Ano 4 - nº 14 - outubro/dezembro de 2012

FILMOGRAFIA DE RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI
Marco Aurélio Lucchetti



FILMES EXPERIMENTAIS
(realizados em colaboração com o artista plástico Bassano Vaccarini)

ABSTRAÇÕES – ESTUDOS 1, 2, 3 e 4 (1960)
Uma sinfonia de cores (desenhadas diretamente sobre película 16 mm) em movimento
Sonoplastia: Milton Rodrigues
Tempo de projeção: 17'
Observação: No VIII Concurso de Orientação Cinematográfica, realizado em abril de 1961 pelo Foto-Cine Bandeirante de São Paulo, este filme obteve o primeiro prêmio na categoria Fantasia.

FANTASMAGORIAS (1960, inacabado)
Animação de uma pintura de motivos fantásticos
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia: Tony Miyasaka
Película: Agfa preto e branco 16 mm
Música: Mussourgsky (“Uma Noite no Monte Calvo”)
Observação: Com este filme, Lucchetti e Vaccarini pretendiam homenagear um dos pioneiros do Cinema de Animação, o francês Émile Cohl (1857-1938).

ESTUDO 5 (1960-1961)
Uma rapsódia de cores (desenhadas diretamente sobre película 16 mm) em movimento
Sonoplastia: Milton Rodrigues
Tempo de projeção: 6'

COSMOS (1961)
Fantasia abstrata sobre a formação do Cosmo
Fotografia: Tony Miyasaka
Película: Agfacolor 16 mm
Sonoplastia: Milton Rodrigues
Tempo de projeção: 5'

TOURBILLON (1961)
Fantasia com movimentação de vidrilhos, miçangas e chenile
Fotografia: Waldemar Fantini
Película: Kodacolor 16 mm
Sonoplastia: Milton Rodrigues
Tempo de projeção: 3'
Observação: No I Festival do Filme Brasileiro de Curta-Metragem, realizado em fevereiro de 1965 em Salvador, este filme, além de uma quantia – Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros)  – dada pelo Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) e nunca recebida por Lucchetti e Vaccarini, ganhou do Conselho Nacional de Cineclubes o prêmio Fotograma de Ouro na Categoria Experimental.

A SOMBRA (1961, inacabado)
Animação de três pinturas inspiradas no conto “A Sombra”, de Edgar Allan Poe
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti, baseando-se no conto de Poe
Desenhos: José Guilherme Paiva
Fotografia: Waldemar Fantini
Película: Agfa preto e branco 16 mm
Sonoplastia: Milton Rodrigues
Narração: Paulo Bonetti

VÔO CÓSMICO (1961)
Uma homenagem em cores (desenhadas diretamente sobre película 16 mm) ao primeiro homem que realizou um voo espacial: o astronauta soviético Yuri Gagárin
Sonoplastia: Milton Rodrigues
Tempo de projeção: 3'

RINOCERONTES (1961)
Fantasia em cores (desenhadas diretamente sobre película 16 mm), realizada para o terceiro ato da peça O Rinoceronte, do dramaturgo francês Eugène Ionesco
Efeitos sonoros: Jean-Louis Barrault
Tempo de projeção: 1 minuto e meio
Observação: Este filme foi feito a pedido da atriz Cacilda Becker (1921-1969), que era amiga de Vaccarini.

VIAGEM À LUA (1962)
Animação tendo como tema a viagem de um foguete pelo espaço e sua chegada à Lua
Fotografia: Tony Miyasaka
Película: Kodacolor 16 mm
Tempo de projeção: 4'
Observações:
1 – Este filme mistura colagens e efeitos desenhados diretamente sobre a película;
2 – Para representar as crateras da Lua, foi utilizado doce de banana fervendo.

CATEDRALLE (1962)
Animação dinâmica em claro-escuro de formas que nos sugerem as catedrais seculares
Fotografia: Tony Miyasaka
Película: Agfa preto e branco 16 mm
Sonoplastia: Milton Rodrigues
Música: Johann Sebastian Bach
Tempo de projeção: 3'

ARABESCOS (1962)
Formas geométricas e arabescos (desenhados em cores diretamente sobre película 16 mm) em movimento
Sonoplastia: Milton Rodrigues
Película: Agfacolor
Tempo de projeção: 3'

VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA DE MIRÓ (1962)
Animação de colagens inspiradas em pinturas do artista plástico espanhol Joan Miró
Fotografia: Tony Miyasaka
Película: Kodacolor 16 mm
Sonoplastia: Milton Rodrigues
Tempo de projeção: 3'

PAINEL ABSTRATO (1962)
Fantasia em cores (desenhadas diretamente sobre película 16 mm), mostrando o nascimento de um quadro abstrato
Película: Agfacolor
Sonoplastia: Milton Rodrigues
Tempo de projeção: 3'

PLANIFICAÇÃO (1962, inacabado)
Filme para uso didático, mostrando todos os planos cinematográficos e todos os movimentos de uma câmera
Observação: Neste filme, foram utilizados trechos da fita O Proscrito (The Outlaw, 1943), de Howard Hughes (1905-1976).

IMAGENS (1962, inacabado)
Calidoscópio de imagens em preto e branco e colorizadas quadro a quadro
Fotografia: Tony Miyasaka
Película: Agfa
Observação: Lucchetti nem se lembrava da existência deste filme, que lhe foi devolvido, em maio de 2012, pelo jornalista Luiz Cláudio do Nascimento, mais conhecido como Geteó.



FILMES COM ENREDO

“PESADELO MACABRO” (1967-1968, episódio do filme Trilogia de Terror)
Produção: Antônio Polo Galante & Renato Grecchi
(PNF – Produtora Nacional de Filmes, Produções Cinematográficas Galasy Ltda. e Cia. Cinematográfica Franco- Brasileira)
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti (não-creditado)
Fotografia (preto e branco): Giorgio Attili
Montagem: Sylvio Renoldi
Música: Damiano Cozzella
Elenco: Mário Lima, Vany Miller, Nelson Gasparini, Ingrid Holt, Walter Portella, Kátia Dumont, Francis Mary, Milene Drumond, Sebastião Grandin, Paula Ramos
Tempo de projeção: 31'
Lançamento: 22 de abril de 1968 (Rio de Janeiro), 10 de junho de 1968 (São Paulo)
Sinopse: Cláudio tem premonições de que um dia será sepultado vivo. Para se livrar dessa obsessão, recorre à feitiçaria. Uma noite, num bosque, Cláudio e sua noiva são atacados por marginais. Ao ver a moça ser estuprada, o rapaz sofre um ataque cataléptico. Dado como morto, ele é enterrado vivo; e, então, sua obsessão torna-se realidade.
Observação: Em “Pesadelo Macabro” foi utilizado o script do primeiro episódio da série de TV Além, Muito Além do Além.
Crítica: “‘Pesadelo Macabro’ é um pastiche ou um kitsch do filme The Premature Burial (no Brasil recebeu o título de Obsessão Macabra), realizado por Roger Corman e baseado num conto de Edgar Allan Poe. A premonição se situa no terreno da quase vulgaridade em que o gênero tem sido ultimamente tratado. A visão gótica de Marins, existente em Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, dilui-se num grotesco primário, já dentro de um esquema de primitivismo bastante trabalhado e, portanto, caricatural.”
Jaime Rodrigues (Guia de Filmes número 14, Rio de Janeiro, INC, março/abril de 1968)

O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO (1967-1968)
Produção: José Mojica Marins & George Michel Serkeis (Produtora e Distribuidora Cinematográfica Ibéria Ltda.)
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia (preto e branco): Giorgio Attili
Montagem: Eduardo Llorente
Música (cantada por Edson Lopes & Titulares do Ritmo): José Mojica Marins
Tempo de projeção: 80'
Lançamento: 25 de novembro de 1968 (São Paulo)
Este filme é dividido em três episódios:
“O FABRICANTE DE BONECAS”
Elenco: Vany Miller, Verônica Krimann, Paula Ramos, Esmeralda Ruchel, Luís Sérgio Person, Mário Lima, Rosalvo Caçador, Toni Cardi, Messias de Melo, Leila de Oliveira
Sinopse: Vasco, um velho que se dedica à fabricação manual de bonecas afamadas pela beleza dos olhos, tem quatro lindas filhas. Corre o boato de que ele possui dinheiro escondido. Certa noite, quatro desordeiros invadem a sua casa, tentam roubá-lo e aproveitar-se das jovens. Porém, Vasco domina os marginais. No final, é revelado o segredo de suas bonecas: ele usa olhos humanos!
Crítica: “A idéia de utilizar os olhos humanos como forma de castigo parte provalvemente do conto ‘O Homem da Areia’, de E. T. A. Hoffmann (1776-1822), com seu Coppelius. O roteiro desta primeira história é obra de Rubens F. Lucchetti, o mais famoso roteirista brasileiro de histórias em quadrinhos fantásticas e um grande conhecedor desta arte. Autor dos três episódios desta película, Lucchetti inicia assim sua colaboração com Marins, passando a partir de então a ser  seu autor exclusivo, assessor de imprensa e divulgador. Destaca-se a montagem da cena na boate, o tratamento pornográfico da orgia (com cenas debaixo dos lençóis, como as de Roger Vadim em Aconteceu em Veneza) e a brutalidade das sequências finais.”
Luis Gasca (Terror Fantastic número 5, Barcelona, fevereiro de 1972)
“TARA”
Elenco: George Michel Serkeis, Íris Bruzzi, Arnaldo Brasil, Ana Maria, Pontes Santos, Antonia Siqueira, Guilhermina Martins, Wilson dos Santos, Betty Dorffer, Luiz Carlos Viana
Sinopse: Um pobre corcunda, vendedor de balões de gás, ama obsessivamente uma linda jovem que o ignora. Ele a segue secretamente pelas ruas da cidade. No dia de seu casamento, ela é assassinada ao deixar a igreja. À noite, o corcunda invade sua sepultura e viola seu cadáver.
Crítica: “Exercício de necrofilia e fetichismo, realizado com toques buñuelescos de forma tão discreta e escassamente grand-guignol, que parece não se encaixar no universo de Marins. Lucchetti afirma que se inspirou no conto ‘A Bela e a Fera’, de Madame Leprince de Beaumont (1711-1780), que já havia servido de tema para o melhor filme de Jean Cocteau, A Bela e a Fera, de 1945. O episódio tem momentos claramente tomados de Luis Buñuel: a jovem que, excitada pela passagem de um enterro, beija freneticamente o noivo; e principalmente a cerimônia necrofílica.”
Luis Gasca (Terror Fantastic número 5)
“IDEOLOGIA”
Elenco: José Mojica Marins, Osvaldo de Souza, Nidi Reis, Nivaldo de Lima, Salvador do Amaral, Kátia Dumont, Dario Santos, Carla Sotis, Jean Silva, Nelita Aparecida, Palito, Laércio Laurelli (dublando a voz de José Mojica Marins)
Sinopse: Num programa de TV, o prof. Oaxiac Odéz  é ridicularizado, quando afirma que “o instinto supera a razão”. Por esse motivo, convida o jornalista que o atacou a visitá-lo. O jornalista aceita o convite e vai acompanhado de sua jovem esposa. Odéz prende os dois no calabouço de sua mansão, onde lhes apresenta todo o seu museu de horrores sadomasoquistas. Depois, submete-os a uma experiência, a fim de provar sua tese.
Crítica: “Talvez esteja na atitude dos espectadores a maior argumentação que Marins tem a favor de sua teoria de que o instinto supera a razão. A razão incita a abandonar a sala e não continuar vendo as atrocidades mostradas na tela; porém, o instinto prega o espectador em seu assento.”
Luis Gasca (Terror Fantastic número 5)

RITUAL DOS SÁDICOS (1969)
Produção: José Mojica Marins, Giorgio Attili, George Michel Serkeis & Multifilmes Ltda.
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia (preto e branco/Eastmancolor): Giorgio Attili
Montagem: Luiz Elias
Música (“Guerra”, interpretada por Denise de Kalafe): Arnaldo Saccomani
Elenco: José Mojica Marins, Sérgio Hingst, Ozualdo Candeias, Andréa Bryan, Lurdes Ribas, Mário Lima, Roney Wanderney, Graveto, Araken Saldanha (dublando a voz de José Mojica Marins)
Participações especiais: Annik Malvil, Ítala Nandi, Maurice Capovilla, João Callegaro, Carlos Reichenbach Filho, Jairo Ferreira & Walter Portella
Tempo de projeção: 91'
Lançamento: Este filme, que ficou preso na Censura Federal por mais de uma década – liberado em 1983, ele teve seu título trocado para O Despertar da Besta –, nunca foi lançado no circuito comercial e tem sido exibido apenas em festivais e sessões especiais
Observação: Pelo roteiro deste filme, Lucchetti ganhou o prêmio de Melhor Roteiro de Longa-Metragem no II Rio-Cine Festival, em 1986.
Sinopse: Zé do Caixão, o personagem criado pelo cineasta José Mojica Marins, está no auge da popularidade, tendo sua imagem difundida em filmes, programas de TV, histórias em quadrinhos, pôsteres. Isso chama a atenção do dr. Sérgio, um famoso psiquiatra, que escolhe quatro pessoas – dois homens e duas mulheres – de diferentes classes sociais e diferentes idades para uma experiência. Ele reúne os quatro e injeta-lhes LSD, com a intenção de estudar os efeitos do tóxico em alguém sob o efeito da imagem de Zé do Caixão. O personagem aparece de maneira diferente nos delírios psicodélicos e multicoloridos (os delírios são em cores, enquanto o resto do filme é em preto e branco) de cada um, misturando sexo, perversão, sadismo, misoginia. Depois, num programa de televisão, no qual Mojica está presente, dr. Sérgio relata a  experiência para um grupo de jornalistas, fazendo uma importante revelação.
Crítica: “Acabei de ver um filme em sua primeira cópia, no laboratório. O filme mais ribombante feito no Brasil até hoje: Ritual dos Sádicos, dirigido por um tarado mental, um gênio do escrotismo, o maior homem de Cinema já surgido no hemisfério Sul, José Mojica Marins. O que o teatro moderno preconizado por Artaud, o cinema subterrâneo e os movimentos que se pretendem corajosos  conseguiram no decorrer destes anos não chega nem a fazer sombra à importância  deste filme único. Ou faremos filmes mais corajosos ou abandonemos definitivamente o Cinema!
O homem é fulminante. (...) Este filme representa o fim do Cinema imbecil, caústico, fajuto. Filme macho, pagão, desavergonhado. A tela narcotizada. Os gênios, virando bestas, hão-de comer capim depois de assisti-lo.”
Carlos Reichenbach Filho (jornal São Paulo-Shimbun, 19 de março de 1970)

“Vários aspectos da vida noturna de diversos cabarés, teatros de revista, boates, ambientes enfumaçados. Prostitutas. Polícia dando batida em casas de prostituição. Transviados. Viciados. Contrabando da erva maldita. Polícia dando voz de prisão. Pobreza. Miséria. Favelas. Gente morando debaixo de viadutos. Pedintes de esmolas. Manchetes de jornais, anunciando assaltos a bancos e ações terroristas. Futebol.”
Texto de introdução ao roteiro de Ritual dos Sádicos

FINIS HOMINIS (1970-1971)
Produção: Marciano Bley Bittencourt (Multifilmes Ltda.)
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins & Rubens Francisco Lucchetti
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia (preto e branco/Eastmancolor): Giorgio Attili
Montagem: Roberto Leme
Elenco: José Mojica Marins, Tereza Sodré, Roque Rodrigues, Mário Lima, Andréa Bryan, Carlos Reichenbach Filho, Cláudia Tucci, Graveto, Lurdes Ribas, Araken Saldanha (dublando a voz de José Mojica Marins)
Participação especial: Rosângela Maldonado
Tempo de projeção: 79'
Lançamento: 18 de dezembro de 1971 (São Paulo)
Observação: Para criar Finis Hominis, R. F. Lucchetti baseou-se no personagem que criara para ser a figura central da novela de televisão O Homem Que Apareceu, que nunca chegou a ser realizada.
Sinopse: Um homem surge inteiramente nu numa praia e perambula pelas ruas de uma cidade, causando espanto geral. Depois, por acaso, evita o rapto de uma menina. A mãe da criança, em reconhecimento, leva-o para casa e oferece-lhe uma roupa, que ele mesmo escolhe dentre muitas – uma fantasia. Fantasiado, o homem prossegue sua peregrinação, continuando a chamar a atenção de todos, que o tomam por um novo Cristo. As “curas” e os “milagres” que realiza são, na verdade, meras coincidências. Certo dia, ele vê um grupo de pessoas agredindo uma adúltera e vai em socorro da mulher. Numa outra ocasião, “ressuscita” um homem que sofreu um ataque de catalepsia e está a ponto de ser sepultado vivo. Por fim, sobe ao cume de uma montanha, para proferir um sermão. Em todos os lares, as famílias estão reunidas em torno dos televisores para escutá-lo.
Comentário: “(...) eu acho que é o meu melhor filme.”
José Mojica Marins (jornal O Globo, Rio de Janeiro, 22 de outubro de 1996)

SEXO E SANGUE NA TRILHA DO TESOURO (1970-1971)
Produção: N. T. M. Produtora e Distribuidora de Filmes
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins & Rubens Francisco Lucchetti
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia (Eastmancolor): Synésio Silva
Montagem: Roberto Leme
Música: Giuseppe Mastroianni
Elenco: José Mojica Marins, Roque Rodrigues, Rosângela Maldonado, Frederico Scarlatti, Andréa Bryan, José Galã, Marlene Caminhoto, Índio Paraguaio, Big-Boy, Farias Magalhães
Tempo de projeção: 83'
Lançamento: 20 de março de 1972 (São Paulo), 8 de maio de 1972 (Rio de Janeiro)
Observação: Neste filme, foram utilizados trechos de Herança Sangrenta (1965), uma fita de Aventura dirigida por Glauco Mirko Laurelli & Jeffrey Mitchell.
Sinopse: Um avião, transportando um grande carregamento de joias contrabandeadas, cai na floresta amazônica. Ao tomarem conhecimento do fato, Ralf, um norte-americano, e sua amante, Helena, organizam uma expedição para chegar até o local do acidente. Chefiada por Augusto, um indivíduo da pior espécie, a expedição é constituída de temíveis aventureiros, homens e mulheres inescrupulosos e ávidos por apoderarem-se das joias. E, durante o trajeto até o lugar em que caiu o avião, as mais sórdidas intrigas são tramadas, com a intenção de reduzir ao menor número possível os pretendentes ao tesouro, que é guardado por um ruivo misterioso.
Crítica: “(...) Sexo e Sangue na Trilha do Tesouro mantém ainda todas as características ingênuas de sua arte. (...) Com o sabor magistral da autenticidade, tão negado pelos racionalistas ou, pior do que eles, pelos anticonvencionalistas por convenção, o filme de Mojica, uma vez mais, traz a marca da grandeza artística imune a todas as críticas primitivas ou ao exegetismo ainda mais banal.”
Nelson Hoineff (O Jornal, 30 de novembro de 1972)
Comentário: “Na manhã de 15 de novembro de 1970, o Mojica e eu fomos ao Cine Caverna, na Avenida São João, no centro de São Paulo. Fomos até lá porque o proprietário do cinema, o sr. Nelson Teixeira Mendes, queria nos mostrar algumas sobras de Herança Sangrenta, uma fita de Aventura que ele produzira alguns anos antes. O sr. Nelson tinha intenção de aproveitar essas sobras num novo filme. Explicando melhor: queria fazer uma fita com sobras, restos, retalhos de outra. O Mojica e eu vimos todo o material e, na saída, trocamos algumas ideias. No ônibus, a caminho de casa, eu já tinha um título para o filme, Ouro e Morte nas Selvas, e fui imaginando um argumento. Alguns dias mais tarde, o roteiro estava pronto e foi entregue ao sr. Nelson. Como sempre tive o péssimo hábito de sonhar com coisas impossíveis, desejava que Ouro e Morte nas Selvas fosse o O Tesouro de Sierra Madre brasileiro, ou seja, uma fita de Aventura inteligente e que retratasse a ganância humana. Infelizmente, isso não aconteceu, e do meu roteiro, só foi aproveitado aquilo que o orçamento permitiu, isto é, quase nada. Além disso, trocaram o título do filme para Sexo e Sangue na Trilha do Tesouro.”
Rubens Francisco Lucchetti, numa entrevista dada a Marco Aurélio Lucchetti em dezembro de 2000

QUANDO OS DEUSES ADORMECEM (1970-1972)
Produção: N. T. M. Produtora e Distribuidora de Filmes
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia (Eastmancolor): Edward Freund & Giorgio Attili (não-creditado)
Montagem: Jovita Pereira Dias
Música: Kelpson Corrêa & Leonardo Maluf
Elenco: José Mojica Marins, Andréa Bryan, Amires Paranhos, Sabrina Marquezine, Walter Portella, Nivaldo de Lima, Roney Wanderney, Rosalvo Caçador, Palito, Maria Cristina, Araken Saldanha (dublando a voz de José Mojica Marins)
Tempo de projeção: 82'
Lançamento: 27 de novembro de 1972 (Rio de Janeiro), 28 de maio de 1973 (São Paulo)
Observação: Este filme é uma sequência de Finis Hominis.
Sinopse: Quando os deuses se recolhem para um repouso, as forças do Mal aproveitam para subjugar a Terra. O crime, a violência, o erotismo vulgar e o baixo espiritismo começam a imperar. Mas, antes de entregarem-se ao merecido descanso, os deuses haviam previsto a dissolução moral da humanidade e mandaram um emissário, Finis Hominis, que é incumbido de manter a ordem no mundo, corrigindo as falhas que porventura ocorressem durante o sono divino. Terminada sua missão, Finis Hominis retorna ao lugar de onde saiu: um sanatório para doentes mentais.
Crítica:Finis Hominis e Quando os Deuses Adormecem carecem de tudo aquilo que tornou Mojica famoso – sadismo, sangue derramado, desvios sexuais –, e sua fraca acolhida pela público marcou o rápido fim da saga de Finis Hominis.”
Horácio Higuchi (Monster! International número 3, Oberlin, Kronos, 1993)

A MARCA DA FERRADURA (1971)
Produção: N. T. M. Produtora e Distribuidora de Filmes
Direção: Nelson Teixeira Mendes
Argumento: José Perez
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia (Eastmancolor): Guglielmo Lombardi
Montagem: Fauzi Mansur & Walter Wanny
Música: Giuseppe Mastroianni
Elenco: Tonico, Tinoco, Chiquinho, Nelson Leforet (pseudônimo de Nelson Teixeira Mendes), José Paulo Moreira, Cecília Lemes, Ruthinéia de Moraes, Sílvia Maria Campanha, Antônio Eugênio Matos, Zélia Silva, Farias Magalhães, June Simões, Valda Borges
Tempo de projeção: 107'
Lançamento: 19 de abril de 1971 (São Paulo)
Sinopse: O coronel Firmino, homem cruel, domina uma região rural do interior de São Paulo. Matou a mulher e o suposto amante, o cego Jeremias. Odeia a filha cega, que julga não ser sua. O fato de a menina ter nascido cega é considerado por todos “um castigo do céu”. Regressando à cidade depois de muitos anos, Tonico & Tinoco tomam conhecimento da situação e, mascarados, procuram fazer justiça. Num acesso de fúria, Firmino quer exterminar a todos; porém, converte-se, ao ver a filha suplicando, no altar de Nossa Senhora, a recuperação da vista.
Comentário: “Melodrama rural inspirado em fato lendário passado no interior de São Paulo. Deveria intitular-se, primitivamente, O Milagre de Nossa Senhora. (...) O diretor Mendes fez anteriormente Deu a Louca no Cangaço.”
(Guia de Filmes número 32, Rio de Janeiro, INC, março/abril de 1971)

A HERDEIRA REBELDE  (1972)
Produção: N. T. M. Produtora e Distribuidora de Filmes
Direção: Nelson Teixeira Mendes
Argumento: Rubens Francisco Lucchetti (não-creditado)
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia (Eastmancolor): Guglielmo Lombardi
Montagem: Jovita Pereira Dias
Música: Giuseppe Mastroianni
Elenco: Marlene França, Ugo Bologna, Cecília Lemes, Miriam Pereira, Roberto Ferreira, padre João Ferreira Santos, padre Orestes Brandani, Carlos Farah, Umberto Militello, Edwaldo Oliveira Santos, José Renzo Pasino, June Simões, Valda Borges, Mimo Valdi, Canarinhos Liceanos do Liceu Sagrado Coração de Jesus, crianças da casa do Mini-Artista
Tempo de projeção: 92'
Lançamento: 18 de dezembro de 1972 (Rio de Janeiro)
Observação: Para escrever o roteiro deste filme, Lucchetti baseou-se numa história sua, Rosa, A Revoltosa, escrita por volta de 1968.
Sinopse: De volta ao Brasil, Marilu, fútil manequim internacional, herda um orfanato que tem sessenta crianças e está à beira da falência. A princípio, a moça se mostra aborrecida com o inoportuno legado; porém, o carinho das crianças transforma sua atitude e faz com que resolva salvar o orfanato. O tempo passa; e, quando descobre que muitas das  crianças sabem cantar e dançar, Marilu decide realizar um show para o qual convida os credores e suas esposas. Durante o espetáculo, ela faz um discurso em que explica que o orfanato está na iminência de ser fechado por falta de recursos. Ao ouvirem isso, as mulheres dos credores, sensibilizadas, revoltam-se contra “os monstros que ameaçam fechar o orfanato”. Os maridos, temerosos de serem desmascarados pela   modelo, perdoam a dívida e prometem dar uma ajuda mensal para manter a instituição funcionando.
Crítica: “O roteiro de A Herdeira Rebelde tinha tudo para se tornar uma razoável comédia romântica... Comédia romântica essa que poderia ser uma boa opção para crianças e adultos nas férias de fim de ano. Entretanto, a total falta de competência de Nelson Teixeira Mendes, um produtor medíocre com veleidade de querer ser diretor, fez do roteiro um filme piegas, um melodrama dos mais baratos. Há poucas coisas que se salvam na fita, e uma delas é o show dado pelas crianças do orfanato.”
Marco Aurélio Lucchetti

EXORCISMO NEGRO (1974)
Produção: Cinedistri Companhia Produtora e Distribuidora de Filmes Nacionais
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins & Rubens Francisco Lucchetti
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti (não-creditado)
Fotografia (Eastmancolor): Antonio Meliande
Montagem: Carlos Coimbra
Elenco: José Mojica Marins, Jofre Soares, Walter Stuart, Georgia Gomide, Wanda Kosmo, Alcione Mazzeo, Ariane Arantes, Adriano Stuart, Marcelo Picchi, Merisol Marins
Tempo de projeção: 94'
Lançamento: 23 de dezembro de 1974 (São Paulo)
Sinopse: Com a intenção de começar a escrever o roteiro de seu próximo filme, José Mojica Marins vai passar uns dias na casa de campo de seu velho amigo Álvaro. Logo após a chegada do cineasta, a família de Álvaro começa a comportar-se de maneira estranha, como se estivesse possuída por forças malignas. Quando Toti, o cãozinho de estimação da caçula Betinha, aparece estrangulado, Lúcia, esposa de Álvaro, procura a feiticeira Malvina, com quem fez um pacto e que julga ser a responsável pelos estranhos acontecimentos. Malvina lhe assegura que o pacto foi rompido e que nada poderá salvá-los de seu destino. Certa noite, Mojica é agredido por Wilma, a filha mais velha de Álvaro, e é inexplicavelmente conduzido a uma câmara de tortura, onde a família de Álvaro participa de uma missa negra, cujo oficiante é Zé do Caixão. Trava-se, então, um duelo entre criador e personagem. E o resultado desse duelo será a salvação ou a perdição de toda a família.
Crítica: “A melhor sequência do filme é a missa negra oficiada por Zé do Caixão, finalmente em cena depois de muitas promessas. Aí, Mojica Marins vai ao encontro do melhor de suas possibilidades: a história em quadrinhos, o grand-guignol, a efervescência temática de mitos populares, o tradicional filme de Horror e a delirante imaginação do realizador brotam, afinal, incontidos, num show de circo e mafuá – aqui com um certo requinte de luxo – que tem realmente algo a acrescentar à singular carreira do cineasta.”
Fernando Ferreira (jornal O Globo, Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1975)

A ESTRANHA HOSPEDARIA DOS PRAZERES (1975-1976)
Produção: Produções Cinematográficas Zé do Caixão Ltda. & Brasil Internacional Cinematográfica Ltda.
Direção: Marcelo Motta & José Mojica Marins (não-creditado)
Argumento: José Mojica Marins
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia (Eastmancolor): Giorgio Attili
Montagem: Nilcemar Leyart
Elenco: José Mojica Marins, Caçador Guerreiro, Marizeth Baumgarten, David Hungaro, Luzia Zaracausca, Giulio Aurichio, Elza Ferreira, José Nivaldo, Jorge Peres, Alfredo de Almeida, Eunicirley Nunes, Maria Nilza, Virginia Maris, Anadir Bibiana, Ananias Gonçalves, Jutael Pereira, Ayrton Lopes, Oscar Marcil, José Horta Barbosa, João Paulo Ramalho (dublando a voz de José Mojica Marins)
Tempo de projeção: 79'
Lançamento: 16 de outubro de 1976 (Uberlândia, Minas Gerais), 24 de janeiro de 1977 (São Paulo), 26 de maio de 1977 (Rio de Janeiro)
Sinopse: Numa noite de tempestade, um casal de noivos ansiosos por uma experiência pré-nupcial, três industriais que vão realizar um negócio escuso, um grupo de motoqueiros que se entrega a uma orgia desenfreada, um caixeiro-viajante com ideias suicidas, uma mulher flagrada em adultério pelo marido, um gigolô e outras pessoas de todas as camadas sociais procuram abrigo numa hospedaria à beira da estrada e são recebidas com enigmática cordialidade pelo estranho proprietário do estabelecimento, um homem todo vestido de preto. É somente ao romper do dia que se revela o mistério que envolve a estalagem e seu proprietário.
Crítica: “O filme, que teve de ser remendado por Mojica, é suspense barato que se propõe a filosofar sobre a morte. Ele chega ao cúmulo do ‘trash’; quando mostra o ‘Cosmo’, nada mais que uma dúzia de bolinhas de isopor pintadas, girando na frente de uma imagem da Via Láctea, por mais de cinco minutos.”
Patrícia Decia (jornal Folha de S. Paulo, 17 de fevereiro de 1997)

INFERNO CARNAL (1976)
Produção: Produções Cinematográficas Zé do Caixão Ltda. & Brasil Internacional Cinematográfica Ltda.
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia (Eastmancolor): Giorgio Attili
Montagem: Nilcemar Leyart
Música: Solon Curvello
Elenco: José Mojica Marins, Osvaldo de Souza, Luely Figueiró, Helena Ramos, Lírio Bertelli, Mauro Russo, Michel Cohen, João Paulo Ramalho (dublando a voz de José Mojica Marins)
Tempo de projeção: 82'
Lançamento: 24 de março de 1977 (Rio de Janeiro), 25 de maio de 1977 (São Paulo)
Observação: Este filme foi baseado em “A Lei de Talião”, um dos episódios do programa O Estranho Mundo de Zé do Caixão, da TV Tupi de São Paulo.
Sinopse: Raquel é amante de Oliver, o melhor amigo de seu marido, o cientista Jorge Medeiros, que está fazendo experiências com um novo e perigoso tipo de ácido. Durante um de seus encontros, Oliver convence Raquel a matar Jorge, para ficarem com sua fortuna. Numa das visitas de Oliver ao casal, Raquel joga o ácido sobre o rosto de Jorge. Enquanto o cientista grita de dor, Oliver ateia fogo no laboratório. Em seguida, Raquel e Oliver fogem, deixando Jorge morrer. A morte do cientista é considerada um acidente; e os dois amantes passam a levar uma vida de luxo, com o dinheiro de Jorge. Porém, Oliver logo se cansa de Raquel e procura outras mulheres. Certo dia, ela o surpreende nos braços de uma prostituta e foge para a rua, sendo atropelada. A partir daí, fatos estranhos começam a acontecer.
Crítica: “Com Inferno Carnal, Mojica provou mais uma vez ser incapaz de criar um ambiente de alta burguesia convincente. Seu personagem é um milionário, mas anda numa Brasília velha, guiada por um motorista vestido de trocador de ônibus; seu ‘laboratório’ não passa de meia dúzia de tubos de ensaio cheios de suco de uva, e o tal ácido poderoso fica guardado num vidro de maionese destampado.”
André Barcinski & Ivan Finotti (Maldito – A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, O Zé do Caixão, São Paulo, 34, 1998)

DELÍRIOS DE UM ANORMAL (1977-1978)
Produção: Produções Cinematográficas Zé do Caixão Ltda.
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti (não-creditado)
Fotografia (Eastmancolor): Giorgio Attili
Montagem: Nilcemar Leyart
Elenco: José Mojica Marins, Jorge Peres, Magna Miller, Lírio Bertelli, Anadir Goi, João da Cruz, Alexa Brandwira, Walter Setembro, Natalina Barbosa, Jayme Cortez, João Paulo Ramalho (dublando a voz de José Mojica Marins)
Tempo de projeção: 83'
Lançamento: 2 de agosto de 1978 (Quatá, SP), 27 de novembro de 1978 (São Paulo)
Observação: Este filme apresenta cenas de Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, O Estranho Mundo de Zé do Caixão, Ritual dos Sádicos e Exorcismo Negro.
Sinopse: Um renomado psiquiatra, dr. Hamilton, interessa-se pelo macabro personagem Zé do Caixão e começa a estudá-lo. Aos poucos, tal estudo torna-se uma obsessão; e Hamilton tem uma série de visões e delírios, nos quais Zé do Caixão, sempre em busca da mulher superior que lhe dará o filho perfeito, tenta roubar-lhe a esposa, Tânia. Vendo o marido à beira da loucura, Tânia procura o auxílio de amigos médicos, que chegam à conclusão de que o caso é extremamente grave. Como última medida, Tânia e os médicos decidem apelar para José Mojica Marins, que, interessando-se pelo efeito causado por seu personagem, se prontifica a ajudar. Hamilton é hipnotizado; e sua mente transforma-se no palco de uma luta entre Zé do Caixão, que tenta dominá-lo, e Mojica, que procura provar a inexistência de seu personagem.
Crítica: “A força e a coerência da imagem, organizada como uma linguagem autossuficiente, substitui os diálogos, realizando-se plenamente – fotograma por fotograma – como expressão cinematográfica das mais originais.”
Mário Schenberg (press book de Delírios de um Anormal)
Comentário: “Esta fita simboliza meu protesto contra aqueles que descreem do homem. Mesmo sem os recursos técnicos, não tendo em mãos a não ser os restos de todas as minhas produções anteriores – e, unindo-os, filmando elos que unissem as imagens que possuía –, criei algo novo. Surpreendi-me com o resultado alcançado.”
José Mojica Marins

MUNDO – MERCADO DO SEXO (MANCHETE DE JORNAL) (1977-1978)
Produção: Produções Cinematográficas Zé do Caixão Ltda. & Kinoart Filmes
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti (não-creditado)
Fotografia (Eastmancolor): Giorgio Attili
Montagem: Nilcemar Leyart
Elenco: José Mojica Marins, Bárbara Prado, David Hungaro, Marly Palauro, Satã, Débora Muniz, Giulio Aurichio, Fátima Porto, Carmen Mojica, Luzia Zaracausca, Luiz Laurentino, Maria Prado, João Martins, Malu de Souza, Jayme Cortez, João Paulo Ramalho (dublando a  voz de José Mojica Marins)
Tempo de projeção: 81'
Lançamento: 4 de junho de 1979 (São Paulo)
Observação: Inicialmente, este filme intitulava-se Mundo – Mercado do Lixo.
Sinopse: É véspera de Natal; e, para conseguir um emprego de repórter num grande jornal, Mauro tem de demonstrar sua capacidade profissional ao diretor da empresa, dr. Raul, realizando uma reportagem que sirva de manchete para a primeira página da próxima edição. Durante todo o dia, Mauro percorre a cidade, procurando um tema que sirva para a sua matéria. Porém, as situações que encontra são corriqueiras e não se prestam para a reportagem que tem de realizar. Enquanto isso, sua esposa, Marina, vai procurar o dr. Raul, em busca de dinheiro para socorrer o filho, que foi atropelado. O homem prontifica-se a ajudar a mulher; e a criança é levada imediatamente a um hospital, onde os médicos a atendem e deixam-na em observação. Em seguida, dr. Raul leva Marina para casa e aproveita-se dela. Cansado e desanimado, Mauro chega à casa e, assim que entra, nota um charuto no cinzeiro. Corre, então, até o quarto e surpreende seu futuro patrão se vestindo. Desesperado, mata os dois – dr. Raul e Marina – e suicida-se. No dia seguinte, esse trágico acontecimento ocupa a primeira página de todos os jornais da cidade.
Crítica:Mundo – Mercado do Sexo (Manchete de Jornal) é o filme mais revelador desse universo fantástico de José Mojica Marins, não apenas um cineasta-inventor, mas basicamente um poeta visionário, um grande pensador, o criador da metafísica do povão. Tudo o que ele pensa sobre jornalismo, informação e comunicação está nesse filme, obra absolutamente deflagradora, visceral e generosa. Trata-se de um filme único e legítimo porque não é imitação e, certamente, não terá imitadores.”
Jairo Ferreira (jornal Folha de S. Paulo, São Paulo, 4 de junho de 1979)

O SEGREDO DA MÚMIA (1979-1982)
Produção: Super 8 Produções Cinematográficas Ltda., Produções Cinematográficas Mapa Ltda. & Embrafilme
Direção: Ivan Cardoso
Argumento: Eduardo Viveiros & Ivan Cardoso
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia (preto e branco/Eastmancolor): João Carlos Horta, César Elias & Renato Lacletti
Direção de Arte: Óscar Ramos
Montagem: Ricardo Miranda, Cris Altan & Gilberto Santeiro
Elenco: Anselmo Vasconcellos, Wilson Grey, Clarice Piovesan, Tânia Bôscoli, Felipe Falcão, Regina Casé, Evandro Mesquita, Julio Medaglia, Nina de Pádua, Colé, Maria Zilda, Cláudio Marzo
Participações especiais: José Mojica Marins, Paulo César Pereio, Joel Barcellos, Jardel Filho, Nelson Motta & Hélio Oiticica
Tempo de projeção: 85'
Lançamento: 21 de outubro de 1982 (São Paulo), 2 de dezembro de 1982 (Rio de Janeiro)
Observações:
1 – Pelo roteiro deste filme, Lucchetti ganhou o prêmio de Melhor Roteiro de Longa-Metragem no X Festival de Gramado, em 1982;
2 – As cenas passadas no Egito, são em cores, enquanto o resto do filme é em preto e branco.
Sinopse: Em 1954, graças a um mapa dividido em vários pedaços e cujos donos morreram misteriosamente, o prof. Expedito Vitus, que ficou recluso por muitos anos – ele se tornou um recluso, quase um eremita, por ter sido ridicularizado ao anunciar publicamente ter descoberto o Elixir da Vida (algo que ele não revelou, na época, foi que o Elixir restituíra a vida ao seu fiel criado, Igor) –, faz a maior descoberta arqueológica da segunda metade do século XX: o túmulo da múmia de Runamb, no Egito. Depois de trazer a múmia para o Brasil, o professor decifra o papiro que conta a história de Runamb: ele foi um rico mercador que amava Nadja, uma formosa e arrogante dançarina; entretanto, seu amor não era correspondido. Não suportando o desprezo de Nadja, Runamb tornou-se um maníaco homicida e começou a matar impiedosamente todas as mulheres com as quais tinha relações; e sua carreira de criminoso só terminou porque um criado, que sabia de seus crimes, denunciou-o às autoridades. Foi, então, condenado a um dos mais terríveis castigos: morrer por inanição, ser mumificado e ter a alma presa aos seus despojos até que despertasse a compaixão de uma mulher. Mas como ele poderia despertar a compaixão de uma mulher, se até mesmo o local de seu sepultamento ficou perdido no meio do deserto? Porém, uma alma piedosa fizera um mapa com a localização do túmulo; e esse mapa chegou às mãos do prof. Vitus, trinta séculos depois. Tão logo termina de decifrar o papiro, o professor, com o auxílio do Elixir da Vida, traz a múmia de volta à vida. E, após ser revivida, a múmia vê em Miriam, uma repórter da Rádio Mundo, a encarnação de sua amada Nadja.
Crítica: “Engraçado, original, usando criativamente sua falta de recursos (...), O Segredo da Múmia é principalmente um filme sobre o cinema de Terror. Tem argumento do próprio diretor e de Eduardo Viveiros, transformado em roteiro por R. F. Lucchetti, depois que a produção conseguiu algum financiamento da Embrafilme. Lucchetti, autor de histórias em quadrinhos, roteirista assumido dos primeiros e originais filmes de José Mojica Marins e disfarçado inventor de algumas  façanhas eróticas da Pornochanchada, alinha personagens e situações típicas de policiais e filmes de Horror do cinema americano dos anos 40, desenvolvidas e encenadas com humor e precisão por toda a equipe.”
Edmar Pereira (Jornal da Tarde, São Paulo, 21 de outubro de 1982)

MULHER, MULHER (1979)
Produção: MASP Filmes
Direção: Jean Garrett
Argumento: Rubens Francisco Lucchetti (não-creditado)
Roteiro: Jean Garrett & Ody Fraga
Fotografia (Eastmancolor): Carlos Reichenbach Filho
Montagem: Walter Wanny
Elenco: Helena Ramos, Carlos Casan, Petty Pesce, Denis Derkian, Liana Duval, Cavagnoli Neto, Aldo Bueno, Paulo Leite, Zélia Toledo
Tempo de projeção: 100'
Lançamento: 7 de setembro de 1979 (São Paulo), 1º de outubro de 1979 (Rio de Janeiro)
Sinopse: Viúva recente, Alice chega à sua casa de veraneio para descansar e refletir sobre sua relação com o falecido marido, um psiquiatra machista. Pelo telefone, ela sofre assédio de Luís Carlos, o advogado da família; porém, trata-o com frieza, pouco se importando com suas declarações de amor. Em seguida, querendo recompor parte de sua personalidade reprimida pelo marido, Alice mostra-se aberta a experiências que a recompensem de um passado cheio de frustrações. Por isso, dedica um afeto especial a Jumbo, um cavalo de estimação, e entrega-se a Marta, uma jovem universitária que também procurou o local para refletir. Recompensada com as novas experiências, Alice mostra-se mais receptiva aos assédios de Luís Carlos. Convida-o para visitá-la e recebe-o como uma adolescente apaixonada. Depois, em meio a uma discussão, mata-o com dois tiros. No dia seguinte, após incinerar o cadáver, parte tranquila de volta à cidade, decidida a iniciar um nova vida.
Crítica: “Grande sucesso de bilheteria na época (...), este drama se apresenta como um estudo sério do orgasmo feminino. Mas o roteiro acaba sendo até reacionário (por mostrar tudo como apenas uma fantasia da heroína). A intenção real é mostrar a plástica perfeita de Helena Ramos (loira). Mas os diálogos são empolados, cheios de literatices, os personagens sem lógica e fica subentendido que o orgasmo está ligado a fantasias criminosas ou perversões. Salva-se a fotografia.”
Rubens Ewald Filho (VÍDEO News Filmes Eróticos, São Paulo, Sigla, 1986)
Comentário: “O Mojica não deu o devido valor a certas pessoas que passaram pelos seus estúdios. Uma dessas pessoas foi o Jean Silva, mais conhecido como Jean Garrett. O Jean era um ótimo ator. Para que se tenha uma ideia de seu talento como ator, basta assistir ao terceiro episódio de O Estranho Mundo de Zé do Caixão, ‘Ideologia’, e ver seu desempenho como um dos acólitos do prof. Oaxiac Odéz. Infelizmente, o Mojica não percebeu isso. Do contrário, teria lhe dado o papel interpretado pelo Mário Lima no filme Ritual dos Sádicos. O Jean era também um excelente fotógrafo. Fizemos várias fotonovelas – eu escrevia e dirigia, ele fotografava – para a revista Melodias, da Editora Prelúdio. Na década de 1970, ele dirigiu algumas fitas de sucesso, dentre as quais destaco Mulher, Mulher.”
Rubens Francisco Lucchetti, numa entrevista dada a Marco Aurélio Lucchetti em dezembro de 2000

A PRAGA (1979-2007)
Produção: Produções Cinematográficas Zé do Caixão Ltda.
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia: Giuseppe Romero
Maquiagem: Nilcemar Leyart
Elenco: Felipe, Sílvia Gless, Wanda Kosmo
Observação: Este filme, inteiramente rodado em Super 8 mm, foi baseado num dos episódios de Além, Muito Além do Além e na história em quadrinhos “A Praga”.
Sinopse: Juvenal de Souza é um sujeito cético, que não acredita em feitiços e macumbas. Um dia, ao se deparar com uma velha macumbeira, destrata-a. A macumbeira joga-lhe uma praga. Ele ri e zomba da maldição; porém, não demora a aparecer uma pequena ferida à altura de seu estômago. Aos poucos, a ferida vai aumentando de tamanho, obrigando Juvenal a consultar alguns médicos, que não conseguem diagnosticar a origem do mal. Em seguida, Juvenal começa a sentir dores lancinantes e só consegue aplacar essas dores quando alimenta a ferida com carne crua. Dias depois, já com as vísceras totalmente à mostra, Juvenal tranca-se no quarto, a fim de que sua mulher não veja o estado lastimável em que se encontra. A partir de então, a carne para alimentar a ferida é deixada junto à porta do quarto. Um dia, quando não consegue dominar as fortes dores que está sentindo, Juvenal mata a esposa.
Crítica: A Praga transpira Brasil por todos os poros. Como os melhores filmes de Humberto Mauro, os musicais caipiras de Osvaldo de Oliveira e todos as realizações do gênero Horror feitas por Mojica Marins. Rodado em Super 8, A Praga era um de seus projetos fílmicos dados como inacabados e/ou interrompidos. Foi o ensejo prospectivo de Eugênio Puppo que trouxe à tona (e à vida) essa história de danação concebida pelo fértil Rubens Lucchetti. A primeira coisa que chama a atenção no trabalho de Puppo como montador do filme é a absoluta fidelidade ao ‘estranho mundo de Zé do Caixão’.”
Carlos Reichenbach Filho
(José Mojica Marins 50 Anos de Carreira, São Paulo, Heco Produções, 2007, p. 109)

AS SETE VAMPIRAS (1982-1986)

Produção: Ivan Cardoso, Mauro Taubman, Cláudio Klabin, Antonio Avillez, Flávio Holanda & Sky Light
Direção: Ivan Cardoso
Argumento: Rubens Francisco Lucchetti & Ivan Cardoso
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia (Eastmancolor): Carlos Egberto
Direção de Arte: Óscar Ramos
Maquiagem: Antonio Pacheco
Criação da planta carnívora: Marcos Bertoni & Óscar Ramos
Montagem: Gilberto Santeiro
Música: Julio Medaglia
Elenco: Nicole Puzzi, Nuno Leal Maia, Andréa Beltrão, Simone Carvalho, Colé, Ariel Coelho, Suzana Mattos, Zezé Macedo, Ivon Curi, Bené Nunes, Wilson Grey, Felipe Falcão, Daniele Daumeri, Alvamar Taddei, Dedina Bernardelli, Leo Jaime, Pedro Cardoso, Tião Macalé, Dedé Santana
Participações especiais: Lucélia Santos, Carlo Mossi, John Herbert & Tânia Bôscoli
Narração: Ramos Calhelha
Tempo de projeção: 89'
Lançamento: 20 de novembro de 1986 (Rio de Janeiro), 11 de dezembro de 1986 (São Paulo)
Observação: Para escrever o roteiro de As Sete Vampiras, Lucchetti baseou-se em dois de seus textos, “O Estripador” e “O Estrangulador de Limehouse”, escritos por volta de 1958.
Sinopse: Numa chuvosa noite da década de 1950, o botânico Frederico Rossi inicia uma experiência com uma rara planta carnívora vinda da África. A experiência é perigosa; e, como precaução, o cientista prepara um antídoto para o veneno do curioso espécime. Isso de nada lhe adianta, pois é atacado pela planta. Mais tarde, sua esposa, Sílvia, que é professora de Dança, vai procurá-lo e só encontra os restos ensanguentados de sua roupa. Paralisada pelo susto, Sílvia é também atacada pela planta, que a fere no braço. Devido ao ferimento, a mulher contrai um estranho mal que provoca um súbito envelhecimento. Para combater a doença, ela toma o antídoto preparado pelo marido. Depois, a fim de não deixar que ninguém perceba que está doente, decide isolar-se numa casa de campo, afastando-se até mesmo de sua melhor amiga, Clarice, que também é professora de Dança. É assim, reclusa, que Rogério, velho amigo de Frederico, vai encontrá-la. Ele a convida para trabalhar em sua boate no Hotel Quitandinha. Ela aceita a proposta e diz a Rogério que montará um show com o título de Balé das Sete Vampiras. A estreia do show é um sucesso; mas logo começa a acontecer uma série de assassinatos, cuja primeira vítima é Rogério. O medo e a insegurança tomam conta das pessoas ligadas à boate. Então, entram no caso o atrapalhado inspetor Pacheco, da Homicídios; e o confuso detetive particular Raimundo Marlou e sua eficiente secretária, a manicure Maria. Todos os três procuram pistas nos bastidores. Uma noite, por medida de segurança, o inspetor Pacheco fecha o estabelecimento. É 13 de agosto, uma sexta-feira; e tudo pode acontecer...
Comentário:As Sete Vampiras é uma pornochanchada hitchcokiana, um filme para curtidores de Cinema, repleto de ‘defeitos especiais’, uma colcha de retalhos (...), na qual o terror virou brincadeira. É o Terrir.”
Ivan Cardoso (Fantasporto 87 Programa Geral, Porto, 1987)
Crítica:‘O caminhão correndo por uma estrada meio escura. Vento forte agitando a vegetação e os galhos das árvores. Nuvens negras, correndo baixas e prenunciando temporal...’ A leitura do roteiro de Rubens Lucchetti não deixa quaisquer dúvidas quanto à familiaridade do território, pois já nos encontramos muitas vezes com essas imagens, clichês audiovisuais da cultura de massa contemporânea que a obra cinematográfica de Ivan Cardoso vem revivendo e retrabalhando com talento. A exemplo da fase experimental em Super 8, mas principalmente do bem-sucedido e surpreendente exercício sobre o Terrir classe B (gênero totalmente inventado pelo diretor) O Segredo da Múmia, em As Sete Vampiras o diretor volta a lançar mão de estruturas já bastante internalizadas pelo espectador, codificadas ao longo de décadas por um gênero específico de cinema. Das imagens de uma ameaçadora noite, azulada por filtros e sonorizada pelos uivos de um lobo distante, à sombra que aos poucos percorre o muro e ataca a solitária velhinha, continuando com a clássica imagem da mulher morta na piscina, corpo boiando de cabeça para baixo, e a presença sempre à mão de portas secretas, corredores sombrios e fossos – o repertório parece inesgotável (...). As formas de se trabalhar com esse referencial  fornecido pelo cinema ao qual Ivan Cardoso e Rubens Lucchetti têm absoluta atração é que se renovam, de um filme para o outro, ilustrando as mais possíveis e inusitadas combinações que acabam por dar nova vida ao clichê. Roteirista e diretor, quando querem, usam e abusam das fórmulas prontas, sempre com a intenção de dar-lhes uma nova roupagem. Uma dessas estratégias desemboca na própria subversão do clichê e, consequentemente, das expectativas da plateia. Exemplo: espera-se o terrível crime na seqüência do banho da atriz, sempre reminiscente de Psicose, e nada acontece com ela, mas sim com o amante no quarto ao lado.”
João Luiz Vieira (Caderno de Crítica número 2, Rio de Janeiro, Embrafilme, novembro de 1986)

MEU HOMEM, MEU AMANTE (1984)
Produção: Deni Cavalcanti & Madial Filmes Ltda.
Direção: Jean Garrett
Argumento: Rubens Francisco Lucchetti
Roteiro: Jean Garrett
Fotografia (Eastmancolor): Antonio Meliande
Montagem: Máximo Barro
Elenco: Deni Cavalcanti, Sonia Garcia, Célia Coutinho, Felipe Levy, Shirley Benny, Renato Master, Jair Talarico, Carlos Casan, Beth Goulart, Genésio Carvalho, Satã, Cristina Machado, Marilva
Tempo de projeção: 87'
Lançamento: Não foi possível descobrir a data de lançamento deste filme
Observação: O argumento deste filme foi baseado no romance erótico Anna, A Insaciável (1982), escrito por Lucchetti (usando o pseudônimo de Roberto Bava) e publicado pela Noblet Editora.
Sinopse: Após ficar algum tempo internado numa clínica para doentes mentais, Marcos vai morar com seus tios Michel e Linda. Certa noite, numa festa dada pelos tios, ele conhece a bela e insinuante Ana, que está sempre em busca de novas aventuras amorosas. Durante a festa, o marido de Ana, Clayton, um rico e inescrupuloso empresário, lança olhares libidinosos na direção de Linda, com quem teve um rápido caso. Marcos nota esses olhares e, entediado, afasta-se até a garagem. Ana segue o rapaz e o seduz ali mesmo. Algum tempo depois, Linda irrita-se com um telefonema de Ana, que demonstra estar interessada em Marcos. Linda conhece muito bem Ana e sabe que ela logo se enjoará de Marcos e partirá para uma nova aventura. Porém, Ana e Marcos continuam a encontrar-se com toda a impetuosidade que seus corpos jovens reclamam. Numa dessas ocasiões, o motel em que se encontram é assaltado. No dia seguinte, a notícia do assalto é publicada nos jornais, acompanhada de uma foto do casal. Clayton toma conhecimento da foto e, sentindo-se humilhado, agride violentamente a esposa e promete vingar-se também de Marcos.
Crítica: “Sexo e briga pelo poder em filme pesado e neurótico.”
Vídeo Guia 88 (São Paulo, Nova Cultural, 1987)

CHAPEUZINHO VERMELHO (1986)
Produção: WR-Filmes Ltda.
Direção: Wilson Rodrigues
Supervisão: José Mojica Marins
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti, baseando-se na história de Charles Perrault
Fotografia: Wilson Rodrigues
Montagem: Roberto Leme
Elenco: Regiane Cohen, João Gabriel, Luzinethe Xavier, Eliane Amorin, Carlos Cimmerman, Toni Torrieli, Julieta Peres, David Karmaluk, as irmãs Rosemar e Nilcemar Marins
Narração: Ronaldo Batista
Tempo de projeção: 42'
Lançamento (vídeo): 1986
Observação: Apesar de ter sido feito para o mercado de vídeo, este filme foi exibido nos cinemas.
Sinopse: Chapeuzinho Vermelho, uma menina muito bonitinha e boazinha, a todos encanta e tem esse apelido porque usa um pequeno chapéu de veludo vermelho que sua avó lhe fez. Ela mora com os pais e sofre uma vigilância constante do temível Lobo Mau, que, desejando transformá-la num delicioso jantar, aguarda uma oportunidade de atacá-la – a única coisa que o impede de fazer isso é o fato de a menina estar sempre acompanhada do pai. Certo dia, a mãe de Chapeuzinho Vermelho a incumbe de levar uma cesta de frutas e remédios para a avó, que vive numa casa no meio da floresta e encontra-se doente. Ao ver a menina andando sozinha no bosque, Lobo Mau percebe que a ocasião tão sonhada chegou. Porém, seu plano é frustrado por um lenhador, que salva a menina e a avó de serem devoradas.
Comentário: “(...) é a primeira vez que se tem a chance de produzir um vídeo especialmente dedicado ao público infantil, que tem poucos títulos brasileiros à sua disposição.”
Wilson Rodrigues (jornal Popular da Tarde, São Paulo, 26 de julho de 1986)

JOÃOZINHO E MARIA (1986)
Produção: WR-Filmes Ltda.
Direção: Wilson Rodrigues
Roteiro:  Rubens Francisco Lucchetti, baseando-se na história dos Irmãos Grimm
Fotografia: Wilson Rodrigues
Montagem: Walter Wanny
Elenco: André César, Juliane Almeida, Regina Mares, Anor Falda, Célia Colaço, Eneida Nobre
Narração: Ronaldo Batista
Tempo de projeção: 50'
Lançamento (vídeo): 1986
Observação: Apesar de ter sido feito para o mercado de vídeo, este filme foi exibido nos cinemas.
Sinopse: Dois irmãos, Joãozinho e Maria, vítimas das maquinações de sua maldosa madrasta, perdem-se num imenso bosque e chegam a uma casinha de bonito aspecto. Eles não sabem que ali mora a perversa bruxa Milmales. Em seguida, fingindo-se de uma boa velhinha, a bruxa os convence a entrar na casa. Assim que os dois entram, ela encerra Joãozinho numa masmorra e faz de Maria sua empregada. A partir de então, todos os dias, Milmales alimenta Joãozinho com as mais finas iguarias, pois deseja engordá-lo, a fim de devorá-lo num lauto jantar. É somente por meio de um estratagema de Maria que Joãozinho consegue escapar de seu cruel destino.
Crítica: “Filme baseado no célebre conto de fadas dos Irmãos Grimm. Segundo volume da série No Mundo da Carocinha, que pretende adaptar os contos de fadas clássicos aos cenários, paisagens e músicas brasileiras, dublando os atores com as vozes conhecidas dos programas de televisão. Não conseguiu manter a fantasia das histórias originais. Produção paupérrima.”
Vídeo 1991 (São Paulo, Nova Cultural, 1990)

O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE (1987-1989)
Produção: WR-Filmes Ltda.
Pós-produção internacional: The Rodri Group, de Los Angeles
Direção: Wilson Rodrigues
Supervisão: David Karmaluk, Carlos Franco & Valena Valenzuela
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti, baseando-se na história de Charles Perrault
Fotografia: Henrique Borges
Desenho de Produção: Wilson R. Carvalho
Direção de Arte (cenas contemporâneas): Campello Neto
Montagem: Walter Wanny
Maquiagem: Cecílio Gegliotti
Maquiagem especial do gato: Burman Studios
Efeitos especiais do gato: dr. D. Wes Wheadon
Figurinos: Marta Medeiros
Elenco: Heitor Gaiotti, Maurício Mattar, Flávia Monteiro, Carmem Silva, Felipe Levy, Tony Tornado, Nenna Camargo, Wilson Rodrigues, a menina Natasha Almada
Atriz convidada: Zezé Motta
Atores convidados: Jofre Soares & José Mojica Marins
Participação especial: Tônia Carrero
Tempo de projeção: 85'
Lançamento (vídeo): outubro de 1989
Observação: A história de O Gato de Botas Extraterrestre é contada por uma avó à sua netinha.
Sinopse: No fim de uma estrada empoeirada, há um moinho, onde vivem um velho moleiro, seus três filhos, um burro e... um gato. Um dia, o pai morre e deixa seus bens divididos da seguinte maneira: o moinho para o filho mais velho, o burro para o filho do meio e o gato para o caçula. O filho mais novo, que se chama Marco, fica desconsolado, pois não sabe em que o gato o ajudará a se sustentar. Mas há algo que ele desconhece: o gato é, na verdade, um ser de outro planeta e possui incríveis poderes e muita astúcia. Em seguida, usando um traje de mosqueteiro e um par de botas, o gato extraterrestre se dispõe a ajudar Marco a se tornar um homem rico e poderoso. Para tanto, conquista a simpatia do rei e de sua filha, a linda princesa Belina, e parte em busca de um castelo para seu dono. Logo encontra o castelo que deseja; porém, ele pertence a Magomau, um terrível bruxo que escravizou os camponeses da região e enfeitiçou Zé do Caixão. Sabendo que a sorte de Marco depende daquele castelo, o gato, contando com a ajuda de Zé do Caixão, luta com Magomau. O gato derrota o feiticeiro e promove o feliz encontro de Marco com a princesa Belina.
Comentário: “Depois de produzir e dirigir Chapeuzinho Vermelho e Joãozinho e Maria, dois filmes sofríveis que tiveram um bom retorno financeiro, Wilson Rodrigues investiu todo o seu dinheiro numa superprodução: O Gato de Botas Extraterrestre, que, apesar de não ficar devendo nada às fitas hollywoodianas, levou a WR-Filmes à falência.”
Rubens Francisco Lucchetti, numa entrevista dada a Marco Aurélio Lucchetti em dezembro de 2000

O ESCORPIÃO ESCARLATE – UMA AVENTURA DO ANJO (1987-1989)
Produção: Topázio Filmes Ltda., Side Walk, Luiz Gelpi, Victor Malzoni, Fortincorp, Bob’s, Herson Capri, Sky Light & Embrafilme
Direção: Ivan Cardoso
Argumento: Rubens Francisco Lucchetti & Ivan Cardoso
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Fotografia: José Tadeu, Renato Lacletti & Carlos Egberto
Direção de Arte: Óscar Ramos
Maquiagem: Antônio Pacheco
Direção de dublês: Giancarlo Bastione
Montagem: Gilberto Santeiro
Trilha sonora: Julio Medaglia & Gilberto Costa
Música tema: Miquinhos Amestrados
Elenco: Herson Capri, Andréa Beltrão, Nuno Leal Maia, Suzana Mattos, Cláudio Mamberti, Mário Gomes, Monique Evans, Wilson Grey, Felipe Falcão, Bené Nunes, Isadora Ribeiro, Josi Campos, Roberta Close, Colé, Tião Macalé, Nina de Pádua
Participações especiais: Ankito, Carlos Imperial, Carlos Machado, Consuelo Leandro, Ivon Curi, José Lewgoy & Zezé Macedo
Tempo de projeção: 79'
Lançamento: 1993 (Rio de Janeiro)
Observações:
1 – Para uma melhor compreensão do filme, as cenas passadas no plano da realidade foram filmadas em cores; e as cenas do seriado, em tom sépia;
2 – As cenas em que apareciam Carlos Imperial e José Lewgoy foram eliminadas na montagem final; portanto, apesar de seus nomes constarem nos créditos, os dois não estão presentes no filme;
3 – O roteiro de O Escorpião Escarlate – Uma Aventura de O Anjo foi baseado no script de  O Escorpião Escarlate, um seriado de rádio escrito por Lucchetti em 1956 e transmitido pela Rádio Clube de Ribeirão Preto;
4 – Criado por Péricles Leal, o Anjo foi um personagem bastante popular na década de 1950. Ele era o protagonista de Aventuras do Anjo, um seriado radiofônico escrito por Álvaro Aguiar (além de escrever o seriado, Álvaro também interpretava o herói) e transmitido pela PRE-8 Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Sinopse: São os últimos anos da década de 1950. Todos os dias, no começo da noite, as pessoas se emocionam com um novo capítulo do eletrizante seriado radiofônico Aventuras do Anjo, escrito por Álvaro Aguiar e protagonizado pelo Anjo, um jovem playboy que tem como passatempo ajudar as forças da lei e da ordem no combate ao crime. A namorada do Anjo, a intrépida jornalista Dóris, escreve artigos denunciando os crimes do Escorpião Escarlate, um bandido que age nas sombras e cuja identidade ninguém conhece. Cansado desses artigos, o terrível criminoso ordena que seus asseclas raptem Dóris e entreguem-na à sádica Madame Ming, idealizadora dos sofisticados engenhos de tortura do Palácio dos Suplícios. Uma das pessoas que ouvem diariamente o seriado é a estilista Glória Campos, uma ouvinte fanática que não perde um único capítulo. Com o passar do tempo, o fanatismo de Glória pelo seriado faz com que ela termine misturando a realidade com a ficção. Isso lhe traz inúmeras complicações, principalmente quando a ficção se torna realidade.
Crítica: “Não se trata de uma obra que conquiste unanimidade, pois apresenta uma brasilidade que muitos não enxergam como sua por ser, às vezes, escrachada demais (...). Apesar de irregular, O Escorpião Escarlate conquistou admiradores famosos, como o diretor americano Joe Dante, especializado em filmes de Terror, que louvou o trabalho como a mais surpreendente homenagem jamais feita aos velhos seriados da Replubic e da Universal.”
Ubiratan Brasil (jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 13 de agosto de 2001)

A SEITA DOS ESPÍRITOS MALDITOS (1992, longa-metragem rodado em videoteipe)
Produção: Produções Cinematográficas Zé do Caixão Ltda.
Direção: José Mojica Marins
Argumento: José Mojica Marins
Roteiro: Rubens Francisco Lucchetti
Elenco: José Mojica Marins, Gaúcho, Adriana Ribeiro, Luana Braga, Valdenice, Antônio Gabriel, Nilcemar Marins, Mariângela de Castro
Observação: Este filme, que tem Zé do Caixão como o narrador da história, foi realizado como piloto de uma série para a televisão (cada episódio da série narraria a história de um membro da Seita dos Espíritos Malditos). Mas o projeto não vingou, e a fita permanece inédita até hoje.
Sinopse: Após um sacrifício humano malsucedido, um milionário, que deve sua fortuna a forças ocultas e é proprietário de uma lúgubre mansão, morre. Em seguida, todos os membros da família do falecido concordam em passar uma noite na mansão, dispostos a receber sua parte na herança. O que eles não sabem, porém, é que o morto fez planos de retornar à vida. Para tanto, tem de derramar o sangue de seus familiares, como uma forma de reparar o sacrifício malfeito.



Como complemento à Filmografia de Rubens Francisco Lucchetti, relacionamos, a seguir, os

PROGRAMAS DE TV CRIADOS POR RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI

QUEM FOI? (1961)
Série de TV exibida pela TV Tupi, Canal 3, de Ribeirão Preto, às sextas-feiras, das 19 horas às 19 horas e 30 minutos. A cada episódio, tendo sempre como personagem principal o detetive Reginaldo Varela (interpretado por Wilson Villas Boas), era apresentada uma história policial em que se ocultava um criminoso (às vezes, o culpado do crime já era do conhecimento dos telespectadores), que podia ser um assassino, um ladrão, um estelionatário. Terminada a história, o apresentador do programa, o próprio Lucchetti, discava o número de um telefone previamente inscrito (para se inscrever, o telespectador tinha de enviar para a estação três rótulos do refrigerante Douradinha, que patrocinava o programa); então, o telespectador, dispondo de todos os elementos que serviam de pistas para Reginaldo Varela, tinha de revelar o nome do criminoso ou qual fora a pista que conduzira o detetive ao verdadeiro culpado. Se acertasse a resposta, o telespectador ganhava um livro da Série Sherlock Holmes, das Edições Melhoramentos; se errasse a resposta, o prêmio ficava acumulado. Foram exibidos 25 episódios, que tiveram direção artística de Gastão Miranda, direção de TV de Mauro César Mello e direção geral de Silvério Neto:
“Os Selos Roubados” (exibido em 21 de abril de 1961)
“O Vaso Oriental” (exibido em 28 de abril de 1961)
“Pescaria Fatídica” (exibido em 5 de maio de 1961)
“Detalhe Revelador” (exibido em 19 de maio de 1961)
“Remédio Fatal” (exibido em 26 de maio de 1961)
“O Peixe Morre pela Boca” (exibido em 2 de junho de 1961)
“Suicídio” (exibido em 9 de junho de 1961)
“Crime ou Suicídio?” (exibido em 23 de junho de 1961)
“O Rapto do ‘Príncipe’” (exibido em 30 de junho de 1961)
“De quem É o Ovo?” (exibido em 7 de julho de 1961)
“Um Álibi Perfeito” (exibido em 14 de julho de 1961)
“O Caso do Batom” (exibido em 21 de julho de 1961)
“Os Recrutas” (exibido em 28 de julho de 1961)
“O Relógio da Casa” (exibido em 4 de agosto de 1961)
“Um Caso de Dedução para os Recrutas” (exibido em 11 de agosto de 1961)
“Conclusão Lógica” (exibido em 18 de agosto de 1961)
“A Pedra na Praça” (exibido em 1º de setembro de 1961)
“Quem Matou o Comendador Boaventura?” (exibido em 8 de setembro de 1961)
“O Rapto do Pequeno Ruy” (exibido em 15 de setembro de 1961)
“Aniversário de Leonardo” (exibido em 22 de setembro de 1961)
“O Roubo da Pasta Velha” (exibido em 29 de setembro de 1961)
“O Contrabandista” (exibido em 6 de outubro de 1961)
“Um Delegado Atrapalhado” (exibido em 13 de outubro de 1961)
“Um Simples Detalhe” (exibido em 20 de outubro de 1961)
“O Roubo das Jóias” (exibido em 3 de novembro de 1961).
Comentário: “Ao assumir em 1956, a direção de broadcasting da PRA-7, Rádio Clube de Ribeirão Preto, Aloysio Silva Araújo pediu-me que criasse alguns programas; mas queria que um deles fosse totalmente diferente daqueles que, então, era apresentados nas rádios. ‘Faça alguma coisa no gênero que você conhece tão bem’, disse ele que sabia que eu escrevia histórias de Detetive & Mistério para a X-9 e outras revistas pulp. Foi até com certa facilidade que imaginei Você É o Detetive, que, infelizmente, nunca chegou a ir ao ar. Cerca de cinco anos mais tarde, quando o diretor da TV Tupi de Ribeirão Preto, Silvério Neto, encomendou-me a criação de um programa, lembrei-me imediatamente de Você É o Detetive. Adaptei-o para o programa que o Silvério havia me pedido e rebatizei-o com o mesmo nome de uma popular revista de histórias em quadrinhos policiais publicada pela Editora Brasil-América, do Rio de Janeiro: Quem Foi? (...) Algumas semanas depois, esse programa estreava. (...) Os recursos de que dispúnhamos eram precários – por exemplo: Quem Foi? tinha apenas dois cenários (um deles, o gabinete do inspetor Leonardo na chefatura de polícia, era fixo; o outro variava de episódio para episódio, podendo ser um quarto de dormir, uma sala de visitas etc.) e uma única câmera. Além do mais, naquela época, o já distante ano de 1961, ainda não havia aparecido o videoteipe; e tudo era feito ao vivo, o que exigia muita criatividade de todos os envolvidos no programa. Lembro que num dos episódios exagerei e coloquei uma janela aberta, através da qual uma pessoa testemunhava um assassinato sendo cometido no prédio em frente. ‘Impossível’, disse-me o Silvério, tão logo terminou de ler o script. ‘Não temos condições de filmar alguém vendo, através de uma janela aberta, um assassinato acontecendo num edifício do outro lado da rua. Para exibir tal cena, que no ar duraria uns poucos segundos, teríamos de filmá-la em 16 mm e mandar revelar o filme em São Paulo. O custo disso seria muito alto.’ Mas a solução me ocorreu de imediato. Ao olhar através da janela do escritório do Silvério (os estúdios da Tupi ficavam no último andar do Edifício Bradesco, então um dos maiores prédios de Ribeirão Preto), vi parte da fachada do Hotel Umuarama, no outro lado da rua e sugeri: ‘Podemos usar um dos apartamentos do hotel.’ O Silvério riu e disse: ‘Como você é ingênuo, Rubens! Usar um apartamento do hotel...?!’ Só que não me foi dificil convencer o gerente do hotel a permitir que usássemos um dos apartamentos vagos e de frente para a rua. A câmera foi colocada no escritório do Silvério e fazia as vezes do personagem que presenciava o assassinato; e, no apartamento do outro lado da rua, dois atores representaram a cena. Assim, a história pôde ir ao ar exatamente como estava no meu script. (...) Os scripts de Quem Foi? deviam prever as mudanças de cenário, que tinham de coincidir com os intervalos destinados à propaganda, feita ao vivo pela jovem e bonita Lilete (ela era sobrinha do Silvério Neto). Recordo-me de que, às vezes, Lilete ficava enjoada de tanto ser obrigada a beber, a cada intervalo, uma boa quantidade do refrigerante que patrocinava o programa. (...) Creio que Quem Foi? foi o primeiro programa da tevê brasileira a ter a participação do telespectador pelo telefone.”
Rubens Francisco Lucchetti, numa entrevista dada a Marco Aurélio Lucchetti em dezembro de 2000


S.O.S. RIORDAN (inédito)
Série de TV criada a pedido do ator Hélio Souto. Cada episódio, que teria a duração de meia hora, narraria uma aventura do detetive particular Riordan. O piloto da série chegou a ser gravado, mas nunca foi ao ar.
Comentário: “Hoje, já não me recordo mais como conheci Hélio Souto, que, nos primeiros anos da década de 1960, gozava de grande popularidade como galã de Cinema e TV. Só me lembro de que, por volta de julho ou agosto de 1963, ele me pediu que criasse uma série de televisão protagonizada por um detetive particular semelhante ao Shell Scott (uma criação do escritor norte-americano Richard S. Prather), cujos livros eram publicados em nosso país pelas Edições de Ouro. Aceitei a incumbência; e, em menos de dois meses escrevi nove histórias – “Depois do Show”, “No Olho do Gato”, “A Morte se Faz Anunciar”, “Salve Meu Filho”, “Teatro da Morte”, “A Excêntrica Tia Paula”, “O Pregador de Brilhantes”, “Seis É Demais” e “Os Blusões Negros” –, todas com belas mulheres e certa dose de violência. Então, enviei-as ao Hélio. (...) Batizei o meu detetive com o nome de Riordan; e a série, com o título de S.O.S. Riordan. Porém, o Hélio já tinha um nome para o seu personagem, Gatto; e, como havia gostado do S.O.S., deu à série o título de S.O.S. Gatto. (...) A TV Tupi, Canal 4, de São Paulo, gravou o piloto da série, “Depois do Show”, com produção, direção e interpretação do próprio Hélio Souto. Entretanto, houve um desentendimento entre o Hélio e Cassiano Gabus Mendes, que era o diretor artístico da Tupi; e o projeto foi cancelado.”
Rubens Francisco Lucchetti, numa entrevista dada a Marco Aurélio Lucchetti em dezembro de 2000


ALÉM, MUITO ALÉM DO ALÉM (1967-1968)

Série de TV exibida pela Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 13, de São Paulo, às sextas-feiras, das 23 horas à meia-noite, com José Mojica Marins encarnando Zé do Caixão, o apresentador do programa. A cada episódio, era apresentada uma história de Terror, baseada supostamente em fatos reais e narrada a Zé do Caixão por um suposto telespectador do programa (na verdade, as histórias eram inteiramente imaginadas por Lucchetti; e o narrador da história, cuja identidade nunca era revelada e cujo rosto ficava sempre na sombra, um ator).
Foram exibidos 34 episódios, que tiveram direção artística de Antonino Seabra e direção de TV de Mário Pomponet:
“Pesadelo Macabro” (exibido em 5 de outubro de 1967)
“A Voz do Coveiro” (exibido em 12 de outubro de 1967)
Observação: O enredo deste episódio foi aproveitado na história em quadrinhos “A Voz do Coveiro”, escrita por Lucchetti, desenhada por Nico Rosso e publicada no número 3 da revista O Estranho Mundo de Zé do Caixão
“O Médico” (exibido em 19 de outubro de 1967)
“Noite Negra” (exibido em 26 de outubro de 1967)
Observação: O enredo deste episódio foi aproveitado na história em quadrinhos “Noite Negra”, escrita por Lucchetti, desenhada por Nico Rosso e publicada no primeiro número da revista O Estranho Mundo de Zé do Caixão
“Procissão dos Mortos” (exibido em 3 de novembro de 1967)
“Magia Negra” (exibido em 10 de novembro de 1967)
“A Casa do Demônio” (exibido em 17 de novembro de 1967)
Observação: O enredo deste episódio foi aproveitado na história em quadrinhos “A Casa do Demônio”, escrita por Lucchetti, desenhada por Nico Rosso e publicada no número 4 da revista O Estranho Mundo de Zé do Caixão
“O Olho” (exibido em 24 de novembro de 1967)
“Seu Último Espetáculo” (exibido em 1º de dezembro de 1967)
“A Maldição de um Morto” (exibido em 8 de dezembro de 1967)
“O Quadro de Jesus” (exibido em 15 de dezembro de 1967)
“A Boneca de Natal” (exibido em 22 de dezembro de 1967)
“A Praga” (exibido em 29 de dezembro de 1967)
Observação: O enredo deste episódio foi aproveitado na história em quadrinhos “A Praga”, escrita Lucchetti, desenhada por Nico Rosso e publicada no número 2 da revista O Estranho Mundo de Zé do Caixão
“Aconteceu na Passagem de Ano” (exibido em 5 de janeiro de 1968)
“Prisioneira do Terror” (exibido em 12 de janeiro de 1968)
“Olho por olho” (exibido em 19 de janeiro de 1968)
“Mais Forte Que a Morte” (exibido em 26 de janeiro de 1968)
“O Fantasma do Ciúme” (exibido em 2 de fevereiro de 1968)
“A Chaga do Leproso” (exibido em 9 de fevereiro de 1968)
“Alucinação” (exibido em 16 de fevereiro de 1968)
“Quarta-Feira de Cinzas” (exibido em 23 de fevereiro de 1968)
“Dívida de Jogo” (exibido em 1º de março de 1968)
“O Guardião dos Mortos” (exibido em 8 de março de 1968)
“O Agiota” (exibido em 15 de março de 1968)
“O Estranho” (exibido em 22 de março de 1968)
“O Advogado da Alma” (exibido em 29 de março de 1968)
“Trinta Anos Depois” (exibido em 5 de abril de 1968)
“Sexta-feira 13” (exibido em 12 de abril de 1968)
Observação: O enredo deste episódio foi aproveitado na história em quadrinhos “Sexta-Feira 13”, escrita por Lucchetti, desenhada por Nico Rosso e publicada na revista Special Sexta-Feira 13
“Madame Belle” (exibido em 19 de abril de 1968)
“A Poltrona 29” (exibido em 26 de abril de 1968)
“O Maldito” (exibido em 3 de maio de 1968)
“O Cirurgião” (exibido em 10 de maio de 1968)
“E Agora, Doutor?” (exibido em 17 de maio de 1968)
“Preconceito” (exibido em 24 de maio de 1968).
Comentário: “Eu já havia escrito o roteiro de O Estranho Mundo de Zé do Caixão e, como durante a semana trabalhava como chefe de escritório de uma loja de ferragens pertencente a uns primos da minha mãe, reservava as tardes de sábado para visitar os estúdios do Mojica, na Rua Casimiro de Abreu, no Brás, onde ia a pé, uma vez que não ficavam muito distantes da minha casa. Num desses sábados, nos meados de 1967, tão logo alcancei o último degrau da velha escada de madeira que levava ao andar em que num passado pouco distante abrigara um centro espírita (antes, ali fora uma sinagoga) e que, agora, servia para o Mojica criar as mais alucinantes imagens já vistas no cinema brasileiro... Acho importante destacar que os estúdios estavam infestados por bichos a serem utilizados nos filmes: baratas, ratos, cobras (de vez em quando, uma das cobras comia um dos ratos). Parecia até um zoológico. Mas, como eu dizia: tão logo alcancei o último degrau da escada, vi Mário Lima, o principal assistente do Mojica, em cima de um caixote e fazendo uma espécie de discurso para um grupo de pessoas. O Mário parecia um deputado em época de eleição. A única diferença nesse caso era que os presentes, jovens e adultos de ambos os sexos, ouviam atentamente o que ele dizia. Pensando que o Mário estava dando instruções para um dos famosos ‘testes do Mojica’, dirigi-me ao escritório, que ficava próximo da escada. Assim que entrei, o Mojica veio ao meu encontro e disse que tinha assinado um contrato com a TV Bandeirantes para apresentar um programa semanal com histórias de Terror. Falou também que o Mário já havia começado a procurar atores para o tal programa. Em seguida, perguntou-me se eu gostaria de escrever os scripts desse programa. Recebi com grande entusiasmo a notícia e o convite. (...) O processo de criação dos scripts foi o mesmo usado para eu escrever o roteiro de O Estranho Mundo de Zé do Caixão: o Mojica me contava rapidamente uma ideia, um esboço de argumento – por exemplo: um sujeito é amaldiçoado por uma bruxa. Ele precisa de carne para sobreviver. Chega até a matar a própria esposa para vencer essa maldição –; e eu a desenvolvia. Depois, algumas histórias, como ‘Noite Negra’ e ‘A Praga’, foram também transformadas em histórias em quadrinhos da revista O Estranho Mundo de Zé do Caixão. (...) A produção de Além, Muito Além do Além era artesanal, os atores não eram profissionais... e os diretores do programa, Antonino Seabra e Mário Pomponet, conseguiram transportar para a TV o estilo primitivista dos filmes do Mojica.”
Rubens Francisco Lucchetti, numa entrevista dada a Marco Aurélio Lucchetti em dezembro de 2000

O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO (1968)
Série de TV exibida pela Rede Tupi de Televisão, Canal 4, de São Paulo, aos sábados, das 23 horas à meia-noite, com José Mojica Marins encarnando Zé do Caixão, o apresentador do programa. A cada episódio, era apresentada uma história de Terror, baseada supostamente em relato enviado por algum suposto telespectador (na verdade, as histórias eram inteiramente imaginadas por Lucchetti).
Foram exibidos doze episódios, que tiveram direção artística de Antônio Abujamra e direção de TV de Salatiel Coelho:
“O Açougueiro” (exibido em 15 de julho de 1968)
“A Lei de Talião” (exibido em 20 de julho de 1968)
“O Dedo Acusador” (exibido em 27 de julho de 1968)
“O Maldito” (exibido em 3 de agosto de 1968)
“O Passageiro do Quilômetro 13” (exibido em 10 de agosto de 1968)
“Cartas a um Desconhecido” (exibido em 17 de agosto de 1968)
“O Marginal” (exibido em 24 de agosto de 1968)
“A Vingança do Além” (exibido em 31 de agosto de 1968)
“As Quatro Mulheres do Senhor A” (exibido em 7 de setembro de 1968)
“O Medo” (exibido em 14 de setembro de 1968)
“O Poder da Verdade” (exibido em 21 de setembro de 1968)
“A Casa Que o Diabo Habitou” (exibido em 28 de setembro de 1968)
Observação: Parte deste episódio foi filmada in loco, em 16 mm.
Comentário:Além, Muito Além do Além era um dos programas mais vistos da TV Bandeirantes. Isso chamou a atenção dos diretores da TV Tupi, que, na época, era a principal emissora do país. Numa manhã, o Mojica apareceu em casa, dizendo que havia assinado um contrato com a Tupi. Não recebi a notícia com o mesmo entusiasmo de quando ele me falara de sua contratação pela Bandeirantes. Porque sabia que o programa sofreria uma transformação: iria tornar-se mais sofisticado. E o Mojica confirmou esse meu pensamento, falando: ‘Indo para a Tupi, não serei visto somente por aqueles que me admiram, mas também pelo público das classes A e B, que sempre me ignorou.’ Houve ainda uma modificação no esquema do programa: as histórias passaram a ser relatadas pelo próprio Zé do Caixão. E o programa, que passou a chamar-se O Estranho Mundo de Zé do Caixão, não ficou nem três meses no ar, porque não teve a audiência esperada. Devido à sofisticação, o Mojica perdeu seu público fiel, concentrado nas classes C, D e E... e não conseguiu conquistar as classes A e B, que sempre o ignoraram, que sempre acharam Zé do Caixão um personagem nojento. E, hoje, as pessoas, não importando a classe social delas, veem o Zé do Caixão como um personagem folclórico, ou melhor, como um palhaço. E uma das culpadas disso é a televisão. Essa televisão miserável, que se importa apenas com os índices de audiência. Essa televisão hipócrita e destituída de valores éticos e morais. Essa máquina de fazer imbecis. Outra culpada é a imprensa escrita. A televisão e a imprensa escrita de nosso país transformaram o Mojica e o Zé do Caixão em palhaços. Tenho visto os programas em que o Mojica é entrevistado ou participa como ator. É deprimente a forma como ele é tratado nesses programas. Tratam-no como se fosse um débil mental. O Mojica, porém, não percebe isso. Sua ingenuidade é muito grande. Ele consegue ser enganado com muita facilidade. A todo momento, deixa iludir-se por qualquer canto de sereia. (...) Na Bandeirantes, não houve censura alguma; já na Tupi, cinco scripts – ‘Feitiçaria’, ‘O Fabricante de Abat-jours’, ‘A Testemunha’, ‘Neurose’ e ‘O Morfético’ – foram censurados. Infelizmente, dos programas Além, Muito Além do Além e O Estranho Mundo de Zé do Caixão não existe mais nada, a não ser os meus scripts (tenho todos eles, guardados e encadernados), já que as fitas em que estavam gravados os episódios acabaram sendo reaproveitadas.”
Rubens Francisco Lucchetti, numa entrevista dada a Marco Aurélio Lucchetti em dezembro de 2000

DEU A LOUCA NA TEVÊ! (inédito)
Série de TV criada a pedido de Ankito e José Mojica Marins. Cada episódio, que teria a duração de meia hora, misturaria terror e humor e narraria uma aventura de um detetive particular trapalhão e um cientista maluco. O piloto da série chegou a ser escrito.
Comentário: “Era uma tarde de sábado de agosto de 1971. Eu estava sozinho em casa – minha mulher e meu filho tinham viajado para Ribeirão Preto – e preparava-me para escrever o roteiro de uma história em quadrinhos que deveria entregar ao Nico Rosso na segunda-feira. De repente, por volta das quinze horas, tocaram a campainha. Contrariado, fui atender; e, ao abrir a porta, vi o Mojica, acompanhado de um homem de baixa estatura e cujas feições não me eram estranhas. O Mojica foi logo dizendo: ‘Nem é necessário apresentar meu acompanhante, pois sei que você o conhece.’ Como eu estava com o pensamento concentrado totalmente no roteiro que tinha de escrever, não conseguia me lembrar de onde conhecia o homem que estava com o Mojica. Os dois entraram e sentaram no sofá, na sala de visitas, que ficava ao lado do meu escritório. Então, o Mojica disse o nome de seu acompanhante: Ankito, que trabalhara em diversas chanchadas (Metido a Bacana, É de Chuá, Pé na Tábua, Garota Enxuta, Pistoleiro Bossa Nova, Um Candango na Belacap, entre outras) e era um cômico por demais conhecido. Imediatamente, perguntei-me a razão daquela visita. A resposta me foi dada pelo Mojica, ao dizer que tinha uma novidade para me contar: ele e o Ankito desejavam realizar um programa para a TV Bandeirantes. Em seguida, o Mojica explicou que esse programa misturaria humor e terror. Explicou também que ele interpretaria um cientista maluco e o Ankito representaria um detetive particular trapalhão. Falou ainda que os scripts seriam escritos por mim. Quando terminou de dar essas explicações, o Mojica me pediu que mostrasse ao Ankito alguns de meus trabalhos. Fui até o escritório e peguei algumas revistas pulp (Policial em Revista, X-9, Meia-Noite, Suspense) com contos meus, algumas publicações (Série Negra, Mistérios, A Cripta, O Estranho Mundo de Zé do Caixão, Histórias Que o Povo Conta) criadas por mim e vários volumes encadernados com scripts radiofônicos e roteiros cinematográficos que eu havia escrito. Lembro que o Ankito examinou demoradamente as revistas e folheou um a um os volumes encadernados. Depois, o Mojica quis que eu fosse buscar as publicações européias e norte-americanas das quais eu era correspondente. Não entendi o motivo de todos aqueles pedidos; aos poucos, porém, fui notando uma total mudança no comportamento do Ankito. Até então, ele tinha ficado em silêncio, olhando-me sério, como se estivesse me analisando. Subitamente, quebrou o silêncio e disse: ‘Lucchetti, o Mojica me falou muito sobre você. Disse-me que era um roteirista talentoso e um dos maiores conhecedores de histórias fantásticas e policiais. Devo confessar que pus em dúvida as palavras dele, já que nunca tinha lido nada seu nem ouvira nada a seu respeito. Para mim, você era um completo desconhecido. Mas, vendo, agora, o volume de seu trabalho, não posso deixar de falar uma coisa: se estivéssemos nos Estados Unidos, não seria nada fácil conversar com você. Para eu chegar até você, teria de falar antes com duas ou três secretárias extremamente chatas e precisaria marcar nosso encontro com pelo menos um mês de antecedência. Infelizmente, estamos no Brasil, um país onde os verdadeiros artistas não têm valor algum.’ Foi, a partir desse momento, que reconheci o Ankito que eu tinha visto nos filmes. Ele levantou-se e fez uma imitação do Peter Sellers: colocou a mão dentro de um jarro e fingiu que não conseguia tirá-la. Uma cena hilariante. Depois desse dia, o Ankito e eu nos tornamos amigos; e ele, sempre acompanhado de sua bela esposa, visitava constantemente minha casa. (...) Baseando-me na história em quadrinhos ‘O Fabricante de Abat-jours’ – escrita por mim e desenhada pelo Nico Rosso, essa história em quadrinhos foi publicada no segundo número da revista Zé do Caixão no Reino do Terror –, cheguei a escrever o script do piloto do programa que o Ankito e o Mojica tencionavam realizar. Pelo que me recordo, o script foi apresentado à TV Bandeirantes. Os meses se passaram, e eu me mudei para o Rio de Janeiro. Uns quatro meses depois de minha mudança para o Rio, recebi um telefonema do Ankito. Ele, então, me informou de que o programa, ao qual eu dera o nome de Deu a Louca na Tevê!, ainda estava em estudos. Foi a última vez que conversamos. Muitos anos mais tarde, tive o prazer de vê-lo interpretando o pai da personagem Glória Campos, no filme O Escorpião Escarlate.”
Rubens Francisco Lucchetti, numa entrevista dada a Marco Aurélio Lucchetti em dezembro de 2000


RUNAMB, A MÚMIA VIVA (inédito)
Série de TV criada a pedido do diretor Walter Avancini. Uma sinopse da série chegou a ser escrita.
Comentário: “No início de 1983, recebi um telefonema do Ivan. Pensei que ele fosse falar a respeito do nosso novo filme, As Sete Vampiras. Mas não foi para isso que ele havia ligado, e sim para me dizer que a Rede Globo de Televisão queria que realizássemos um seriado com a múmia. Seria um seriado destinado às crianças e aos adolescentes, pois, segundo uma pesquisa feita pela Globo, o público infantojuvenil fora atraído para as portas dos cinemas que exibiram O Segredo da Múmia. Quando o Ivan me contou isso, fiquei entusiasmado e disse-lhe que seria fácil escrever imediatamente uma sinopse do seriado. Então, ele falou: ‘Calma, calma. Antes de fazer a sinopse, teremos de participar de uma reunião com o Walter Avancini. É ele quem dará as diretrizes do seriado.’ Ao ouvir isso, meu entusiasmo arrefeceu. Alguns dias depois, fui a São Paulo, para participar da tal reunião. Ela foi realizada nas dependências do Núcleo Santana, que, na época, cuidava da produção da minissérie Anarquistas Graças a Deus; e estavam presentes, além de mim, o sr. Walter Avancini, o Ivan, o jornalista Daniel Más e um rapaz apaixonado por teatro e contratado da Globo. Durante a reunião, mais ouvi do que falei; e os poucos palpites que dei foram rebatidos pelo sr. Walter Avancini. No final da reunião, ficou decidido que nós quatro (o Ivan, o Daniel Más, o rapaz apaixonado por teatro e eu) teríamos à nossa disposição uma casa, onde escreveríamos a sinopse do seriado. Não gostei disso, pois não estou acostumado a trabalhar em equipe. Trabalho melhor sozinho, entre as quatro paredes do meu escritório. Além do mais, se a múmia fora criada pelo Ivan e por mim, por que teríamos de ficar ouvindo baboseiras de quem não tinha relação alguma com o personagem e não entendia nada de histórias fantásticas? Fiquei irritado logo no primeiro dia de trabalho. (...) Nossas primeiras reuniões – aliás, as únicas que ocorreram – de trabalho foram realizadas na residência do Daniel Más, já que a casa que a Globo alugara para nós precisava de uns pequenos reparos. A todo momento, o Daniel Más recebia telefonemas particulares. Isso atrapalhava nossa concentração. E, nos raros momentos que podíamos tratar da sinopse, ele falava como se fosse o dono da múmia; e minhas ideias e sugestões não eram levadas a sério. Numa noite, após o jantar, conversei longamente com o Ivan sobre o andamento do projeto. Abre um parêntese. Estávamos hospedados num hotel cinco estrelas. Fecha o parêntese. Durante essa conversa, ocorrida em meu quarto no hotel, eu falei para o Ivan que aquelas reuniões estavam me irritando. Ele procurou me acalmar, dizendo: ‘Tenha um pouco de paciência. Esse é um projeto grandioso.’ Tentei seguir o conselho dele; porém, na tarde do dia seguinte, minha paciência esgotou-se. Não aguentei ver minhas idéias continuarem sendo menosprezadas por uma pessoa que não entendia coisa alguma de Horror/Terror. Em determinado momento que fiquei a sós com o rapaz apaixonado por teatro, disse-lhe que ia tomar um refrigerante no bar que havia na esquina. Peguei minha mala, que estava sempre comigo; fui até o bar; tomei o refrigerante; e comecei a rememorar os acontecimentos dos últimos dias. Foi quando vi, parado em frente ao bar, um ônibus com a porta aberta. Não pensei duas vezes e entrei no ônibus. Não queria nem saber para onde ele ia. Só queria voltar para casa. O ônibus me levou até a Praça do Patriarca, no centro de São Paulo. Ali, peguei um táxi e pedi ao motorista que me levasse até a rodoviária. Lembro que chovia torrencialmente. (...) Assim que cheguei à rodoviária, embarquei no primeiro ônibus para Ribeirão Preto. No dia seguinte, logo pela manhã, o Ivan ligou furioso para minha casa. Quem conversou com ele foi minha mulher. Só fui falar com o Ivan uns dois dias depois. Nessa ocasião, ele já estava calmo; e ficou combinado que eu escreveria sozinho a sinopse do seriado. Escrevi a sinopse e mandei-a para o sr. Walter Avancini, que nunca me deu resposta.”
Rubens Francisco Luccchetti, numa entrevista dada a Marco Aurélio Lucchetti em dezembro de 2000

A MANSÃO DOS TREZE CONDENADOS (inédito)
Observação: Imaginado por Lucchetti em 2009, A Mansão dos Treze Condenados é um reality show de Suspense.

O JOGO DAS PALAVRAS (inédito)
Observação: Imaginado por Lucchetti em 2010, O Jogo das Palavras é um game show.