Ano 3 - nº 10 - junho/setembro de 2011

AS ÍNDIAS ESTÃO EM MODA
José Amádio



Continuam os peles-vermelhas a infestar as telas cariocas. Nunca se viu tantos nem tão descarados tipos brincando de fazer filmes nestes tempos suaves com o outono se despedindo (...). Vou falar sobre o filme A Trilha da Amargura (War Paint) apenas para justificar a foto da indiazinha que enfeita esta página (...). Aliás, as índias também estão em moda. Debra Paget (...) iniciou o desfile, fazendo romance com James Stewart em Flechas de Fogo (Broken Arrow, 1950), por sinal um bom filme. Depois surgiu a indiazinha de Trágica Emboscada (Savage, 1952), que os cretinos matam na terceira parte. Agora chegou a vez de Joan Taylor. No filme A Trilha da Amargura ela bota banca de má, faz beicinho, arranha, aplica pontapés certeiros, pontifica sobre os problemas da guerra e da paz e termina bancando a conselheira do galã (Robert Stack), um tenente da Cavalaria incompreendido pelos comandados e pela esposa (pacifista que abandona o forte porque detesta morticínio, deixando o marido com homérica dor-de cotovelo). O final é happy, mas no decorrer da fita morrem exatamente doze soldados – um enlouquece, outro se suicida, outro bebe água envenenada e os restantes se matam uns aos outros. Edificante, como vêem! (...) O filme é da Warner Brothers. E foi rodado em Pathé Color, processo dos mais medíocres, perdendo longe para o technicolor.

 

A Trilha da Amargura (War Paint, 1953, 89')
Direção: Lesley Selander
Roteiro: Martin Berkeley & Richard Alan Simmons, a partir de um argumento de Fred Freiberger & William Tunberg
Elenco: Robert Stack, Joan Taylor, Charles McGraw, Keith Larsen, Peter Graves

 

Este texto foi transcrito da edição de 26 de junho de 1954 da revista O Cruzeiro