Ano 3 - nº 11 - outubro de 2011/janeiro de 2012

PINDUCA
Marco Aurélio Lucchetti



“Henry é um solitário; e sua mudez, cujas causas nunca foram explicadas, mantém-no totalmente distanciado da sociedade ao redor dele.”
Maurice Horn

 

Um dos mais famosos personagens da King Features Syndicate é Pinduca (Henry, no original), criado pelo quadrinhista norte-americano Carl Anderson.
Filho de imigrantes noruegueses, Carl Anderson nasceu em 14 de fevereiro de 1865, em Madison, no estado de Wisconsin.
Após abandonar a escola, Carl Anderson tornou-se carpinteiro; e, aos 25 anos de idade, quando já era um hábil marceneiro, inventou e patenteou uma escrivaninha dobrável que ainda hoje é fabricada.
Foi por acaso que Carl Anderson tornou-se desenhista. Depois de ler um panfleto sobre um curso de formação de carturnistas, viajou para a Filadélfia e matriculou-se nesse curso; e, em 1894, para sustentar-se, começou a fazer desenhos de moda para o jornal Philadelphia Times, recebendo doze dólares semanais.
No final da década de 1890, Carl Anderson foi convidado por Arthur Brisbane a desenhar cartuns para um dos principais jornais de Nova York: o New York World, cujo proprietário era Joseph Pulitzer (1847-1911). Carl Anderson aceitou o convite; mudou-se para Nova York; e, tão logo instalou-se na cidade, criou a história em quadrinhos The Filipino and the Chick, que foi publicada durante um curto período no New York World. Depois, realizou para o concorrente do World, o New York Journal, a história em quadrinhos Raffles and Bunny. E, em 1903, para a agência distribuidora McClure, produziu Herr Spiegelberger, The Amateur Cracksman.
Essas primeiras histórias em quadrinhos de Carl Anderson não agradaram ao público. Por isso, ele, na primeira década do século XX, voltou a fazer cartuns; e, durante aproximadamente vinte anos, teve seus desenhos humorísticos publicados nas revistas Collier’s, Judge, Life (1883-1936) e Puck.
No início da Grande Depressão, no final da década de 1920, Carl Anderson, como muitos outros norte-americanos, viu seus rendimentos minguarem. Foi, então, obrigado a mudar-se de Nova York; e voltou para seu estado natal, decidido a ser novamente marceneiro.
Em 1932, aos 67 anos de idade, além de trabalhar como marceneiro, Carl Anderson também dava aulas noturnas numa escola vocacional de Milwaukee, ensinando os alunos a fazer cartuns. Certa noite, durante uma aula, ele desenhou um garoto careca e de pescoço muito comprido. Após desenhar o personagem, batizou-o com o nome de Henry.
Percebendo que os alunos tinham gostado de Henry, Carl Anderson usou-o como protagonista de algumas histórias em quadrinhos cômicas; e, ato contínuo, enviou essas histórias para o semanário Saturday Evening Post. As histórias foram aceitas e publicadas. Isso motivou a produção de novas histórias em quadrinhos com Henry, o garoto mudo cujos únicos interesses no mundo parecem ser (não necessariamente nessa ordem) a menina Henrietta (quase todos os personagens secundários das histórias não têm nome, uma das poucas exceções é Henrietta), sorvetes, doces e andar.
Não demorou muito tempo, Henry tornou-se uma das atrações do Saturday Evening Post; e chamou a atenção do magnata da imprensa estadunidense, William Randolph Hearst (1863-1951), que convidou Carl Anderson a realizar para sua agência distribuidora, a King Features, uma tira diária e uma página dominical com o personagem.
Em 17 de dezembro de 1934, os jornais norte-americanos começaram a publicar as tiras diárias de Henry; e, em 10 de março de 1935, as páginas dominicais.
Ao completar setenta anos, Carl Anderson percebeu que realizar as tiras diárias e as páginas dominicais de Henry era muito trabalho para uma pessoa de sua idade. Contratou, portanto, dois assistentes: Don Trachte, para desenhar as páginas de domingo; e John Liney, para criar as gags.
Em 1942, devido a uma artrite, Carl Anderson ficou impedido de desenhar. Então, as tiras começaram a ser desenhadas por John Liney.
Carl Anderson, que nunca se casou, morreu em 4 de novembro de 1948, em Madison; e as histórias de Henry continuaram a ser produzidas por Don Trachte (páginas dominicais) e John Liney (tiras diárias).
Em 1979, John Liney deixou de desenhar as tiras diárias de Henry. Então, apenas as páginas dominicais do personagem continuaram a ser produzidas: e elas deixaram de ser realizadas nos anos 1990 (nessa época, Don Trachte, que faleceria em 2005, tinha dois assistentes: Jack Tippit e Dick Hodgins Jr.).