Ano 3 - nº 10 - junho/setembro de 2011
 

BLUEBERRY
Gir
tradução e versão: Marco Aurélio Lucchetti



Blueberry é um militar... um verdadeiro militar. Já pedi diversas vezes ao roteirista da série, Jean-Michel Charlier, que o fizesse desertar ou qualquer coisa do gênero. À medida que o tempo passa e novos episódios vão surgindo, fica difícil aceitar que um sujeito tão valoroso continue usando uniforme. De qualquer modo, a partir das duas histórias mais recentes “La Mine de l’Allemand Perdu” e “Le Spectre aux Balles d’Or”, sua situação começa a mudar favoravelmente e ele vai se tornando cada vez mais um paramilitar. Por outro lado, quando Charlier e eu começamos a realizar as histórias de Blueberry, queríamos que ele fosse parecido com o ator Jean-Paul Belmondo... Mas não era nada fácil desenhar o personagem com os traços fisionômicos do Belmondo... E um dia me cansei; então, pouco a pouco, Blueberry passou a se assemelhar a Blueberry. Ganhou o nariz quebrado, o rosto com barba de alguns dias, o aspecto sujo, os cabelos compridos... Agora, uma coisa tenho de reconhecer é que os filmes de Faroeste de Sergio Leone influenciaram meu estilo. Também sofri influência das fitas dirigidas por Sam Peckinpah (“o poeta da violência”) e Monte Hellman (ele dirigiu dois faroestes muito apreciados pela crítica européia: Ride in the Whirlwind e The Shooting, estrelados por Jack Nicholson e Millie Perkins), além das ilustrações de Frederic Remington e dos desenhos de Milton Caniff e Hal Foster.

 

Este texto foi traduzido de uma entrevista dada pelo quadrinhista francês (Jean Giraud) a Claude Moliterni e publicada no livro Entretiens (Ivry, Éditions Serg, 1973, p. 14)