Ano 3 - nº 10 - junho/setembro de 2011
 

UM CENÁRIO LENDÁRIO
Ramiro Cristóbal Muñoz



Rastros de Ódio (The Searchers, 1956) foi filmado em três cenários naturais: Alberta (Canadá); Gunnison (Colorado); e, sobretudo, no deserto pétreo de Monument Valley. Esta locação, descoberta por John Ford, quando o diretor realizava uma viagem a Santa Fé, é já um cenário lendário para os westerns. O próprio Ford rodou ali, em preto-e branco, No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939), Paixão de Fortes (My Darling Clementine, 1946), Sangue de Herói (Fort Apache, 1948), Caravana de Bravos (Wagon Master, 1950) e Rio Bravo (Rio Grande, 1950); e, em cores, Legião Invencível (She Wore a Yellow Ribbon, 1949), Rastros de Ódio, Audazes e Malditos (Sergeant Rutledge, 1960) e Crepúsculo de uma Raça (Cheyenne Autumn, 1964).
A grande formação desértica de terra e os enormes rochedos, transformados pelo vento – quase incessante – em formas caprichosas, são o imenso cenário, no qual índios e colonizadores brancos se movimentam e, postos à prova pela região inóspita, serão sempre vencidos pela vastidão do lugar. (...) Para o escritor espanhol Rafael Cherta Puig, que escreveu um livro sobre Rastros de Ódio, dois dos elementos básicos naturais aparecem no filme em toda sua crueza e imutável exigência: a terra, que chama a seu interior (dois índios enterrados quase de pé, com uma pedra plana sobre eles, representam esse retorno às raízes); e o ar, que aparece como vento e que molda rochas e homens.

 

Este texto foi transcrito do livro Rastros de Ódio (tradução de Elizabeth Xavier de Araújo, São Paulo, Moderna/Folha de S. Paulo, 2009, pp. 18-19), volume 11 da Coleção Folha Clássicos do Cinema