Ano 4 - nº 12 - fevereiro/maio de 2012

A HISTÓRIA DE UMA BONECA
Gene Tierney



Era uma vez uma menina que gostava muito de bonecas. Tinha-as muitas (algumas foram trazidas pelo Papai Noel; outras foram trazidas de Paris pelas tias). Só não tinha uma boneca maravilhosa, bem do seu tamanho, que vira uma vez na vitrina de uma loja. E a menina sonhava todas as noites com essa boneca de cachinhos dourados e olhos castanhos.
O tempo passou. A menina cresceu e teve uma filha; mas nunca se esqueceu da boneca que ela tanto desejara, e que ninguém lhe dera.
Um dia, quando estava comprando um vestidinho para a filha, numa loja de roupas para crianças, viu na vitrina uma boneca exatamente igual à dos seus sonhos, servindo de manequim. Comprou-a e comprou também um enxoval completo, para vesti-la como se ela fosse mesmo uma menininha. E, na manhã de Natal, quando sua filha acordou, a primeira coisa que viu foi uma linda boneca, tão alta quanto ela, sentada na sua cadeirinha de balanço.
A menina achou que aquela era o boneca mais linda do mundo e resolveu dar-lhe o nome que ela achava o mais bonito de todos: Vivian. Vivian e a menina foram companheiras de brincadeiras até que a menina ficou grande. Então, ela levou a boneca para o sótão, deitou-a, com muita ternura, numa almofada e colocou-a dentro de uma mala.
Depois disso, a menina cresceu ainda mais e tornou-se estrela de Cinema. Mas nunca se esqueceu de Vivian. Sempre que tinha férias e ia à casa de sua mãe, fazia uma visitinha ao sótão, onde estava a sua Vivian.
Os anos continuaram a passar, e a moça casou e teve também uma menina. Vivian continuava deitada na sua almofada; mas a sua pintura estava um pouco descolorida, e os seus cachos de ouro estavam meio descolados. Ela teve de ir para o hospital das bonecas.
Alguns dias antes do quinto aniversário da menininha que ia ser sua nova “mamãe”, Vivian voltou para casa mais linda do que nunca, num lindo vestido comprido de organdi.
E, na manhã de Natal, Vivian também teve o seu presente: uma elegante poltrona, do mesmo tom rosa de seu vestido de gala. E a “mamãezinha” convidou todas as suas amigas para irem ver a “filha” sentada na sua poltrona nova.
Naturalmente, a nova “mamãe” sabe que Vivian já pertenceu à sua mãe e que foi tão bem cuidada que durou até hoje. É por isso que ela está cuidando tão bem da “filha”, para que ainda venha a dar alegria a outra menina da próxima geração.

 

Este texto foi transcrito do número 91 da revista Cinelândia (Rio de Janeiro, Rio Gráfica, 2ª quinzena de agosto de 1956, pp. 50-51)

 

E, agora, perguntamos nós: onde estará a boneca Vivian?
Ela ainda existirá? Terá sido a companheira de brincadeiras da filha da filha de Gene Tierney...?