Ano 4 - nº 12 - fevereiro/maio de 2012

O TERCEIRO TIRO
Fernando Duarte



O Terceiro Tiro é um filme perfeito, tecnicamente, num estilo de suspense que lembra o de Alfred Hitchcock. Tem uma história insólita, que só no final se esclarece e ao longo da qual se passam as coisas mais estranhas, mais bizarras e mais chocantes. No contexto do filme, intervêm ainda elementos expressionistas notáveis (a decoração; o uso de espelhos e de cortinados, que uma aragem faz esvoaçar e tilintar; a escada; as máscaras).
Mas igualmente têm importante participação, em O Terceiro Tiro, elementos trazidos do filme de Horror: o telefone desligado, a luz que se apaga, o gato que mia e derruba um vaso. Tudo para criar um clima enervante. E a história enfoca uma conspiração de duas pessoas para roubarem e matarem uma terceira. Para isso, elas forjam um assassinato; depois, a suposta vítima do crime reaparece, como se fosse um fantasma. Então, uma morte acontece de fato. E é apenas no final, quando toda a trama se esclarece efetivamente, que o espectador se sente aliviado.
O Terceiro Tiro beneficia-se de um trio de grandes intérpretes: Simone Signoret, James Caan e Katharine Ross. E Don Stroud é um “cadáver”, um “monstro”, que, excelentemente caracterizado e iluminado, contribui ainda mais para a excelência do filme.
Resta dizer que O Terceiro Tiro é uma obra dos estúdios da Universal, empresa que, nestes últimos quarenta anos, deu ao filme de Horror/Terror feito em Hollywood características próprias, popularizando o bizarro e o fantástico.

 

O Terceiro Tiro (Games, 1967, 100')
Direção: Curtis Harrington
Roteiro: Gene Kearney, a partir de um argumento de Curtis Harrington e George Edwards
Elenco: Simone Signoret (Lisa), James Caan (Paul), Katharine Ross (Jennifer), Don Stroud (Norman), Estelle Winwood (srta. Beattie), Marjorie Bennett (Nora), Ian Wolfe (dr. Edwards), Kent Smith, George Furth
Sinopse: A misteriosa Lisa, que é uma vendedora, chega à casa de Jennifer Montgomery, uma jovem milionária. Faz amizade com a moça e instala-se na casa. A partir de então, começa a animar os jogos perigosos que Jennifer e seu marido, Paul, fazem para se divertir. Certo dia, Lisa e Jennifer pregam uma peça em Paul, falando de um hipotético adultério da mulher com Norman, um entregador de armazém. Posteriormente, em um novo jogo, Paul mata acidentalmente o pseudo-amante, cujo fantasma começa a assombrar Jennifer. Esta, desesperada, atira no fantasma e mata realmente Norman. Paul denuncia o crime e, quando se prepara para partir com Lisa, já de posse da fortuna da esposa, acontece uma reviravolta.

 

Esta crítica foi transcrita, com algumas modificações, do número 137 da revista Celulóide (Rio Maior, Fernando Duarte Editor, maio de 1969, pp. 21-22)