Ano 4 - nº 13 - junho/setembro de 2012

SALA
François Vidoc
tradução e versão: Marco Aurélio Lucchetti
ilustração: Ray Moore



Sala... Quando se pronuncia seu nome, os lábios emitem um silvo e a língua encosta docemente no palato.
Sala... Evocação de indolentes noites javanesas, aromas voluptuosos, prazeres refinados que só um homem (e mascarado) não quer ou não ousa desfrutar.
Sala... Beleza cruel para ser apreciada aos poucos, como se fosse uma bebida de gosto um tanto amargo.
Sala... Prazer e transgressão, eflúvios inebriantes, volúpia escondida.
Sala... Uma soberba e fascinante figura do mais puro e genuíno erotismo.
Sala... Apenas duas tiras verticais de pano cobrem seus viçosos seios, que são do tamanho ideal para serem acariciados ternamente; e, ao fazer um gesto mais brusco, as laterais de seu vestido se abrem, deixando entrever que não usa calcinha.
Sala... Fronte oculta pela escura franja, traços indo-europeus, desprezo e frieza no olhar.
Sala... Uma mistura de animal selvagem e odalisca.