Ano 3 - nº 11- Outubro de 2011/Janeiro de 2012


O FILME DO MÊS:








por Pauline Kael

O QUE DISSERAM SOBRE A NUDEZ

Brigitte Bardot: Eu choco as pessoas porque não tenho pudor. No passado, mostrava isso tirando a roupa. Hoje, dizendo o que penso.
Claudia Cardinale: Poderá parecer curioso, mas eu, símbolo sexual sobretudo para a imprensa internacional, não apenas jamais me despi inteiramente num filme – nos meus contratos sempre houve uma cláusula bem explícita a este respeito –, como também na vida privada usei pouquíssimo, por exemplo, (...) o traje de banho (...). Sempre achei que, estando nua ou seminua, uma mulher perde todo o seu mistério e, em conseqüência, o seu fascínio. Quase não vou à praia e nunca me dispo totalmente; em geral, me cubro com pareôs.
Jane Fonda: Não tiro a roupa com facilidade. Sou tímida.
Sylvia Kristel: Gosto muito de tirar a roupa. Principalmente, se houver um fotógrafo por perto.
Aldine Müller: Desde garotinha eu curtia posar, fazer teatrinho, sozinha, olhando-me (nua?) no espelho.
Suelen Fernandes: Eu acho que toda mulher, no seu íntimo, sempre sonha em posar nua. Faz parte do universo feminino ser atraente para os homens. Toda mulher quer deixar os homens cheios de tesão. Partindo desse ponto, acho que todas nos imaginamos posando sem roupa e mostrando o que temos de melhor.
Charles MacFarland: Talvez seja natural para a mulher ser sempre o alvo de um olhar, assim como é natural para nós olhar para elas.
Teri Hatcher: (...) US$ 10 milhões. Por este valor eu fico nua.
Sandra Bréa: Cada situação em que eu tirei a roupa, teve um contexto. (...) não foram o nu pelo nu. Foram sempre em função de situações, de personagens criados não só pela minha arte, mas pela arte do fotógrafo e pela do pessoal da revista – da revista para as quais as fotos se destinavam – que tinha de escolher as melhores fotos. Tirar a roupa para mim é um ato muito natural, como o de passar por uma porta, por exemplo. Desde, claro, que seja dentro de uma situação que predisponha a isso. Agora, como o homem veio ao mundo nu, a nudez é uma libertação. Ninguém devia ter vergonha, e todos deviam usar roupa apenas como proteção ao clima. O homem devia esconder é outras coisas; e estas coisas eu não posso citar, porque são proibidas e censuradas.
Marisa Berenson: A nudez é um passo muito importante na carreira de uma atriz. Eu acho que existem fotógrafos e cineastas tão talentosos quanto (o pintor italiano Sandro) Botticelli. E mesmo que não existissem, que é que há de errado em aparecer nua?
Sasha Grey: Eu simplesmente adoro ficar nua. Encaro como uma forma de expressão, uma forma de projetar um sentimento de feminilidade para as outras pessoas (...). Tem a ver com o meu espírito feminista libertário (...).
Nadia Cassini: Acho que é a melhor forma de me comunicar com o público. Nada melhor do que a nudez para acabar com a cerimônia.
Paulina Bonaparte: Certa vez, o Papa quis saber o porquê de eu haver posado nua. Então, eu respondi: “E por que não? Não fazia frio, pois havia uma lareira no estúdio.”
Cicciolina: Fazer nu me agrada porque faz parte da Natureza; a pessoa nasce nua, a pessoa nua é bela.
Charlotte Rampling: Eu sou favorável ao nudismo. Por isso mesmo, ver-me nua não me afeta, não me afeta de modo algum.
Savanna Samson: Sinto-me mais confortável e confiante quando estou nua.
Angie Dickinson: Eu me visto para as mulheres e tiro a roupa para os homens.
Betty Sadi: (...) o que é belo é para ser apreciado.
Monica Vitti: Admiro as mulheres capazes de ficar nuas em público e de dizer as frases do seu script nuas. Admiro porque significa que elas chegaram a um equilíbrio maior do que o meu. Nunca consegui nada disso e nem parecido.
Catherine Deneuve: Sou tímida, incrivelmente tímida. (...) As cenas de nudismo causam-me uma vergonha terrível. Quando no filme A Bela da Tarde (dirigido pelo espanhol Luis Buñuel) fui obrigada a despir-me, só consegui vencer a inibição tomando uns goles bem fortes. Foi um inferno! Mesmo entre as quatro paredes do meu quarto, raramente ando nua. Não acredito na existência de muitas atrizes que possam agüentar facilmente posar nuas ou participar de cenas de amor muito quentes. A razão dessa repugnância é simples: poucas mulheres se orgulham do seu corpo nu. Brigitte Bardot é uma exceção: gosta tanto do próprio corpo que as cenas em que representa despida ficam naturais.
Barbara Bouchet: Para quem tem um corpo como o meu, tentar fazer qualquer outra coisa além de mostrá-lo – e muito – é pura utopia.
Roger Vadim: A nudez num set de filmagem não me deixa, de modo algum, embaraçado. Vários pintores retrataram nuas as mulheres que adoravam, exibindo as telas com grande orgulho. Qual é a diferença entre o pincel de um artista e as lentes de uma câmara? Os técnicos de estúdio? Bem, sempre havia visitantes nos ateliês de Rubens e Renoir.
Leona Cavalli: A nudez em cena é fácil de fazer quando a personagem pede.
Kenneth Clark: Nenhum nu, por mais abstrato que seja, deverá deixar de provocar no observador um certo vestígio de sentimentos eróticos, mesmo que não passe de uma sutil sugestão.
Roger Vadim: Antes de Brigitte Bardot, muitas estrelas se despiram nas telas... e quase não chamaram a atenção. Com Brigitte foi muito diferente. Ela ensinou algo: a liberdade do corpo.
Katherine Mansfield: Como é idiota a civilização! De que serve o corpo, se nos obrigam a enclausurá-lo num estojo como se ele fosse um violino raro?
Nelson Rodrigues: O biquíni é uma nudez pior que a nudez.
Sacha Guitry: Quando uma mulher tira a luva para permitir que a mão seja beijada, isso não significa que concorde em despir-se inteiramente.
Raquel Welch: Na minha opinião, noventa por cento das mulheres que tiram a roupa deviam deixá-la onde estava. Sua plástica nada tem de excepcional. Além do mais, a sensualidade não vem da nudez. Vem de algo que você é.

QUEM É QUEM

Aldine Müller – atriz brasileira
Angie Dickinson (pseudônimo de Angeline Brown) – atriz norte-americana
Barbara Bouchet – atriz alemã
Betty Sadi – modelo e atriz brasileira
Brigitte Bardot – atriz francesa
Catherine Deneuve – atriz francesa
Charles MacFarland – fotógrafo norte-americano
Charlotte Rampling – atriz inglesa
Cicciolina (pseudônimo de Illona Staller) – atriz pornô húngara
Claudia Cardinale – atriz italiana
Jane Fonda – atriz norte-americana
Katherine Mansfield (Kathleen Mansfield Beauchamp, 1888-1923) – escritora neozelandesa
Kenneth Clark – escritor e ensaísta inglês
Leona Cavalli – atriz brasileira
Marisa Berenson (Marisa Schiaparelli Berenson) – modelo e atriz norte-americana
Monica Vitti – atriz italiana
Nadia Cassini – modelo fotográfico e atriz européia de origem norte-americana
Nelson Rodrigues (1912-1980) – escritor, jornalista e dramaturgo brasileiro
Paulina Bonaparte (1780-1825) – irmã do imperador francês Napoleão Bonaparte
Raquel Welch (Racquel Tejada) – atriz norte-americana
Roger Vadim (1928-2000) – cineasta francês
Sacha Guitry (1885-1957) – teatrólogo e cineasta francês
Sandra Bréa (1952-2000) – atriz brasileira
Sasha Grey – atriz pornô norte-americana, nascida no Brasil
Savanna Samson – atriz pornô norte-americana
Suelen Fernandes – modelo fotográfico brasileira
Sylvia Kristel – atriz holandesa
Teri Hatcher – atriz norte-americana

FOLHETIM

 


CARMILLA

Em toda e qualquer relação de autores de histórias de vampiros não pode faltar o nome do irlandês Joseph Sheridan Le Fanu (1814-1873).
Le Fanu foi o criador da célebre vampiresa Carmilla Karnstein, cuja história continua sendo publicada na íntegra, em capítulos, no Jornal do Cinema.
AS MÁSCARAS DO PAVOR
uma história (em capítulos) de R. F. Lucchetti
ONDE ESTÁ BLONDIE? - SEGUNDA PARTE
(roteiro para uma história em quadrinhos)
por R. F. Lucchetti
AGUARDE: NÚMERO ESPECIAL SOBRE ALFRED HITCHCOCK

UM FILME,
UMA CRÍTICA

por Vasco Granja

REPULSA AO SEXO


Polanski afirmou que dirigiu esse filme por prazer, com a intenção de dar um soco no estômago... do espectador.
GENTE QUE FAZ CINEMA  
LEE REMICK
LEE REMICK, A IMAGEM VIVA DA GRAÇA
AO SOM DE HENRY MANCINI
por Aurélio P. Cardoso
“É DIFÍCIL FAZER A ADAPTAÇÃO DE UM GRANDE ROMANCE”
por Roman Polanski
E TESS CHEGARÁ FINALMENTE AOS CINEMAS AMERICANOS
por Rodney Mello
A ATRIZ DE TESS
por Roman Polanski
NASTASSJA KINSKI
UMA VERDADEIRA ESTRELA
NASTASSJA, UM GATO SIAMÊS
por Alberto Lattuada
“OS DIRETORES SÃO COMO FIGURAS PATERNAS”
por Nastassja Kinski
AS MUSAS DO CINEMA
Sylvia Kristel nasceu em 28 de setembro de l952, em Utrecht, na Holanda.
Antes de ser atriz, ela foi modelo. E tornou-se famosa mundialmente ao interpretar a personagem Emmanuelle, no filme erótico francês
Emmanuelle, A Verdadeira (Emmanuelle, 1974; direção de Just Jaeckin).
Na verdade, Emmanuelle, uma mulher que está sempre em busca de novas experiências sexuais e emoções, marcaria para sempre a carreira de Sylvia Kristel (ela interpretaria a personagem em mais de uma dezena de fitas, muitas das quais produzidas para a TV), que trabalhou em alguns filmes que são pequenas obras-primas (um deles é
Alice ou A Última Fuga).
E SYLVIA KRISTEL SE LIVROU DE EMMANUELLE
E O NU FINALMENTE CHEGOU A HOLLYWOOD
WALT DISNEY NOS DEIXOU ÓRFÃOS
porPerce Polegatto
 
SUPLEMENTO
THE SPIRIT
por Marco Aurélio Lucchetti
ESTÓRIAS ADULTAS
UMA REVOLUÇÃO NOS QUADRINHOS BRASILEIROS - PARTE 2 (FINAL)

artigo de Marco Aurélio Lucchetti
PINDUCA
artigo de Marco Aurélio Lucchetti
WINSOR McCAY E LITTLE NEMO - PARTE 2 (FINAL)
artigo de Fábio Santoro
AVENTURAS DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS É LEITURA APENAS PARA CRIANÇAS?
por Marco Aurélio Lucchetti
UM CLÁSSICO DA LITERATURA
“É A HISTÓRIA DA INOCÊNCIA TRAÍDA”
por Roman Polanski
AH, AS JOVENS MEDITATIVAS
por Rubens Francisco Lucchetti
O GESTO
por Rubens Francisco Lucchetti
A MÃO DA MÚMIA
por Rubens Francisco Lucchetti
T. G. NOVAIS, O HOMEM QUE PARECIA NÃO TER PASSADO
por Rubens Francisco Lucchetti
A LONDRES DE JACK O ESTRIPADOR
por Roland Marx
JACK O ESTRIPADOR
por Gardner F. Fox
ALGUMAS TEORIAS A RESPEITO DE JACK O ESTRIPADOR
por Jacob Penteado
PORQUE SHERLOCK HOLMES NÃO SE INTERESSOU POR JACK O ESTRIPADOR
por Ellery Queen
LILITH
por Rubens Francisco Lucchetti