Ano 3 - nº 10 - junho/setembro de 2011

UM RETRATO MAIS PRÓXIMO DE UM SER HUMANO
Lawrence Kasdan



Eu queria fazer o primeiro retrato de corpo inteiro de Wyatt Earp. Não creio que as pessoas sejam só uma coisa – só heróis ou só vilões. Nem acho que as pessoas que fazem o mal achem que estejam praticando o mal. Acho que as pessoas são complicadas. Meu interesse era descobrir o passado de Wyatt, saber como sua personalidade se formou, o que teria acontecido com ele em garoto que iria afetar o seu comportamento como adulto. O resultado é um retrato mais próximo de um ser um humano que de um super-herói.
Acho que no final do filme ele emerge como herói. Aliás, o melhor tipo de herói: aquele com quem você consegue se identificar como ser humano. Ele é alguém capaz de cometer erros, alguém que por acaso se comportou de forma ruim no passado. Isso não significa que ele não tenha sido um herói: ele foi corajoso de modos que seriam difíceis para qualquer um de nós e muitas vezes fez o que era certo fazer. Nada disso impede que ele tenha tido medo e ambições naturais de um ser humano.
Sou fascinado pelo período da história americana que vai do final da Guerra Civil à virada do século... e que engloba o que chamamos de Wild West (Oeste Selvagem). E dentro desse período ninguém se sobressai mais que Wyatt Earp, que acho que, até agora, não foi representado pro completo nos filmes. E, se eu queria que as pessoas “passeassem” por esse período, quem melhor para “passear” com elas que Wyatt Earp, que se destaca tanto em nossa mitologia?

 

Este texto foi transcrito do número 87 da revista Set (São Paulo, Azul, setembro de 1994, pp. 31-32)