Ano 3 - nº 10 - junho/setembro de 2011

ZANE GREY
Ross Pynn



“As cavernas tiveram um papel bastante importante na História do Oeste. Aquelas que se encontravam já desertas e em ruínas sempre me fascinaram. Muitas das minhas histórias e romances falam dessas rudes “casas”.
Estava-se (...) no fim de uma tarde de outono, quando me perdi no meio da floresta. (...) Horas antes, fora caçado um urso perto do canyon. Os meus companheiros continuavam separados de mim. Continuei sempre caminhando e procurando no meio do vasto verde que cobre Tonto Barsin, um dos vales mais férteis do Arizona.
Todas as árvores, pedras e ravinas pareciam perfeitamente iguais. Eu estava realmente perdido, e as sombras começavam a tombar sobre a floresta.
Decidi, então, arranjar um lugar onde acampar, antes que a escuridão me apanhasse. De madrugada, logo que o sol despontasse, conseguiria (...) orientar-me.
Mal acabei de tomar essa decisão, cheguei perto de uma cerca que rodeava uma clareira. Do lado oposto, estava uma cabana.”
Trecho do conto “O Segredo da Cabana das Serpentes”, de Zane Grey

Zane Grey constitui ainda hoje o símbolo do autor de Western por excelência. Poucos escritores de histórias de Faroeste, antes ou depois dele, atingiram sua notoriedade e popularidade. Para se ter uma idéia do que se afirma, é suficiente dizer que até o ano de sua morte (1939) ele vendeu, só nos Estados Unidos, trinta milhões de exemplares dos seus romances. Isso tornou-o um homem rico.
Segundo os estudiosos da obra de Zane Grey, o seu valor reside na profunda documentação de que se munia para escrever os seus romances, o que lhe permitia descrições longas e cuidadosas de qualquer cena. (...) Ele preocupava-se menos com as suas personagens... e mais com o meio ambiente. Zane Grey possuía a nostalgia do passado da sua terra e vivia enfronhando-se em mil e uma descobertas ao longo da História de cada um dos quilômetros de seu território. Os usos, os costumes e as lendas dos brancos e dos peles-vermelhas – enfim, tudo o quanto descobriu – utilizou em sua prosa vigorosa, precisa, segura.
Não esqueçamos que Zane Grey era um estilista. Talvez um pouco antiquado em sua forma de escrever; mas profundamente vigoroso, utilizando na frase todos os elementos que se consideravam, à época, essenciais como denominadores de excelência literária: vocabulário abundante, imagens criteriosas e pouco fantasiosas, períodos longos e trabalhados. A prosa era como uma renda complicada: precisava de voltas e mais voltas, necessitava de muitas vírgulas e ponto-e-vírgulas para ser considerada categorizada. E Zane Grey era mestre nessa espécie de “bordado” literário, dando-nos em cada um dos seus livros uma riqueza vocabular, com imagens e períodos bem construídos (...).

 

Este texto foi transcrito do livro “Best-Sellers” da Literatura “Western” (2ª edição, Lisboa, Portugal Press, agosto de 1972, pp. 15-17), organizado por Ross Pynn (pseudônimo de José Augusto Roussado Pinto, 1927-1985)