do quadrinho nacional, publicando (sobretudo nas revistas Chet, Spektro, Histórias do Além, Pesadelo e Sobrenatural) histórias em quadrinhos realizadas por roteiristas e desenhistas brasileiros.



CITAÇÕES

RÁDIO MUNDO (sequência 3)
É a rádio em que trabalham os repórteres Míriam e Cláudio, personagens de O Segredo da Múmia, filme que deu início à minha parceria com o diretor Ivan Cardoso.

O NAPOLEÃO DO CRIME (sequência 7)
Essas mesmas palavras foram usadas por Sherlock Holmes, no conto “O Problema Final”, para designar seu mais terrível inimigo: o prof. Moriarty.

HÉLIO REGENDO O “BOLERO”, DE RAVEL (sequência 13)
Produzido pela Atlântida e dirigido por Watson Macedo, Carnaval no Fogo – segundo o jornalista e crítico Sérgio Augusto, em seu livro Este Mundo É um Pandeiro (São Paulo, Companhia das Letras, 1989, p. 15), esse filme é reconhecido “como a chanchada-modelo” – tem uma sequência realmente antológica: a do Oscarito (um dos maiores atores cômicos que este país já teve) segurando uma batuta e fingindo reger uma orquestra sinfônica.
Por volta de 1960, numa das sessões do Clube de Cinema de Ribeirão Preto, eu assisti a uma paródia do célebre  O Demônio da Argélia (Pépé le Moko, no original): Totò le Mokò (esse filme foi dirigido por Carlo Ludovico Bragaglia e roteirizado por Vittorio Metz, Furio Scarpelli e Alessandro Continenza), no qual há uma cena que mostra o cômico Totò sonhando reger uma orquestra.
Ao colocar o Hélio fingindo reger o “Bolero”, de Ravel fiz uma citação a essas duas sequências.
O fato curioso é que Carnaval no Fogo e Totò le Mokò foram produzidos no mesmo ano: 1949.

RITA MARA USANDO UM VESTIDO PRETO E TIRANDO AS LUVAS (sequência 13)
Referência a uma das mais famosas cenas do filme Gilda (5): a cena em que, usando um sensual vestido (sem alças) de cetim preto e cantando “Put the Blame on Mame” (canção composta por Doris Fisher & Allan Roberts), Gilda (Rita Hayworth) tira uma luva, também de cetim preto, e atira-a à plateia do cassino de seu marido.

GRANDE PEDRA DE TOM AVERMELHADO E FORMA OVAL NO DEDO D’O MORCEGO (sequência 18)
Referência ao anel de opala usado por O Sombra.

PÔSTER SEXY DE RITA MARA (sequência 26)
Referência ao cartaz de Gilda.

POLICIAL EM REVISTA (sequência 26)
Revista pulp publicada entre 1939 e 1954.

ELEMENTAR, MEU CARO WATSON (sequência 26)
Frase atribuída a Sherlock Holmes. Mas não há registro dela em nenhuma das histórias escritas por Conan Doyle.

REVISTA DO RÁDIO (sequência 76)
Dirigida por Anselmo Domingos e publicada semanalmente, era nos anos 1950 a mais completa – e, na minha opinião, confiável – revista brasileira sobre o mundo do rádio.

ELAINE STEWART (sequência 76)
Atriz hollywoodiana. Recordo que ela veio passar o carnaval de 1955 no Rio de Janeiro e acabou internada num hospital, por causa de uma apendicite aguda. Ficou no Rio muitos meses e teve um romance com o colunista social Ibrahim Sued.

RADIOLÂNDIA (sequência 82)
Revista semanal publicada pela Rio Gráfica e Editora. Era a concorrente direta da Revista do Rádio.

ISMÊNIA DOS SANTOS (sequência 86)
Fez parte do elenco da Rádio Nacional; foi locutora, radioatriz [interpretou a Margo Lane (6)] e produtora de programas femininos e infantis.

PACHECO (sequência 89)
Referência ao inspetor Pacheco, personagem do filme As Sete Vampiras, que foi roteirizado por mim e dirigido pelo Ivan Cardoso.

VIRGÍNIA LANE (sequência 93)
Estrela maior do teatro de revista nas décadas de 1940 e 1950. Ela também brilhou nas telas cinematográficas, trabalhando em diversos filmes – em sua maioria, chanchadas (Tudo Azul, É Fogo na Roupa, Está com Tudo, O Petróleo É Nosso e muitas outras) –, dentre os quais se destaca o drama Anjo do Lodo (7), uma adaptação do romance Lucíola, de José de Alencar.

DJENANE (sequência 93)
No momento em que comecei a escrever as sequências em que Hélio Monteiro Filho, Rita Mara e Alfredo Máximo estão no Night and Day, pensei em colocar Carlos Machado fazendo uma referência ao seriado d’O Morcego. Porém, logo concluí que isso ficaria falso, uma vez que um homem tão ocupado como ele não teria tempo de ouvir seriados de rádio. Então, depois de pensar um pouco, resolvi o problema: Carlos Machado poderia fazer uma referência ao seriado, dizendo que ele era ouvido assiduamente por sua filha, Djenane.
Na época em que se passa a história d’O Escorpião Escarlate, Djenane Machado era uma menina. Mais tarde, no final dos anos 1960, ela tornou-se atriz. A partir daí, trabalhou em telenovelas (Rosa Rebelde, Véu de Noiva, O Cafona, Espelho Mágico, Ciranda de Pedra, entre outras) e filmes (A Penúltima Donzela, As Alegres Vigaristas, Sábado Alucinante e tantos outros); e, em 1973, estrelou Hip! Hip! Rio! (8), um show idealizado e montado por seu pai.

ORSON WELLES (sequência 98)
Um dos maiores – talvez até o maior – gênio do Cinema, Orson Welles foi roteirista, diretor e principal ator de alguns filmes que são verdadeiras obras-primas (Cidadão Kane, A Dama de Shanghai e A Marca da Maldade, entre outros).
Orson Welles foi também um dos gênios do rádio, criando em 1938 para a CBS e suas afiliadas o programa The Mercury Theatre on the Air (9), que a cada semana apresentava uma adaptação de uma obra literária famosa.

A GUERRA DOS MUNDOS (sequência 98)
Referência àquele que talvez seja o mais célebre programa de rádio que já foi ao ar: a transmissão radiofônica da adaptação feita pelo roteirista Howard Koch do livro A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells. E esse programa, que foi transmitido na noite de 30 de outubro de 1938 pela CBS e suas estações afiliadas, ficou famoso porque levou o pânico de costa a costa dos Estados Unidos (naquela noite, devido ao extremo realismo com que Orson Welles e a equipe do Mercury Theatre representaram seus personagens, a população norte-americana pensou que a Terra estava sendo invadida realmente por marcianos).

FU-MANCHU (sequência 137)
Sem dúvida alguma, o maior vilão da literatura de Detetive & Mistério. Foi criado por Sax Rohmer na história “The Zayat Kiss” (10) e apareceu em mais de dez livros.

O CRUZEIRO (sequência 171)
Publicada semanalmente, O Cruzeiro, cujo primeiro número chegou às bancas de jornal em 10 de novembro de 1928, era na década de 1950 a revista de maior vendagem no país (em 1957, tinha uma tiragem de 620 mil exemplares).



NOTAS (escritas por Marco Aurélio Lucchetti):

(1) Dirigido pelo saudoso Adolfo Aizen (1907-1991) e publicado pelo Grande Consórcio Suplementos Nacionais, o tabloide Suplemento Juvenil saía às terças, quintas e sábados.

(2) Além de A Madona Sinistra (Sinister Madonna, 1956), Sumuru apareceu em outros quatro livros: Sumuru: Escravizadora de Homens (Nude in Mink, 1950), O Signo da Serpente (Sumuru, 1951), A Deusa do Fogo (The Fire Goddess, 1952) e A Volta de Sumuru (The Return of Sumuru, 1954), lançados em nosso país pelas Edições de Ouro.

(3) Transcrito de um livro póstumo de monsenhor Duchesne, esse texto diz o seguinte: “Rei, nas noites de inverno, quando diante duma grande lareira tu e teus companheiros estais amesendados, acontece, às vezes, que um grande pássaro entra por uma abertura, esvoaça sobre a mesa e sai pela outra extremidade. Um momento ele fica na luz e no calor; mas, antes de entrar, onde estava? E quando saiu, na noite e na tempestade, para onde foi?”

(4) Criado num seriado de rádio – seriado esse escrito por Harry A. Earnshaw, Vera M. Oldham & R. R. Morgan –, Chandu foi interpretado no Cinema por Edmund Lowe e Bela Lugosi.

(5) Gilda, um dos maiores sucessos da carreira de Rita Hayyworth, foi dirigido por Charles Vidor e estreou nos cinemas norte-americanos em 1946.

(6) Margo Lane também foi interpretada por Yara Salles.

(7) Dirigido por Luiz de Barros, esse filme estreou nos cinemas do Rio de Janeiro e de São Paulo em 1951 e deu oportunidade a Virgínia Lane de viver pela primeira vez um papel dramático e aparecer – numa cena ousadíssima para a época – completamente nua em cima de uma mesa.

(8) Esse show, cuja estréia ocorreu em 18 de abril de 1973, marcou a volta de Carlos Machado ao Night and Day, após um afastamento de vários anos.

(9) A direção, produção e narração do programa era feita pelo próprio Orson Welles .

(10) Essa história foi publicada no número de outubro de 1912 da revista The Story Teller e, em 1913, transformou-se no terceiro capítulo do primeiro livro de Fu-Manchu, O Mistério do Dr. Fu-Manchu (The Mystery of Dr. Fu Manchu).