Ano 3 - nº 10 - junho/setembro de 2011

JOHNNY GUITAR
François Truffaut



Há dois filmes em Johnny Guitar: o do diretor Nicholas Ray (o relacionamento entre os dois homens e as duas mulheres, a violência e o amargor); e todo um bricabraque extravagante ao estilo “Josef von Sternberg”, completamente exterior à obra de Ray mas que, neste filme, não deixa de ser menos atraente. Assim, vemos Joan Crawford de vestido branco tocar piano em um saloon cavernoso tendo, ao lado, candelabros e um revólver. Johnny Guitar é A Bela e a Fera do Faroeste, um sonho do Oeste. Nele, os cowboys desmaiam e morrem com a graça de bailarinas. A cor rude e violenta (por trucolor) contribui para a sensação de deslocamento; as cores são vivas, às vezes belíssimas, mas sempre inesperadas.
Johnny Guitar foi feito sob medida para Joan Crawford, assim como O Diabo Feito Mulher (Rancho Notorious, 1952), de Fritz Lang, o foi para Marlene Dietrich. (...) A interpretação de Joan Crawford – crispada, tensa, levada ao paroxismo por Nicholas Ray – é por si só um estranho e fascinante espetáculo.

 

Johnny Guitar (Johnny Guitar, 1954, 110')
Direção: Nicholas Ray
Roteiro: Phil Yordan, baseando-se num romance de Roy Chanslor
Música: Victor Young
Elenco: Joan Crawford, Sterling Hayden, Mercedes McCambridge, Scott Brady, Ernest Borgnine, John Carradine, Ward Bond, Ben Cooper, Frank Ferguson
Disponível no Brasil em DVD
Distribuidora: Versátil

 

Este texto foi transcrito do livro Os Filmes de Minha Vida (Les Films de Ma Vie, tradução de Vera Adami, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1989, pp. 178-179), de François Truffaut