Ano 4 - nº 12 - fevereiro/maio de 2012

UMA COMÉDIA INSPIRADA EM O MÉDICO E O MONSTRO



– Ele é louco, positivamente louco – disse, rindo, o técnico, ao observar Jerry Lewis na primeira cena de The Nutty Professor.
Metido numa camisa azul e branca muito larga, Jerry tagarelava e fazia macaquices diante da câmara.
– Embora eu continue sendo o único cômico no filme, – falava mais tarde Jerry, em seu camarim, com o rosto despido da máscara de insanidade, – nesta produção desempenho dois tipos de personalidades opostas, algo assim como acontece em O Médico e o Monstro. Um é um excêntrico e bondoso professor de Ciências; o outro, um talentoso e insólito freqüentador de boates. Na verdade, o freqüentador de boates é um desdobramento da personalidade do professor e surge após a ingestão de um composto químico pseudocientífico. E o motivo de ele aparecer é a necessidade premente que sente toda pessoa dócil de ser forte e vitoriosa diante dos outros.
Jerry representa seu papel com toda a dedicação – trabalha doze horas por dia (chega ao estúdio às seis horas da manhã e só sai depois das oito horas da noite), apesar de os médicos terem recomendado que diminuísse o ritmo de trabalho, devido a uma insuficiência cardíaca – e, como sempre, com uma boa dose de ternura. Para ampliar a imagem do homem humilde que deseja ser alguém na vida, há Stella Stevens no papel da estudante que simpatiza com o professor e suas tribulações.
– O filme está sendo feito exclusivamente para rir – explicava Jerry muito sério, tomando um copo de leite, recomendação dos médicos para acalmar úlceras do estômago.
Logo depois, Jerry Lewis, o homem de família, o sujeito supersensível, voltava ao set e recomeçava a fazer macaquices.

 

Este texto foi transcrito do número 243 da revista Cinelândia (Rio de Janeiro, Rio Gráfica, 2ª quinzena de dezembro de 1962, p. 24)