Ano 4 - nº 13 - junho/setembro de 2012

ANJO INFERNAL
Marco Aurélio Lucchetti
ilustração: Boris Vallejo



Ao cair da noite, seus olhos,
Frios e reluzentes,
Refletem escuridão e desolação.
E clamam,
Ainda que seu eco seja o silêncio.



Ela cavalga um Cérbero
– Um enorme Cérbero de pele verde –
E viaja através de uma terra envolta em sombras,
Enquanto amantes vacilantes
Sonham com seus ardentes beijos.



Sonhos de vida eterna.
Sonhos de sangue
Escorrendo de gargantas dilaceradas.
Que súcubo!
Que anjo infernal!



Sonhos de poder voar,
Para todo o sempre,
Rumo ao horizonte fantasmal da meia-noite.
Que súcubo!
Que anjo infernal!



Amanhã de manhã,
Após sua passagem,
Nada mais será como antes.
Que súcubo!
Que anjo infernal!