Ano 3 - nº 10 - junho/setembro de 2011

EL DORADO
Ronald F. Monteiro



O que mais impressiona em El Dorado é a eficiência comunicativa e o inigualável talento na composição cinematográfica das situações. Não há esquemas predeterminados nem convenções de construção numa narrativa – no entanto – tradicionalmente elaborada. O clímax da ação tanto surge de modo abrupto como cuidadosamente preparado por um intervalo de tensão; em ambos os casos, pontilhado ou não de humor. Este, que ora é usado para quebrar o excesso de expectativa, ora para exacerbá-lo, é outra diferenciação do filme. Toda a linha dramática é vazada por um tom intermitentemente jocoso. E é o humor que conduz a alguns momentos de clímax dramático-emotivo (...), muito embora esses clímaxes fujam às características habituais de centro absoluto de interesse da narrativa.
(...)
Detalhes corroborativos recheiam o filme, tornando-se desnecessário enumerá-los. E o veterano Howard Hawks, em seu 37º filme e quarto western (os três anteriores são: Rio Vermelho/Red River, 1948; Rio da Aventura/The Big Sky, 1952; e Onde Começa o Inferno/Rio Bravo, 1959), vai substituindo as fórmulas por posições suas, sem recusar o gênero – ao contrário, glorificando-o (...).

 

El Dorado (El Dorado, 1967, 126')
Direção: Howard Hawks
Roteiro: Leigh Brackett, baseando-se no romance The Stars in Their Courses, de Harry Brown
Música: Nelson Riddle
Elenco: John Wayne, Robert Mitchum, James Caan, Charlene Holt, Michele Carey, Arthur Hunnicutt, R. G. Armstrong, Edward Asner, Johnny Crawford, Christopher George
Disponível em DVD no Brasil
Distribuidora: Paramount

 

Este texto foi transcrito do número 13 da revista Guia de Filmes (Rio de Janeiro, INC, janeiro/fevereiro de 1968, p. 5)