Ano 4 - nº 14 - outubro/dezembro de 2012

DRÁCULA, VAMPIRO OU HERÓI NACIONAL?



Para os fãs de livros e filmes de Horror, Drácula é o vampiro noturno que bebe o sangue de suas vítimas. Porém, de acordo com Radu Florescu, professor do Boston College e especialista em história da Romênia e da Europa Oriental, Drácula – ou Vlad Tepes (Vlad o Empalador), como era chamado no século 15 –, é um herói nacional para os romenos, que acreditam que ele livrou o país da invasão dos turcos.
“Ele não era um assassino irracional. Matou os turcos porque eles estavam ameaçando o país de extinção”, afirma Florescu, que já escreveu artigos e livros a respeito do homem que existe por trás do mito de Drácula. Seu último trabalho, Dracula, Prince of Many Faces. His Life and Times, aborda, principalmente, as diferentes visões européias do abominável príncipe da Valáquia.
O verdadeiro Drácula nasceu na Transilvânia, em 1431, e governou a Valáquia em três períodos distintos. O apelido Drácula, que em romeno significa “filho do dragão” ou “filho do diabo”, surgiu por causa de seu pai, Vlad II, pertencer à Ordem do Dragão, uma organização religiosa e militar dedicada a combater os turcos infiéis.
Drácula era cruel e matou muitas pessoas. E seu método favorito de matar era a empalação. “Essa técnica não foi inventada por ele, mas aprendida com os próprios turcos”, acrescenta Florescu.
O tratamento que Drácula dispensou aos turcos não ofendeu seus colegas da Europa Ocidental, que estava em guerra com seus agressivos vizinhos muçulmanos. Contudo, Drácula também usou a tortura para subjugar as ambições da nobreza local.
“Ele matou alemães e pessoas desonestas ou preguiçosas, para manter a lei e a ordem. Matou, também, a aristocracia, porque esta ameaçava impor um estado anárquico”, explica o professor. Os romenos o achavam cruel, porém justo.
Os alemães, contudo, tinham opinião um pouco menos indulgente. Revoltados com a perseguição de Drácula, resolveram vingar-se e retrataram-no como um homem sedento de sangue – no sentido literal da expressão.
A lenda foi exagerada, após a morte de Drácula – morte essa ocorrida em 1476 –, principalmente pelos escritores alemães, que se aproveitaram do advento da impressão e aumentaram a história do vampiro para vendê-la sob a forma de panfletos.
E foi essa versão que Bram Stoker, escritor inglês do século 19, incorporou a seu clássico romance.
Desde então, Drácula vem tendo muitas e diferentes personificações no Cinema – da hedionda criatura em Nosferatu, Uma Sinfonia do Horror (1922) ao cômico conde interpretado por George Hamilton na comédia romântica Amor à Primeira Mordida (1979).
Florescu atribui a atual atração que o personagem vem exercendo a duas coisas: à imortalidade dos vampiros e à nostalgia que ele inspira.
“Ele está conosco há muito tempo, e seu aspecto cruel é subproduto de uma sociedade violenta”, afirma o professor. “Drácula é a aristocracia personificada. O mito se autoperpetua”, acrescenta.
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O estudioso Florescu também vê em Drácula o símbolo de uma época de grande unidade, quando as pessoas de toda a Europa Ocidental abriram mão de suas diferenças para combater o inimigo comum.
“Existia um maravilhoso senso de unidade, quando as pessoas se viam como representantes da fronteira da cristandade”, finaliza ele.

 

Este texto foi transcrito de uma notícia de jornal