Ano 4 - nº 12 - fevereiro/maio de 2012

TENTANDO REATAR UMA VELHA AMIZADE
Jerry Lewis



Mesmo depois que fixei residência em Hollywood, tive meus filhos e comprei casa nova, ainda guardava um lugar no coração para um velho companheiro de infância. Tínhamos sido amigos inseparáveis durante muitos anos.
Depois, devido a interesses diversos, nos afastamos; e perdi meu companheiro de vista.
Por isso, quando consegui – por meio de um amigo comum – seu endereço, escrevi-lhe imediatamente uma carta, que dizia mais ou menos o seguinte:
“Onde é que você tem andado, seu malandro? Que é que tem feito de bom? Escreva, telegrafe ou telefone. Quero ouvir sua voz ou saber noticias suas de algum modo.”
Uma semana depois, eu recebia a seguinte resposta:
“Prezado Sr. Lewis:
Estou lembrado de que fomos grandes amigos. No entanto, seguimos destinos diferentes. Você agora é uma celebridade, vivendo entre festas e riquezas e recebendo pessoas importantes em sua casa. Tendo em vista esta situação, não acho que seria aconselhável reatarmos nossa velha amizade. Sou um joão-ninguém; sou apenas um comerciante, um homem simples e sem pretensões. Estou certo de que você não teria tempo a perder comigo. Sinto muito...”

Escrevi-lhe mais duas ou três cartas, mas nunca recebi resposta.
Afinal de contas, quem é que mudou: eu ou o meu amigo?

 

Este texto foi transcrito do número 116 da revista Cinelândia (Rio de Janeiro, Rio Gráfica, 1ª quinzena de setembro de 1957, p. 25)