Ano 3 - nº 10 - junho/setembro de 2011

HOPALONG CASSIDY
Luiz Antônio Sampaio, Marco Aurélio Lucchetti & Marcos Vinicius de Lima Arantes



William Boyd nasceu em 1898, no estado norte-americano de Ohio, e iniciou sua carreira de ator ainda na fase do cinema mudo, fazendo uma ponta no filme Amores Velhos, por Novos (Old Wives for New, 1918), dirigido por Cecil B. DeMille.
Durante mais de sete anos, William Boyd interpretou papéis secundários de maior ou menor importância. Então, em 1926, Cecil B. DeMille convidou-o para ser o protagonista de O Barqueiro do Volga (The Volga Boatman). Logicamente, Boyd aceitou o convite e, do dia para a noite, tornou-se um astro.
Nos primeiros anos da década de 1930, a  carreira de William Boyd entrou em declínio. E, em 1935, Boyd foi convidado por Harry Sherman, um produtor independente de Hollywood, a estrelar uma série tendo como protagonista um cowboy criado em 1907 pelo escritor Clarence E. Mulford. O ator não ficou muito entusiasmado com o convite, pois logo percebeu que o personagem – ele era um sujeito rude, que trabalhava no Bar 20 Ranch, mancava (ficara manco em virtude de um ferimento a bala), bebia, fumava, mascava tabaco, jogava, dizia imprecações e não hesitava em usar o revólver ante a primeira provocação – não iria agradar ao público e, portanto, não teria um futuro promissor nas telas. Assim, impôs uma condição para interpretá-lo: que o tornassem “limpo”. Sherman aceitou essa condição; e foi feita uma mudança radical no personagem, livrando-o das “impurezas”.
O primeiro filme da série estreou em 1935 e foi um sucesso. E a série prolongou-se até 1948, num total de 66 filmes. Então, o tal cowboy, cujo nome era Hopalong Cassidy, ou simplesmente Hoppy, tornou-se uma das figuras mais conhecidas do gênero Western. Ele tinha uma aparência honrada, não bebia, não fumava, não jogava, não blasfemava ou beijava as garotas e preferia capturar os vilões a feri-los ou matá-los. E estava sempre bem vestido. Usava chapéu preto e roupas escuras, que contrastavam com o branco prateado de seus cabelos.
Em 1944, com 54 filmes produzidos, Sherman deu por encerrada sua participação na série, principalmente devido ao aumento dos custos de produção. A partir de então, o próprio William Boyd adquiriu os direitos de uso do personagem e produziu mais doze fitas, que foram um fracasso.
No final da década de 1940, com as finanças abaladas, Boyd viu na televisão, veículo que começava a se firmar como principal meio de comunicação e de entretenimento, sua única oportunidade de redenção financeira. Vendeu tudo que possuía, fez empréstimos e dedicou-se de corpo e alma à produção de uma série de filmes (cada um deles tinha cerca de meia hora de duração) de Hoppy para a TV. Exibidos (de 1949 a 1951, juntamente com as fitas feitas para os cinemas) pela NBC, esses filmes agradaram a juventude norte-americana da época, em razão de terem muita ação e movimento. E o dinheiro que William Boyd ganhou nessa fase de sua vida superou – em muito – tudo aquilo que ganhara em toda a sua carreira no Cinema. E sua popularidade aumentou ainda mais. Fundou-se, então, a Hopalong Cassidy Enterprises (mais tarde transformada em William Boyd Enterprises), empresa que passou a explorar a figura de Hoppy em uma grande variedade de produtos (roupas, brinquedos etc...)
William Boyd despediu-se do Cinema aos 54 anos de idade, numa pequena participação na superprodução O Maior Espetáculo da Terra (The Greatest Show on Earth, 1952), que teve direção de Cecil B. DeMille. Quis o destino que DeMille fosse o diretor dos filmes que marcaram o início e o fim de sua carreira no Cinema.
Um ano depois de sua participação em O Maior Espetáculo da Terra, William Boyd despediu-se definitivamente do show business. E faleceu em setembro de 1972, depois de passar  quatro meses hospitalizado.



HOPALONG CASSIDY NOS QUADRINHOS

Hopalong Cassidy teve nas histórias em quadrinhos um espaço adicional considerável para a difusão de suas aventuras.
Hoppy chegou aos comic books, os gibis norte-americanos, em 1942. Para sermos mais precisos, ele fez sua estréia nos quadrinhos no número 33 (datado de 2 de dezembro de 1942) de Master Comics. Nessa revista, cuja principal atração eram as histórias do Capitão Marvel Jr., Hopalong Cassidy permaneceu até o número 49 (abril de 1944). Depois, voltou a aparecer do número 88 (fevereiro de 1948) ao 94 (agosto de 1948).
Em 1943, a Fawcett Publications, que publicava Master Comics, lançou Hoppy em revista própria, intitulada Hopalong Cassidy, que consolidaria definitivamente o personagem no mercado de comic books.
Hopalong Cassidy esteve presente nas bancas de jornal dos Estados Unidos até 1959 (foram lançados ao todo 135 números). A Fawcett foi responsável por sua publicação até o número 85 (janeiro de 1954). A partir do número seguinte, a revista passou a ser lançada pela National Periodical Publications, a DC Comics.
Entre 1948 e 1954, Hoppy apareceu também em outros dois gibis da Fawcett: Real Western Hero (até o número 69, essa revista chamava-se Wow Comics), que, a partir do número 76 (março de 1949), passaria a se chamar Western Hero; e Six Gun Heroes.
As histórias em quadrinhos de Hopalong Cassidy publicadas nessas revistas nada tinham de excepcional. Assemelhavam-se a dezenas de outras do gênero Western e, na maioria das vezes, eram mal escritas e mal desenhadas.
Então, em 1949, querendo explorar ao máximo o nome e a figura de Hoppy, William Boyd decidiu lançar o personagem também numa história em quadrinhos feita para os jornais.
Foi ainda em 1949 que os jornais norte-americanos começaram a publicar as tiras diárias e páginas dominicais da história em quadrinhos Hopalong Cassidy, cujos desenhos eram de Dan Spiegle.
Nascido em 1920, Dan Spiegle era um novato na arte dos Quadrinhos, mas não decepcionou a ninguém. Seus traços não eram exatamente belos ou elegantes; porém, o artista era caprichoso e esmerava-se nos desenhos. No final, o resultado de seu trabalho era algo realmente gratificante aos olhos dos leitores. Com o tempo, ele foi aperfeiçoando ainda mais a sua técnica. Nas páginas dominicais, aprimorou-se no emprego das cores, tirando delas o maior proveito possível. Nas tiras diárias, começou a usar o papel craftint de maneira admirável, misturando as variadas tonalidades obtidas pelo ben day com uma técnica de pincel seco.
Hopalong Cassidy foi um faroeste de roteiros simples, refletindo o espírito dos filmes de William Boyd. No entanto, Spiegle soube explorar incrivelmente o aspecto visual da obra, dando ao leitor a sensação de estar assistindo a um dos velhos filmes de Hoppy. Do pincel de Spiegle brotavam também cenários vivos do Velho Oeste, onde autenticidade e beleza, lado a lado, adquiriam papel de relevante importância. Enfim, Hopalong Cassidy nada tinha da apatia visual das histórias em quadrinhos de Hoppy produzidas para os comic books.
A história em quadrinhos Hopalong Cassidy pertencia a William Boyd e, inicialmente, foi distribuída por uma pequena agência distribuidora de material de imprensa, a The MIRROR Syndicate, de Los Angeles; depois, em 1951, passou a ser distribuída pela poderosa King Features Syndicate. E, no verão de 1955, foi cancelada.
Hoje, Hopalong Cassidy é uma história em quadrinhos imerecidamente esquecida pelos leitores e editores. Jamais foi reeditada em forma de álbum ou revista e raramente é lembrada pelos pesquisadores de Quadrinhos. Isto é lamentável, pois Hopalong Cassidy é uma obra que merecia maiores estudos e sair desse injusto ostracismo.



HOPALONG CASSIDY – FILMOGRAFIA

Vida e Aventura (Hop-a-Long Cassidy ou Hopalong Cassidy Enters, 1935, 62')
Direção: Howard Bretherton

Olhos de Águia (Eagle’s Brood, 1935, 59')
Direção: Howard Bretherton

Sinal de Fogo (Bar 20 Rides Again, 1935, 65')
Direção: Howard Bretherton

A Última Testemunha (Call of the Prairie, 1936, 65')
Direção: Howard Bretherton

Corações Errantes (Heart of the West, 1936, 60')
Direção: Howard Bretherton

Três sobre a Pista (Three on the Trail, 1936, 67')
Direção: Howard Bretherton


O Herói de Sempre (Hopalong Cassidy Returns, 1936, 71')
Direção: Nate Watt

Missão Bem Cumprida (Trail Dust, 1936, 77')
Direção: Nate Watt

O Herói da Fronteira (Borderland, 1937, 82')
Direção: Nate Watt

À Sombra da Lei (Hills of Old Wyoming, 1937, 75')
Direção: Nate Watt

Vingança de Irmão (North of the Rio Grande, 1937, 70')
Direção: Nate Watt

O Fim da Quadrilha (Rustler’s Valley, 1937, 60')
Direção: Nate Watt

O Estouro da Boiada (Hopalong Cassidy Rides Again, 1937, 65')
Direção: Lesley Selander

Laçada do Destino (Texas Trail, 1937, 60')
Direção: David Selman

Coração do Arizona (Heart of Arizona, 1938, 68')
Direção: Lesley Selander

A Mina Misteriosa (Bar 20 Justice, 1938, 70')
Direção: Lesley Selander

Felicidade em Brumas (In Old Mexico, 1938, 62')
Direção: Edward D. Venturini

Sob o Céu do Oeste (Pride of the West, 1938, 56')
Direção: Lesley Selander

A Mestra Rural (The Frontiersman, 1938, 74')
Direção: Lesley Selander

Heróis do Rancho (Partners of the Plains, 1938, 68')
Direção: Lesley Selander

A Única Testemunha (Cassidy of Bar 20, 1938, 56')
Direção: Lesley Selander

O Homem Prático (Range War, 1939, 66')
Direção: Lesley Selander

A Lei dos Pampas (Law of the Pampas, 1939, 74')
Direção: Nate Watt

Uma Cartada Afoita (Silver on the Sage, 1939, 68')
Direção: Lesley Selander

A Sombra do Passado (Renegade Trail, 1939, 61')
Direção: Lesley Selander

O Tolo Esperto (Sunset Trail, 1939, 69')
Direção: Lesley Selander

Caminhos de Santa Fé (Santa Fe Marshal, 1940, 65')
Direção: Lesley Selander

Trunfo e Paus (The Showdown, 1940, 65')
Direção: Howard Bretherton

Piratas de Estrada (Hidden Gold, 1940, 61')
Direção: Lesley Selander

A Ferradura Fatal (Stagecoach War, 1940, 63')
Direção: Lesley Selander

Three Men from Texas (1940, 70')
Direção: Lesley Selander

Caravana Emboscada (Doomed Caravan, 1941, 62')
Direção: Lesley Selander

Cartucho Acusador (In Old Colorado, 1941, 66')
Direção: Howard Bretherton

Fronteiras Perigosas (Border Vigilantes, 1941, 62')
Direção: Derwin Abrahams

Piratas a Cavalo (Pirates on Horseback, 1941, 69')
Direção: Lesley Selander

Três Vaqueiros da Arábia (Outlaws of the Desert, 1941, 66')
Direção: Howard Bretherton

Lenhadores de Improviso (Riders of the Timberline, 1941, 59')
Direção: Lesley Selander

Cidade Sem Justiça (Wide Open Town, 1941, 78')
Direção: Lesley Selander

Secrets of the Wasteland (1941, 66')
Direção: Derwin Abrahams

Vaqueiro Detetive (Stick to Your Guns, 1941, 63')
Direção: Lesley Selander

Fogo Cruzado (Twiligth on the Trail, 1941, 58')
Direção: Howard Bretherton

O Protetor (Undercover Man, 1942, 68')
Direção: Lesley Selander

Revólveres e Laços (Colt Comrades, 1943, 67')
Direção: Lesley Selander

Fazenda Vinte (Bar 20, 1943, 54')
Direção: Lesley Selander

Desfiladeiro Perdido (Lost Canyon, 1943, 61')
Direção: Lesley Selander

Mantenho a Ordem (Hoppy Serves a Writ, 1943, 67')
Direção: George Archainbaud

Patrulha Fronteiriça (Border Patrol, 1943, 66')
Direção: Lesley Selander

Mineiro Misterioso (The Leather Burners, 1943, 58')
Direção: Joseph E. Henabery

O Enganador (False Colors, 1943, 65')
Direção: George Archainbaud

Cavaleiros da Fronteira (Riders of the Deadline, 1943, 70')
Direção: Lesley Selander

Bandoleiro do Mistério (Mystery Man, 1944, 58')
Direção: George Archainbaud

Quarenta Ladrões (Forty Thieves, 1944, 60')
Direção: Lesley Selander

O Impostor do Texas (Texas Masquerade, 1944, 59')
Direção: George Archainbaud

Justiça a Muque (Lumberjack, 1944, 65')
Direção: Lesley Selander

The Devil’s Playground (1946, 62')
Direção: George Archainbaud

Fool’s Gold (1946, 63')
Direção: George Archainbaud

Hoppy’s Holiday (1947, 60')
Direção: George Archainbaud

A Voz de Sete Balas (The Marauders, 1947, 63')
Direção: George Archainbaud

Unexpected Guest (1947, 61')
Direção: George Archainbaud

Dangerous Venture (1947, 59')
Direção: George Archainbaud

Sinister Journey (1948, 59')
Direção: George Archainbaud

Silent Conflict (1948, 51')
Direção: George Archainbaud

Strange Gamble (1948, 62')
Direção: George Archainbaud

Borrowed Trouble (1948, 58')
Direção: George Archainbaud

The Dead Don’t Dream (1948, 62')
Direção: George Archainbaud

False Paradise (1948, 60')
Direção: George Archainbaud

Observação: os filmes que estão sem título em Português não foram exibidos no Brasil.