Ano 4 - nº 13 - Junho/Setembro de 2012

O QUE DISSERAM SOBRE HOLLYWOOD

Candice Bergen: Hollywood (...) não é um lugar que estimule a longevidade dos relacionamentos. Porque (o Cinema) é uma indústria que favorece um monte de neuroses e de narcisismo nas pessoas. Lá, é fácil perder de vista o que é importante. A aparência é o que conta. Você começa a assumir diversos rostos, até desaprender a usar só o seu. É difícil quando se trabalha em filmes. (...) As falas da realidade começam a ficar misturadas. Já filmei muitas vezes em locações, e a loucura nelas é além de qualquer imaginação. Toda regra de conduta fica suspensa. As pessoas podem se tornar irreconhecíveis, quando são cortadas de seus ambientes normais. Ficam literalmente piradas. (...) De repente, você está na cama, tendo em cima um sujeito com quem você não gostaria de tomar sequer um táxi. Você passa a metade do dia naquela situação e com todo mundo olhando. A maioria das pessoas não se incomoda com isto, do jeito que eu me incomodo. Eu também não me incomodaria, se fosse com alguém de quem eu gostasse ou que me atraísse – mas, mesmo assim, ainda seria meio maluco.
David Sheff: Poderia dar um exemplo?
Candice Bergen: Numa cena de um filme que fiz com direção (da italiana) Lina Wertmuller (o filme em questão é Dois na Cama numa Noite de Chuva, realizado em 1977), eu estava sendo seduzida no banco de trás de um carro por Giancarlo Giannini. Ela queria que eu mostrasse um peito. Então, eles passaram horas tentando iluminar aquele peito. E eu ali, com o peito voltado para a câmara; uma enorme confusão por causa de um peito, e todo mundo olhando para aquele peito. Que coisa esquisita! Já em Quando É Preciso Ser Homem (um western produzido em 1970 e dirigido por Ralph Nelson), tiveram de tirar um molde de meus seios, para fazer com que eles parecessem maiores. Construíram um par de seios de borracha para aplicar sobre os meus, porque estava previsto que a minha personagem era peituda. Pois bem, eu tinha 23 anos... e ali estava um sujeito besuntando os meus seios com uma geléia gosmenta, a fim de aplicar gesso para tirar um molde – que coisa!
David Sheff: Você estava falando de como as pessoas ficam loucas quando filmam longe de casa.
Candice Bergen: Vocês não podem imaginar o que é uma locação! Parece que todo mundo enlouquece. As pessoas pensam que estão apaixonadas só porque estão muito ligadas temporariamente. Acontecem milhares de paixões aparentemente eternas – e três meses depois está tudo acabado. Tudo ali estimula a infidelidade. (...) A coisa se dá um pouco porque você procura alguém para se agarrar... por estar numa terra estranha. Você se vê em lugares fora da realidade – como Formosa (também conhecida como Taiwan), onde passei quatro meses, aos dezenove anos, filmando O Canhoneiro do Yang-Tsé (com Steve McQueen). (...) Anos mais tarde (1974), eu estava em outra locação, desta vez no Novo México, filmando O Risco de uma Decisão (nesse filme, dirigido por Richard Brooks, Candice Bergen interpretava uma prostituta sensual e de seios grandes). Ficamos confinados num rancho, no meio de lugar nenhum. Os texanos ricos apareciam para caçar alces – botavam palha na estrada para atraí-los e os fuzilavam, enquanto jantávamos. Um dos atores teve um colapso nervoso. (...) Outro sujeito teve um ataque cardíaco e foi levado numa ambulância. E algumas mulheres que estavam interpretando prostitutas começaram a viver o papel. As pessoas literalmente piraram.
Tim Burton: Hollywood é um lugar irreal. Não há sentimentos (...).
Philip Kaufman: (...) morei em Los Angeles durante seis anos e simplesmente não conseguia levar adiante nenhum projeto de filme. Foram anos de agonia, tentando entender o que Hollywood queria.
David Lynch: Em Hollywood, o realizador é freqüentemente um cidadão de segunda categoria.
Nicole Kidman: (...) não tenho nada contra Hollywood; mas prefiro (...) trabalhar noutras partes do mundo, com diretores diferentes que tenham talento e algo a dizer (...).
Grace Kelly: (...) odiei Hollywood. É uma cidade impiedosa. Só conta o sucesso. Qualquer ser humano que não tiver a chave que abra as suas portas é tratado como um leproso.  Não conheço nenhum outro lugar no mundo onde tanta gente sofra de colapsos nervosos, onde existam tantos alcoólatras, neuróticos e tanta infelicidade.
Oscar Levant: Descasque o falso esmalte de Hollywood e você encontrará por baixo o verdadeiro esmalte.
Wilson Mizner: Hollywood é um bueiro com o serviço do Ritz Carlton.

QUEM É QUEM

Candice Bergen – atriz norte-americana
David Lynch – cineasta norte-americano
David Sheff – jornalista norte-americano e editor-contribuinte da Playboy
Grace Kelly (Grace Patricia Kelly, 1928-1982) – atriz norte-americana
Nicole Kidman – atriz australiana
Oscar Levant (1906-1972) – pianista clássico, comediante e humorista norte-americano
Philip Kaufman – roteirista e cineasta norte-americano
Tim Burton – cineasta norte-americano
Wilson Mizner (1876-1933) – teatrólogo e playboy norte-americano

CINEMATECA por Rubens Francisco Lucchetti

VERSÃO ROMANCEADA DO FILME O NONO MANDAMENTO

 

ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE O FILME O NONO MANDAMENTO
por Marco Aurélio Lucchetti

FOLHETIM

 


CARMILLA

Em toda e qualquer relação de autores de histórias de vampiros não pode faltar o nome do irlandês Joseph Sheridan Le Fanu (1814-1873).
Le Fanu foi o criador da célebre vampiresa Carmilla Karnstein, cuja história continua sendo publicada na íntegra, em capítulos, no Jornal do Cinema.
AS MÁSCARAS DO PAVOR
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
O FANTASMA DE GREENSTOCK
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
OS AMANTES DA SENHORA POWERS
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
EM BREVE: NÚMERO ESPECIAL SOBRE ALFRED HITCHCOCK
KIM NOVAK
A CONCORRENTE DE MARILYN MONROE
APRESENTANDO KIM NOVAK
por José Amádio
CHEGOU... VIU... VENCEU...
por Louis Serrano
CUIDADO COM OS DON JUANS!
por Kim Novak
ASSIM É KIM NOVAK
por Larry Thomas
VENCENDO O MEDO
por James Earl Lint
MINHA VIDA EM HOLLYWOOD
por Kim Novak
CARTAS TROCADAS
por Kim Novak
KIM NOVAK NÃO É APENAS UMA BONECA SEM VIDA
por Paul Wasserman
APRENDENDO A SER UMA ESTRELA
por T. G. Novais
EU SOU ASSIM
por José Amádio

UM FILME,
UMA CRÍTICA

por Guido Aristarco

FÉRIAS DE AMOR


Entramos no cinema exatamente no momento em que Madge Owens (interpretada por Kim Novak)...
O HOMEM DO BRAÇO DE OURO
por Pauline Kael
ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE O FILME SORTILÉGIO DE AMOR
por Marco Aurélio Lucchetti
ACONTECEU NUM APARTAMENTO
por Ernesto de Assis
VARIAÇÕES NA PELE DE UMA MULHER DE VIDA FÁCIL
artigo de João Rodoflo Franzoni
E KIM NOVAK SE TORNA POLLY
“EU SOU UMA ESPÉCIE DE TOM JONES DE SAIA”
AS MUSAS DO CINEMA
Filha de Blanche Novak (nascida Blanche Kral) e Joseph Novak, a atriz Kim Novak (pseudônimo de Marilyn Pauline Novak) nasceu em 13 de fevereiro de 1933, no estado norte-americano de Illinois; trabalhou em quase trinta filmes; e retirou-se do Cinema em 1991.
MEMÓRIAS DE UM CINÉFILO - PARTE 2
artigo de Rubens Francisco Lucchetti
 
SUPLEMENTO
THE SPIRIT - PARTE 3 (FINAL)
por Marco Aurélio Lucchetti
E SEU NOME É SALA
artigo de Marco Aurélio Lucchetti
SALA
por François Vidoc
SALA
por Rubens Francisco Lucchetti
MOLL FLANDERS
A SEGUNDA MORTE DE LUCY
por Bram Stoker
O REPASTO
por E. S. Turner
ANJO INFERNAL
por Marco Aurélio Lucchetti
À ESPERA DO MEU SENHOR
por Rubens Francisco Lucchetti
SARAI
por Rubens Francisco Lucchetti
O DEPOIMENTO DA SENHORA MARONE
um conto de R. F. Lucchetti