Ano 3 - nº 11 - outubro de 2011/janeiro de 2012

"É DIFÍCIL FAZER A ADAPTAÇÃO DE UM GRANDE ROMANCE "
Roman Polanski



Fiquei realmente feliz por ter feito Tess. Os nove meses de filmagem foram o período mais excitante da minha vida.
A história se passa na época vitoriana. As regras são muito rígidas, e Tess é vítima delas. Ela foi seduzida, ficou grávida, abortou e matou o amante. O episódio arruína completamente sua vida. Com dezesseis anos de idade, torna-se praticamente impossível viver. Não vou entrar em detalhes, mas é uma história de amor e injustiça. Injustiça exercida por pessoas que se julgam muitas vezes abertas e revolucionárias.
(...) já fazia tempo que eu estava com vontade de filmar uma história de amor, e uma boa história de amor é algo difícil de encontrar nos romances de hoje. Em minha mente, o livro de Thomas Hardy, Tess of the D’Urbervilles, sempre permaneceu como uma das maiores histórias de amor de todos os tempos. Então, chegou o momento adequado; e decidi filmá-lo.
É difícil fazer a adaptação de um grande romance. É quase impossível fazê-lo com uma obra-prima da Literatura. Um livro é bom porque é bem escrito, e não há como conservar isso no Cinema. Mas você pode manter os aspectos essenciais, a atmosfera e o caráter. Tecnicamente falando, a grande dificuldade foi, para mim, a de ser fiel ao livro e ser capaz de reduzi-lo consideravelmente, sem dar a impressão de que alguma parte do romance desapareceu.

 

Este texto, que faz parte de uma entrevista dada por Roman Polanski a Fred Robbins, foi transcrito do número 2 da revista Club (São Paulo, Omni, julho de 1981, p. 28)