Ano 4 - nº 13 - junho/setembro de 2012

ASSIM É KIM NOVAK
Larry Thomas



Quando Kim Novak era adolescente, preocupava-se demais com o físico, julgando-se deselegante, alta demais, enfim, “o patinho feio” da família.
Sonhava com Hollywood, imaginando-se uma estrela cinematográfica, cercada de admiradores e de luxo, morando numa casa com piscina e quadra de tênis.
Hoje em dia, parte daqueles sonhos se tornou realidade, pois Kim entrou para o Cinema, depois de uma rápida carreira de modelo, em Chicago.
Mas a vida de Kim Novak não é folgada, como muitos poderiam supor. Seu horário é rigoroso, e nos dias de filmagem ela costuma estar de pé às seis horas da manhã. Depois de tomar café, parte para o estúdio, onde trabalha até as seis ou sete horas da noite. Em seguida, janta rapidamente no próprio estúdio, e das oito até a meia-noite tem aula de Arte Dramática com Benno Schneider. Quando volta para casa, sente-se cansada e sonolenta; porém, completamente feliz, já que seu desejo de aprender e de galgar os degraus da fama são o seu maior estímulo.



Kim, que obteve o principal papel feminino de Picnic, a versão cinematográfica  de um grande êxito teatral da Broadway, chegou recentemente do local de filmagem do referido filme. Foi um trabalho estafante, ao lado de gente famosa, como Rosalind Russell, William Holden e Betty Field, sob a direção do competente Joshua Logan.
– A fita foi filmada no Kansas, e as condições atmosféricas não poderiam ter sido piores. Fazia um calor insuportável; e, de vez em quando, um vendaval retardava nossos trabalhos. Mesmo assim, gostei de trabalhar no filme. Tive de usar oito cabeleiras diferentes, todas ruivas. Fui obrigada a pintar a parte da frente dos cabelos, pois as perucas eram só para a nuca. Meu papel foi dos mais consistentes que já fiz, e espero obter outros no gênero. Estou determinada a ser uma boa atriz, e tudo farei para obter sucesso em minha carreira.
O próximo filme de Kim Novak será The Eddin Duchin Story, no qual interpretará a primeira esposa do famoso pianista.
– Não quero ficar famosa interpretando personagens sensuais – costuma dizer Kim.
E, de fato, não tem preocupação de ser sexy. É loura, sem ser do tipo “fatal”; é muito apegada à família e profundamente religiosa.
Sobre sua família, ela nos conta o seguinte:
– Gostaria muito que meu pessoal viesse morar aqui em Los Angeles; mas meu pai não pretende deixar seu emprego em Chicago. Assim, tenho de me conformar em escrever para eles duas vezes por semana e telefonar-lhes aos domingos.
Kim costuma ir à missa aos domingos, em companhia de amigos.
A igreja fica perto de onde ela mora; e Kim prefere ir a pé e não de automóvel, ao contrário de seus amigos.
Durante a semana, Kim costuma sair muito pouco, já que o trabalho e os estudos não lhe deixam tempo para mais nada. Entretanto, nas noites de terça-feira, ela dá sempre um jeito de sair para ir assistir às lutas de boxe. Seu par constante é Mac Krim, proprietário de uma cadeia de teatros.
Aos sábados, depois do almoço, Kim se ocupa em lavar e passar suas roupas. E, à noite, sai para dançar com Mac Krim. Os dois vão dançar no Beverly Wilshire Hotel e, depois, tomam um refresco em alguma lanchonete.
– No colégio, não gostava de estudar – informa Kim, sorrindo. – Mas, nos dias de hoje, é o que mais gosto de fazer. Não me importo de passar horas e horas estudando um papel, lendo um roteiro.
Agora, quando se fala em vestidos, os olhos de Kim adquirem novo brilho. Conversando sobre o assunto, ela nos diz:
– Não gosto de vestidos meios-termos: ou uso vestidos muito toilette ou, então, roupas bem esportivas. Quando estou em casa, por exemplo, ando sempre de blue jeans e uma blusa qualquer.
Kim é supersticiosa e, sempre que vai fazer algum teste, no estúdio, leva uma caixa cheia de moedas e outros objetos que julga trazerem sorte. Em seu camarim, há um boneco todo manchado de batom, pois, toda vez que entra em cena, Kim beija o boneco, para dar sorte.
– Minha mãe é que tem culpa de eu ser supersticiosa – costuma Kim explicar. – Certa vez, quando ganhei meu primeiro concurso para ser modelo, usava uma saia xadrez. Depois disso, cada vez que ia tentar um emprego, minha mãe aconselhava-me a vestir a saia que “dava sorte”.

 

Este texto foi transcrito do número 83 da revista Cinelândia (Rio de Janeiro, Rio Gráfica, 2ª quinzena de abril de 1956, pp. 39 e 62)