Ano 4 - nº 13 - junho/setembro de 2012

APRESENTANDO KIM NOVAK
José Amádio



Kim Novak nasceu em Chicago, no dia 13 de fevereiro de 1933, estando a Natureza em estado de capricho. Seus pais, Joseph e Blanche Marie Novak (norte-americanos de ascendência tcheca), batizaram-na Marilyn Novak. Mais tarde, o estúdio rebatizou-a Kit Marlowe. Ela insistiu no Novak. Finalmente, a parada ficou resolvida: Kim Novak. Sua infância foi comum. O pai tinha desgosto porque a menina era canhota (continua canhota, e suas mãos não são bonitas). Diz que era magra, anêmica... e que na escola estava sempre nos últimos lugares. Adolescente, treinou para modelo e mereceu os primeiros assobios. Ela e a irmã (três anos mais velha) tiveram aulas de piano, canto e dança. Aos dezenove anos, era modelo profissional. Foi como garota-propaganda que deu com os costados em Hollywood.
Costados que lhe garantiram fama, diga-se de passagem. Tem admiração por Fidel Castro e, quando o barbudo assumiu o poder, enviou-lhe longo telegrama de apoio. (...) Seu partido nos Estados Unidos é o Democrata, “mas também depende de quem estiver concorrendo às eleições”. Seu filme preferido: Férias de Amor. Gosta de gatos e é dona daquele com quem contracenou em Sortilégio de Amor. Pinta, esculpe e escreve poesias. Gostou muito do Rio de Janeiro e ficou impressionada com o Cristo Redentor. Disse que, com aquela estátua, a cidade fica parecendo uma grande igreja.
É católica.
Em Hollywood, consideram-na temperamental. De quando em quando, é acometida por aqueles ataques histéricos tão comuns às prima-donas. Sempre fica nervosa antes de filmar. Vive rodeada de talismãs e amuletos. Seu primeiro papel de responsabilidade (Madge Owens, em Férias de Amor) deixou-a em estado de tensão constante. Tinha medo do diretor Joshua Logan, tinha medo do cartaz de William Holden e de Rosalind Russell. Durante a filmagem de Meus Dois Carinhos, fez o estúdio inteiro esperar por ela durante duas horas. Entre os que a aguardavam, estava Rita Hayworth, a deusa que substituíra. Até pouco tempo submetia-se a tratamento psicanalítico. Já apareceu na capa de todas as revistas importantes do mundo. Já passou centenas de horas da sua vida dando entrevistas, posando para fotógrafos e cinegrafistas. É inteligente e sabe falar com desembaraço. Entretanto, quando foi criada, o estúdio obrigou-a a decorar respostas. Para perguntas assim: “Você gosta de ler? Que livros prefere?” A resposta era assim: “Poesia e prosa. Adoro Shakespeare e bons livros de Filosofia.” Agora, responde por conta própria.
Os cameramen a consideram uma das estrelas mais fotogênicas do Cinema. Seu rosto é material inesgotável. Fotografa bem em qualquer ângulo, e o resultado comove os espectadores. Em Um Corpo Que Cai, estava irreal de tão bonita. E representou muito bem. Como atriz madura. Em suma: nota 100 para a lourinha Novak. (...)
Por tudo isso, pelo que é, pelo que a gente gostaria que ela fosse, meto-me na pele de uma das nossas macacas de auditório e afirmo com certa solenidade: “É a maior!”

 

Este texto foi transcrito da edição de 19 de março de 1960 da revista O Cruzeiro