Ano 4 - nº 13 - junho/setembro de 2012

CARTAS TROCADAS
Kim Novak



Quando eu estava no Ginásio, tinha mania de discos. Comprava todos que podia, principalmente os de Frank Sinatra.
Mas na minha cidade havia um cantor também chamado Frank, cuja voz eu não suportava. Ele cantava em toda parte: nas festas do colégio, nos night-clubs locais, nos bailes de fim de ano etc. E pensava que sua voz era um sucesso, principalmente entre as garotas.
Certa noite, resolvi escrever duas cartas: uma para Frank Sinatra, elogiando sua voz; e outra para o Frank local, arrasando-o. Nas duas cartas, disse exatamente o que pensava. Coloquei ambas no correio, e uma semana depois recebia um telefonema do agente de publicidade do nosso cantor local. Ele perguntou-me se eu já havia lido o jornal do dia e, como eu respondi que não, aconselhou-me que o lesse.
Comprei o jornal e descobri que minha carta para o cantor tinha obtido o primeiro lugar num concurso que eu nem conhecia. E o prêmio era sair uma noite em companhia do tal cantor!
Nem precisarei explicar que trocara as cartas na hora de colocá-las nos respectivos envelopes!

 

Este texto foi transcrito do número 116 da revista Cinelândia (Rio de Janeiro, Rio Gráfica, 1ª quinzena de setembro de 1957, pp. 21-22)