Ano 3 - nº 10 - junho/setembro de 2011

SHALAKO
Valério Andrade



À medida que a narrativa avança, até alcançar a meta estipulada em 113 minutos, o tom insólito presente no início vai desaparecendo, soterrado numa coletânea de clichês. Os personagens são estereotipados, rigorosamente irreais, vivendo situações igualmente artificiais, monotonamente previsíveis. O próprio ritmo do filme termina por se adaptar a esse estado de coisas, e nem mesmo os tiroteios de praxe conseguem vitalizar a ação e reavivar o interesse público. Para um cineasta da experiência de Edward Dmytryk, com larga folha de serviços prestados em todos os gêneros, inclusive no Western, Shalako chega a surpreender. Afinal de contas, se o roteiro era ruim, Dmytryk contava com um tema interessante num cenário dramático em que, muitas vezes, a direção supera as falhas do roteiro, alcançando bom resultado cinematográfico (...). Conservando Shalako nos limites do gênero, quando talvez fosse preferível apelar para uma das suas variantes (Viva Maria, por exemplo), Dmytryk não conseguiu fazer um western autêntico.

 

Shalako (Shalako, 1968, 113')
Direção: Edward Dmytryk
Roteiro: J. J. Griffith, Hal Hopper & Scot Finch, baseando-se em romance de Louis L’Amour
Elenco: Sean Connery, Brigitte Bardot, Stephen Boyd, Jack Hawkins, Peter van Eyck, Honor Blackman, Woody Strode, Alexander Knox, Valerie French
Disponível no Brasil em DVD
Distribuidora: Caribe

 

Este texto foi transcrito do número 26 da revista Guia de Filmes (Rio de Janeiro, INC, março/abril de 1970, p. 75)