Ano 4 - nº 13 - junho/setembro de 2012

O HOMEM DO BRAÇO DE OURO
Pauline Kael



A atuação de Frank Sinatra é ouro puro; mas o diretor, Otto Preminger, apela para o sensacionalismo. O filme funciona; porém, de uma maneira espalhafatosa, hiperbólica e datada. Contudo, é muito mais interessante que os outros filmes contemporâneos sobre vício de drogas. Os outros tentaram tratar o vício com muita cautela, com explicações edificantes de traumas de infância ou uma visão realista do ambiente do viciado. Aqui, a ênfase é no delírio. O filme baseia-se no romance de Nelson Algren, passado em Chicago, sobre um crupiê de pôquer viciado. A atuação de Sinatra é ritmada, tensa , instintiva mas otimamente controlada; e, claro, ele tem presença de ator. A personagem de Eleanor Parker está de algum modo fora de contexto; mas, em seus próprios termos, tem certo apelo. A Molly de Kim Novak mostra uma beleza burra e sofredora muito comovedora.

 

O Homem do Braço de Ouro (The Man with the Golden Arm, 1955, 119')
Direção: Otto Preminger
Roteiro: Walter Newman & Lewis Meltzer, baseando-se no romance homônimo de Nelson Algren
Música: Elmer Bernstein
Títulos: Saul Bass
Elenco: Frank Sinatra, Eleanor Parker, Kim Novak, Arnold Stang, Darren McGavin, Robert Strauss, Doro Merande, George E. Stone
Disponível no Brasil em DVD
Distribuidora: Continental

 

Este texto foi extraído do livro 1001 Noites no Cinema (5001 Nights at the Movies, tradução de Marcos Santarrita & Alda Porto, seleção de Sérgio Augusto, São Paulo, Companhia das Letras, 1994, p. 224), de Pauline Kael