Ano 3 - nº 11 - outubro de 2011/janeiro de 2012

E TESS CHEGARÁ FINALMENTE AOS CINEMAS AMERICANOS
Rodney Mello



Tess, baseado no romance Tess of the D’Urbervilles, de Thomas Hardy, foi inteiramente rodado na França e não no seu cenário original, na Inglaterra (...).
A estrela do filme é Nastassja Kinski, filha do ator alemão Klaus Kinski. Roman Polanski a conheceu quando ela tinha dezessete anos e logo se envolveu romanticamente com ela. Nastassja está morando agora em Hollywood com a mãe, Ruth, enquanto ensaia seu papel no próximo filme de Francis Ford Coppola, One from the Heart. Ela já havia visto quase todos os filmes de Polanski antes de conhecê-lo, há quatro anos:
– Eu estava em Munique, onde minha mãe morava. Ele estava fazendo fotografias para a revista Vogue e me pediu que posasse para ele. Depois disso a gente se viu muitas vezes. Foi idéia dele que eu deveria ir para os Estados Unidos para aprender Inglês devidamente. Nessa mesma época, ele me falou de Tess. Eu nem conhecia o livro; mas, logo que o li, adorei.
Depois disso, ela esteve em Roma e trabalhou com Marcello Mastroianni no filme Tentação Proibida.
– Quando voltei, Roman perguntou-me seriamente se eu seria capaz de falar com um sotaque de Dorset, para ser fiel a Hardy. Disse que tentaria; e foi então que ele me enviou a Dorset, na Inglaterra, para estudar.
Nastassja diz ter gostado de filmar com Polanski. Segundo ela, sua paciência é quase sem limites e só uma vez ele se irritou. Isso aconteceu em um dia em que passara horas esperando pela luz. Quando o sol apareceu, ela precisou sair correndo para o banheiro.
– Ele ficou louco da vida. Mas o que eu podia fazer? – Falou Nastassja, rindo. – Minha cinta estava machucando meu estômago.
Nastassja está visivelmente feliz porque o filme vai ser visto pelos americanos. Ela ficou surpresa com a decisão da Columbia de distribuir o filme.
Tess foi recusado por todos os grandes distribuidores americanos, sob a alegação de que não era comercial. Entre os presidentes de estúdio que o recusaram, estava Frank Price, da Columbia, que explica assim a sua decisão de finalmente aceitar o filme:
– Embora eu pensasse que era um filme maravilhoso, tinha minhas reservas a respeito dele, comercialmente. Mais tarde eu resolvi ficar com o filme e, finalmente, decidi que podíamos distribuí-lo.

 

Este texto foi transcrito do Jornal da Tarde (São Paulo, 12 de janeiro de 1981)