Ano 3 - nº 11 - outubro de 2011/janeiro de 2012

LILITH
Rubens Francisco Lucchetti



Conta-se que Deus criou o homem à sua imagem no sexto dia e deu a ele poder sobre tudo o que havia na face da terra. Mas, então, Eva não existia.
Deus ordenou a Adão que desse nome a todos os seres vivos. Enquanto eles passavam aos pares – macho e fêmea – diante dele, Adão ficou com inveja e lamentou:
Toda criatura viva tem seu par, exceto eu – e pediu a Deus que remediasse essa injustiça.
Então, Deus criou Lilith, a primeira mulher, da mesma forma como havia criado Adão. Entretanto, usou lama e sedimento, ao invés de pó puro.
Temperamental e independente, noturna e demoníaca, Lilith encarnava a própria lascívia em pessoa; e de sua união com Adão surgiram Asmodeus e inúmeros demônios.
Dominada pela luxúria e pelos desejos mais obscuros, Lilith jamais deu paz ou felicidade a Adão e, por fim, abandonou-o. Anjos foram mandados à sua procura e encontraram-na à margem do Mar Vermelho, convivendo com demônios lascivos.
– Volte para Adão sem demora – ordenaram os anjos.
– Como posso eu voltar para Adão e viver a vida de uma honesta dona de casa, após viver à margem do Mar Vermelho? – Ela replicou.

 

Rubens Francisco Lucchetti é ficcionista e roteirista de Cinema e Quadrinhos

 

Este texto foi transcrito do livro (inédito) Sagradas e Profanas