Ano 3 - nº 10 - junho/setembro de 2011

VERA CRUZ
Jaime Rodrigues



Excelente western, realizado com extraordinária vitalidade, Vera Cruz configura o talento e a versatilidade do diretor Robert Aldrich. (...) o filme tem no ritmo e na narrativa suas molas mestras.
Gary Cooper é um coronel sulista de temperamento circunspecto, que viu destruída (pelas forças do Norte) a sua fazenda na Louisiana; e Burt Lancaster é um aventureiro (ou um outlaw) cínico, traiçoeiro, brincalhão. No duelo entre os dois (personagens e intérpretes), nenhum sai ganhando; e ambos estão admiráveis.
Na trama de Vera Cruz, a revolução mexicana de Juarez não foi abordada em profundidade por Borden Chase, autor da história, e Aldrich. Fica à margem. Serve como delimitação de época e lugar. E, no final do filme, como disse um crítico, “não se sabe mesmo, qual dos dois lados foi mais sensivelmente desfalcado por Benjamin Trane (Gary Cooper) e Joe Erin (Burt Lancaster), que atravessaram todo a narrativa matando soldados de Maximiliano e Juarez”.
Outra faceta de Vera Cruz é a irreverência que é encontrada a todo momento (nas relações entre os dois heróis, o cínico Joe Erin e o reservado Benjamin Trane; na apresentação de outros personagens, como Maximiliano e sua corte, os juaristas e os elementos do bando de cada herói). Como afirmou um crítico inglês: “Há mais ação em um só rolo de Vera Cruz do que em meia dúzia de westerns médios”. Um elogio de que Aldrich deve ter gostado.

 

Vera Cruz (Vera Cruz, 1954, 94')
Direção: Robert Aldrich
Roteiro: Roland Kibbee & James R. Webb, baseando-se numa história de Borden Chase
Elenco: Gary Cooper, Burt Lancaster, Denise Darcel, Cesar Romero, Sarita Montiel, George Macready, Ernest Borgnine, Charles Buchinsky (mais tarde conhecido como Charles Bronson), Henry Brandon, Jack Elam
Disponível no Brasil em DVD
Distribuidora: Classcline

 

Este texto foi transcrito do opúsculo Robert Aldrich (Rio de Janeiro, INC, 1969, pp. 11-12), de Jaime Rodrigues