Ano 4 - nº 14 - Outubro/Dezembro de 2012


O FILME DO MÊS:








artigo de Rubens Francisco Lucchetti

O QUE DIZEM SOBRE RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI

José Mojica Marins: Se eu tiver de “embarcar” amanhã, tem o Rubens Francisco Lucchetti, que considero um dos maiores roteiristas deste país. Ele está pronto para dar continuidade ao meu trabalho.
Brás Henrique: A trajetória de Rubens Francisco Lucchetti (...) é extensa e até mereceu verbetes em enciclopédias e estudos universitários. (...) No entanto, Lucchetti tem de conviver com a indiferença dos próprios parentes, que chegam ao cúmulo de perguntar-lhe: “Além disso (escrever), que mais você faz?”
Ana Rita Freitas & Gonçalo Silva Júnior: Rubens Francisco Lucchetti vive a aventura de ser escritor num país que despreza descaradamente sua arte e seus artistas, quase sempre trocados – hoje mais do que nunca – por produtos enlatados e impostos por uma mídia massificante.
Josette Monzani: Reforçando nossa hipótese da presença dos ideais românticos do século 19 no cinema de Mojica, lembramos aqui a profícua parceria deste com o escritor e roteirista Rubens F. Lucchetti, “pai” da literatura de Horror e Suspense no Brasil e “quase” um avatar de Edgar Allan Poe.
Raimundo Souza Dantas: Rubens Francisco Lucchetti, um brasileiro que escreve ótimos contos policiais.
Mário Curvello: Rubens Francisco Lucchetti segue as pegadas dos clássicos, dando-nos uma viva impressão do meio em que se desenrola a trama. Até mesmo os nomes das personagens contribuem para isso, bem como o método adotado na confecção do trabalho. Rubens promete, sem dúvida.
Milton Júlio: Destacamos principalmente o conto “A Biblioteca”, em que se nota no autor alguma semelhança com Edgar Allan Poe. Nota-se que, sem dúvida, Lucchetti sofre grande influência do genial escritor americano.
J. W. Seixas Santos: Rubens Francisco Lucchetti tem publicado, em revistas especializadas no gênero policial, inúmeras histórias. (...) Com habilidade, segurança e perfeito domínio do tema, Lucchetti trata de “mistérios” que se desenrolam numa atmosfera de expectativa e tensão. Ele é um virtuose do suspense.
Alex Viany: Rubens Francisco Lucchetti, sem dúvida, um dos maiores estudiosos brasileiros da obra de Carlitos.
Rudolf Piper: Em 1963, a Editora Outubro, de São Paulo, lançou um pocket book, Noite Diabólica, que reunia uma série de contos de R. F. Lucchetti (...). Esse volume, aparentemente despretensioso, foi o primeiro livro de Terror escrito no Brasil. (...) Na verdade, é de se estranhar que o nome de Rubens Francisco Lucchetti tenha sido omitido dos esparsos trabalhos sobre Horror/Terror lançados no Brasil, já que publicações estrangeiras, como CTVD: Cinema - Tv - Digest,  Miroir du Fantastique, Tintin, Terror Fantastic, não se têm esquecido de citar e apontar seu nome como um dos mais elaborados autores de histórias de Terror da atualidade.
Cosme Alves Netto: Rubens F. Lucchetti, roteirista preferido dos cineastas José Mojica Marins e Ivan Cardoso e de desenhistas como Nico Rosso, é recriador e atualizador delirante de toda uma mitologia do Horror (múmias, vampiros etc.).
José Edson Gomes: Girando por Ribeirão Preto – agradável estância paulista, antes muito conhecida pelos cafezais, hoje pela cana de açúcar e indústrias –, fiz uma visita ao mago das histórias de Terror no Brasil, roteirista predileto de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e de Ivan Cardoso, o vampirólogo. Aliás, vampirólogo é o Rubens Francisco Lucchetti, o homem que visitei em Ribeirão Preto. Ali, na Avenida Santa Luzia, num bairro nobre, burguês, o Lucchetti, dentro de sua biblioteca, que é praticamente maior do que a casa grande onde mora, escreve sem parar sobre múmias, dráculas, fantasmas, detetives  ingleses, vampiros e, tendo tempo, horóscopos e livros de ocultismo. (...) Se brasileiros não sabem quem é R. F. Lucchetti, algumas revistas estrangeiras sabem. E uma delas, a mais importante, a Miroir du Fantastique, editada em Paris, traz em seu número 15 uma página dupla com muitas ilustrações e texto sobre a dupla Lucchetti-Nico Rosso, que, segundo a revista, está entre os maiores autores de Terror do mundo.
Geraldo Maia Campos: Eu passei a maior parte da minha vida entre doutores entulhados de diplomas até a garganta. Mas, quando tenho escolha, prefiro passar uma tarde batendo papo com meu grande amigo Rubens Francisco  Lucchetti, que não tem título nenhum, mas é a coisa mais parecida com um gênio que já conheci.
Áurea Lopes: Rubens Lucchetti teve tantos pseudônimos que às vezes tem dificuldade em identificar se um texto é seu. E tudo isso porque, desde  os nove anos de idade, gosta de ler e escrever. Não cursou faculdade alguma. (...) Trabalhou na imprensa, no rádio, no cinema. Fez de tudo em termos de jornalismo e literatura. Publicou um conto na revista de Hitchcock. (...) Filho de Santa Rita do Passa Quatro, conserva a ternura interiorana, apesar da produtividade em ritmo cosmopolita. Sua criatividade é infinita e sua versatilidade encanta.
Nelson Motta: (...) R. F. Lucchetti é nada mais nada menos que o roteirista predileto do Zé do Caixão. Além de novelista inveterado (...), dedica-se também às histórias em quadrinhos e ao desenho animado. Como quadrinhista, ele formou dupla com os maiores desenhistas do país, já tendo trabalhado para A Cripta, O Estranho Mundo de Zé do Caixão e outras. Ganhou, em 1963, um prêmio na França, pelo filme de animação Tourbillon, realizado em parceria com o artista plástico Bassano Vaccarini.
Paulo Rangel: Tenho ouvido o nome de Rubens Francisco Lucchetti nos lugares  mais díspares do mundo: Piripiri (Piauí), em São Luís (Maranhão), em Campos do Jordão, em Roma, Paris e Rio de Janeiro.
Jotabê Medeiros: Todo o Terror brasileiro passa por Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. É lá que mora um homem chamado Rubens Lucchetti, escritor de um tempo em que não se usava a palavra trash para dar invólucro chique ao gênero aterrorizante. Além de carregar o título de papa do Horror, ele escreveu quase mil livros de gêneros diversos (Suspense, Policial, Ficção Científica) e mais de duas dezenas de roteiros para filmes.
Divo Marino: Rubens Francisco Lucchetti escreveu dezenas e dezenas de novelas policiais, de Terror e de Ficção Científica (...) e artigos sobre Comics e Cinema. Lucchetti representou, no jornal A Palavra, com seus trabalhos sobre a arte cinematográfica, um especial momento de erudição. Em sua crônica semanal intitulada “Cinema”, com dimensões críticas e fins pedagógicos, “inventariou os melhores filmes do mundo”.
Jayme Cortez: Lucchetti, tenho você na mais alta conta, não só como amigo, mas também como um autor que está entre os maiores nomes da literatura de Horror e Mistério
Fábio Santoro: Compreender o fenômeno Rubens Francisco Lucchetti demanda um mergulho profundo na amarelidão sépia do papel de polpa de madeira que acolhe, em impressão borrada, as melhores narrativas policiais e de Suspense, thrillers e histórias góticas e tétricas dos maduros verdes anos; exige uma meditação e análise da imagem noir dos detetives da tela, mesmo os vitorianos, a se moverem entre sombras acirradas da RKO  e da Universal, ou sobre as criaturas monstruosas ou menos distorcidas que acentuaram indelevelmente os Bs das noites mornas de Ribeirão Preto e do mundo de antanho; comporta uma panorâmica dos quadrinhos, mais para o classicismo do que as modernosas novelas gráficas, entrecortadas de Sombras, Sherlocks, Simones Simons, as eternas panteras, sanguinárias e de curso ilimitado, e Carlitos a dançar com Edna Purviance e com Georgia Hale na tela do Firmamento; requer algumas toneladas de livros e revistas, reunidas num só volume biográfico, de complexidade tão intrincada, combinando todos os meios de contar ficção, que só mesmo seguindo linha por linha, quadrinho por quadrinho, fotograma por fotograma, acorde por acorde, estrela por estrela dessa galáxia cultural. (...) Convém notar que o tarimbado roteirista não faz concessões nacionalistas em seus escritos. Fica à vontade por inteiro, deixando claras as influências que recebeu de culturas alienígenas, com absoluta sinceridade ou honestidade, quer no que diz respeito a lugares, nomes e hábitos, quer no tocante a temas, formas e estilos. Parece que Lucchetti optou por um universalismo típico dos escritores sem amarras a ideologias políticas, para o desagrado dos prosélitos dessas querelas. (...) Ele é, antes de tudo, um autor de ficção, livre e desembaraçado. Amplo. E se, no âmbito literário, ainda não foi suficientemente reconhecido, o tempo, o nosso velho ampulhetal (...), encarregar-se-á de deitar os pingos nos is e dar louros a quem merece.
Carlos Primati: Rubens Francisco Lucchetti – prolífico escritor pulp e roteirista premiado pelo trabalho no rádio e, posteriormente, no Cinema – formou com Nico Rosso a mais importante parceria dos quadrinhos nacionais de Terror. A dupla incursionou pelo vampirismo em incontáveis ocasiões, destacadamente em 1968, ao lançar pela Taika o gibi de luxo A Cripta, dentro da coleção Seleções  de Terror. Cada uma das cinco edições trazia como atração principal uma história em quadrinhos com cerca de trinta páginas do vampiro Nosferatu, criado por Lucchetti. Combinando características de feiticeiro e íncubo, Nosferatu tinha argumentos sofisticados, valorizados ainda mais pelas planificações rigorosamente estudadas e o exuberante traço de Nico.
Josette Monzani: O universo a que Lucchetti remete é o dos quadrinhos de Suspense e Terror, dos pulps, dos seriados radiofônicos, dos pockets books e de uma correspondência estilística com Poe – parentesco esse que corresponde a uma ligação mais profunda do que mero respeito, influência e ou conhecimento da obra. Lucchetti contribuiu com a introdução da estética de Poe até nós, inseriu seu sangue em nossa tradição.
Andréa Beltrão: O Escorpião Escarlate. Com ele, ganhei o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Natal, em 1990. Eu adoro o roteiro desse filme, que é do Rubens Lucchetti, um roteirista genial, craque em histórias policiais e de Terror. (...) Lucchetti, por onde você anda? Saudades dos seus roteiros maravilhosos.
Ivan Cardoso: Acho o Lucchetti um dos maiores roteiristas do cinema brasileiro. Ele usa a linguagem do cinema americano.
Jota Pingo: A imaginação febril de Lucchetti é impressionada pelos velhos castelos, pelas casas decrépitas, pelas cavas úmidas e pelos corredores escuros por onde sopram os ventos do Além, pressentindo presenças fantasmais, lugares tais que ele jamais visitou mas que neles trafega com a mesma desenvoltura de quem lá sempre esteve.
Franco de Rosa: As histórias do Lucchetti são incomuns. Ele é muito cuidadoso e rigoroso com seu próprio trabalho. Um mestre da Literatura. (...) Rubens Francisco Lucchetti é o autor das histórias em quadrinhos mais fascinantes que conheci.
Eugênio Colonnese: Para você, Rubens ser um autor inglês, falta somente o cachimbo. O resto você tem tudo, inclusive a indumentária: calça de lã e paletó Príncipe de Gales.
Nico Rosso: Rubens, você me faz recordar de um outro amigo, o Emilio Salgari, um escritor com uma imaginação fértil igual à sua. Infelizmente, ele nunca foi reconhecido pelos editores que ajudou a enriquecer.

QUEM É QUEM

Alex  Viany (Almiro Viviani Fialho, 1918-1992) – crítico de Cinema
Ana Rita Freitas & Gonçalo Silva Júnior – jornalistas
Andréa Beltrão – atriz
Áurea Lopes – secretária de redação da revista Ação Policial
Brás Henrique – jornalista
Carlos Primati – jornalista, pesquisador e crítico
Cosme Aves Netto (1937-1996) – curador da Cinemateca do MAM do Rio de Janeiro
Divo Marino – escritor, jornalista e professor universitário
Eugênio Colonnese (1929-2008) – ilustrador e quadrinhista
Fábio Santoro – pesquisador de Cinema e Quadrinhos
Franco de Rosa – jornalista, editor e pesquisador de Quadrinhos
Geraldo Maia Campos (1932-2007) – escritor e professor universitário
Ivan Cardoso – cineasta
Jayme Cortez (1926-1987) – ilustrador, pintor e quadrinhista
José Edson Gomes – jornalista, escritor e dramaturgo
José Mojica Marins – cineasta
Josette Monzani – professora universitária
Jotabê Medeiros –  jornalista
Jota Pingo (Carlos Augusto de Campos Velho, 1946?-2012) – ator e diretor de teatro
J. W. Seixas Santos – advogado e escritor
Mário Curvello – secretário da Policial em Revista
Milton Júlio – secretário da revista Emoção
Nelson Motta – jornalista, escritor e compositor
Nico Rosso (1910-1981) – ilustrador, pintor, quadrinhista e bateirista
Paulo Rangel (1931-1996) – escritor e dramaturgo
Raimundo Souza Dantas (1923-2002) – escritor
Rudolf Piper – pesquisador

FOLHETIM

 


CARMILLA

Em toda e qualquer relação de autores de histórias de vampiros não pode faltar o nome do irlandês Joseph Sheridan Le Fanu (1814-1873).
Le Fanu foi o criador da célebre vampiresa Carmilla Karnstein, cuja história continua sendo publicada na íntegra, em capítulos, no Jornal do Cinema.
AS MÁSCARAS DO PAVOR
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
O FANTASMA DE GREENSTOCK
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
OS AMANTES DA SENHORA POWERS
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
NÚMERO ESPECIAL SOBRE
RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI
FAZENDO AS VEZES DE INTRODUÇÃO
por Marco Aurélio Lucchetti
“O IMPORTANTE É SABER AONDE VOCÊ QUER IR”
por Rubens Francisco Lucchetti
BIBLIOGRAFIA (SELECIONADA) DE RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI
por Marco Aurélio Lucchetti
FILMOGRAFIA DE RUBENS FRANCISCO LUCCHETTI
por Marco Aurélio Lucchetti
MADRUGADAS
por José Edson Gomes
O DENOMINADOR (IN)COMUM DO CINEMA
por Bernardo Vorobow
PROCESSOS DO MISTER E DO MISTÉRIO
por Carlos Adriano
RUBENS – O CAVALEIRO OCULTO
por Luiz Maranhão Filho
R. F. LUCCHETTI, O PIONEIRO DO HORROR BRASILEIRO
por Carlos Primati
R. F. LUCCHETTI, O MONSTRO DE MIL CABEÇAS
por Paulo W. Duarte
LUCCHETTI, O GÊNIO DOS GÊNIOS
por José Mojica Marins
R. F. LUCCHETTI, O LOVECRAFT DE RIBEIRÃO PRETO
por Ivan Cardoso
MEU AMIGO R. F. LUCCHETTI
por Rafael Spaca
TUDO COMEÇOU COM UM TELEFONEMA
por Valter Martins de Paula

UM FILME,
UMA CRÍTICA

por Edmar Pereira

AS SETE VAMPIRAS


(...) é uma salada e tanto de Cinema. Quem curte e é íntimo terá um prazer adicional neste segundo longa-metragem de Ivan Cardoso.
AS MUSAS DO CINEMA
Filha do ator Klaus Kinski e da poetisa Ruth Brigitte, Nastassja Kinski nasceu em Berlim, em 24 de janeiro de 1960; e estreou no Cinema aos quatorze anos, em 1975, no filme Movimento em Falso (Falsche Bewegung), de Wim Wenders.
O DIA EM QUE ESBARREI EM EVELYN ANKERS
por Rubens Francisco Lucchetti
O ESCORPIÃO ESCARLATE O ROTEIRO ORIGINAL
por Rubens Francisco Lucchetti
HOMENAGENS E CITAÇÕES NO ROTEIRO DE O ESCORPIÃO ESCARLATE
O ESCORPIÃO ESCARLATE DO SCRIPT RADIOFÔNICO AO ROTEIRO CINEMATOGRÁFICO
O ESCORPIÃO ESCARLATE – DO ROTEIRO À TELA
por Josette Monzani
O ESCORPIÃO ESCARLATE – O FILME
por Ivan Cardoso
 
SUPLEMENTO
A CRIAÇÃO DE MIRZA
por Eugênio Colonnese
MIRZA A MULHER VAMPIRO
artigo de Marco Aurélio Lucchetti
QUE É UM VAMPIRO?
DRÁCULA, VAMPIRO OU HERÓI NACIONAL?
O TICO-TICO INSATISFEITO
por Rubens Francisco Lucchetti
REFLEXÕES
por Rubens Francisco Lucchetti
MIRAGEM
por Rubens Francisco Lucchetti
REBECA
por Rubens Francisco Lucchetti